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Vida Saudável

Da rotina

Sobre escutar o nosso corpo, sobre se amar

23 de setembro de 2015

No último domingo, resolvi que ia aproveitar os raios de sol que voltaram a povoar nossos dias por aqui (depois de um agosto EXTREMAMENTE cinza e chuvoso) e eu e o bofe fomos para um parque aquático bem legal que fica relativamente perto de casa. Um programa maravilhoso para um domingo. O que mais se pode pedir além de sol e piscina? É, eu sei. Um corpo escultural também ia bem.

Eu estava lá, na fila de um dos tobogãs do parque, e comecei a observar as mulheres que passavam. E a pensar várias coisas. A me comparar, mais especificamente. Passava uma mais gordinha e eu: ‘nossa, mas pelo menos eu não estou assim’. Passava uma sarada e eu me jogava psicologicamente na lama e dizia pra mim mesma que meu corpo, ele não tava legal. Resumo da ópera é que: eu não tô feliz com o meu corpo, se eu preciso me comparar com/julgar outros. E faz um tempo já que a história é essa.

Ando me escondendo em roupas maiores, não uso mais bíquini. Me escondo do espelho e não ando muito fã das minhas fotos. Sim, autoestima mandou lembranças e diz que volta já, quando eu tiver a decência de me tratar como eu devo. E isso não inclui todas as comidas erradas que eu ando comendo e todos os exercícios que eu não ando fazendo.

A questão é que a (matur)idade chega pra todos. E tem horas que a gente tem que ver que não está dando. Não está dando pra continuar comendo besteira e sendo totalmente sedentária. Não está legal. Eu não tenho mais vesícula (fiz uma cirurgia para extraí-la, há uns dois anos atrás) e continuo metendo o pé nas frituras – e passando muito mal depois. Eu ando sem energia, a pele tá cheia de espinhas e o corpo, com gordurinhas, celulites e outras coisas que não deveriam estar onde estão. Não estou aqui defendendo que a gente deva focar em um ideal inatingível. Não. Não mesmo. O meu biótipo é curvilíneo, nunca serei magra Gisele Bunchen nem que eu me matasse sem comer. Vou continuar com meus seios grandes, minhas pernas grossas e curtas e minhas bochechas gordinhas, não importa o que eu faça. Entretanto, tem como melhorar o que eu já tenho. Tem como ser a melhor versão de mim mesma. E isso, só tratando melhor o meu corpo.

A minha ideia, agora, é mudar algumas coisas no meu dia-a-dia. Escolher melhor o que eu como – e, obviamente, o que eu coloco no meu carrinho de compras, já que a maior parte da comida que eu ingiro é feita em casa (o que já é um plus, certo?). Ser menos sedentária (subir mais escadas, sair pra correr, voltar pra Yoga). Me cuidar melhor, de forma geral, ter mais amor ao meu corpo, que ainda precisa segurar a onda por – com a graça de Deus – uns bons anos. O bom é que tanto eu quanto o bofe estamos chegando à mesma conclusão ao mesmo tempo, o que faz dele o meu parceiro rumo à uma vida melhor. E em parceria é sempre mais fácil e divertido, né?

Isso mostra que nossa insatisfação com o aspecto estético do nosso corpo pode ser algo muito mais profundo e menos fútil do que nós achamos. Pra saber, temos que escutar o que o nosso corpo está dizendo. Se escutar aos outros é difícil, imagina escutar a nós mesmos, no escandaloso ruído do nosso dia a dia? Mas é necessário. O meu, particularmente, já disse que não está bem em vários aspectos, então é hora de parar e rever comportamentos.

Algumas coisas são bem fáceis de fazer e fazem a diferença. Por exemplo: não comer sem estar com fome, coisa que eu vivia fazendo. Ir dormir na hora que tem sono, sem forçar a barra pra ficar acordada assistindo coisas que, no final, nem valem tanto à pena assim. Trocar o elevador pelas escadas (isso não é tão fácil pra mim, porque realmente estou fora de forma, mas preciso fazer), andar mais de ônibus (e, assim, terminar caminhando mais). Fazer comidas mais simples e mais saudáveis, focando nos nutrientes e não no conforto que ela vai me trazer (coisa que eu ainda preciso de treino, já que sempre me importo mais com o sabor da comida e não no que ela traz pro meu corpo). Enfim, são pequenas mudanças, mas muito importantes no final.

O que induz a gente ao erro, eu acredito, é a dicotomia gritante que as pessoas pregam. Ou você só vai ser feliz se for magra ou você só vai ser feliz comendo tudo o que quiser. E não é assim, né? O foco não é nem só a estética e nem só o prazer de comer. E sim na sua saúde e na sua felicidade, no geral. O caminho do meio é sempre a melhor saída e nesse caso não é diferente. Temos que respeitar o nosso corpo, acima de tudo. Não podemos querer ser algo que não faz sentido pra gente, mas também não podemos chutar o pau da barraca e mandar à merda qualquer noção de saúde e qualidade de vida que nós tenhamos. Precisamos equilibrar nossas necessidades e dar sempre o melhor pro nosso corpo.

No próximo mês, visitarei um endocrinologista e provavelmente começarei uma reeducação alimentar. Também vou voltar pra Yoga. Quero estar bem comigo mesma, tanto no aspecto da saúde quanto no estético. Acho que a beleza anda lado a lado com o que a gente sente por dentro, então realmente não dá pra trabalhar um sem o outro. Me desejem sorte! (:

PS: Ah, leitura indicada e que me fez inspirar pra escrever esse texto: esse post aqui da Noelle. Não deixem de conferir, é amor! <3