Instagrão

  • hey ho lets go
  • meu companheiro de bingo que me ganhou 1 ventilador casalradical
  • Umas modelos dessas bicho
  • O peixe  enxerido a foto  estranha mas ahellip
  • Tombadssima com o verde gua desse mar
  • Pisar menos no trabalhamos
  • uma manh preguiosa tem que ter caf n?
Explore

Let it go

Opiniões que ninguém pediu

Pra parar de ser um control-freak

2 de junho de 2015
Créditos: Jeffrey Chung

Créditos: Jeffrey Chung

Olá, gente, meu nome é Amanda e faz 10 minutos que eu não tento controlar alguma coisa. Sim, eu sofro de um mal epidêmico chamado control-freakiness (termo que acabei de neologizar, mas eu sei que é velho amigo de todos nós), que faz a gente querer controlar coisas controláveis e incontroláveis – ou: tudo. Não quero que nada dê errado, não quero ter problemas, não quero sofrer. E, por isso, tento organizar, checar e re-checar cada área da minha vida, com cuidado, avaliando riscos e cortando o que pode me render más experiências.

É exaustivo, é estressante e é: inútil. Porque não importa o que a gente faça, não tem como a gente controlar o resultado das coisas. A gente, obviamente, pode dar uns empurrões na direção certa – mas, a vida, ela faz o que ela quer. É como se a nossa existência fosse uma padaria e nossas experiências fossem pãezinhos, fabricados diariamente. Nós podemos fazer tudo controladamente e do mesmo jeito, mas: nenhum pão é igual. Assim como, não importa o quanto tentemos, nenhuma experiência nossa será exatamente igual ao que pensamos e projetamos que ela fosse ser.

Eu sempre achei que pensar nos planos A, B e C com toda a antecedência do mundo era um traço positivo meu. Queria dizer que eu era uma pessoa proativa, que pensava à frente e contava com os imprevistos do futuro. E acho que esse tipo de comportamento pode até ser interessante, medianamente, em algumas áreas da nossa vida. Porém, de forma geral, pensar assim o tempo todo é apenas uma tremenda falta de confiança no mundo, no universo, no que a vida reservou pra nós. Essa maneira de pensar, que a vida sempre vai armar uma “cilada” para gente e que a gente já tem que estar preparado pra não cair nela e não se estabacar no chão é algo que pode ser interessante, sei lá, no nosso trabalho (de forma, repito, mediana), mas no dia-a-dia é algo que não faz tão bem, porque: se você não quebrar a cara de vez em quando, como é que você vai aprender?

“Pela experiência dos outros”, você pode dizer. Acontece que:  ninguém aprende pela experiência dos outros. Pelo menos não os skills da vida. Ninguém aprende a ser mãe sabendo como as outras mães são. Ninguém aprender a limpar um vaso sanitário se nunca tiver tido que esfregar um. Ninguém manja os paranauês de andar de ônibus se não tiver utilizado o transporte público de sua cidade. Enquanto há experiências que realmente a gente pode e deve cortar da nossa vida porque não batem com o nosso estilo de vida (na minha opinião, por exemplo, drogas não são uma experiência necessária e, portanto, não quero experimentá-las), há aquelas que, mesmo que o resultado seja ‘negativo’, ele será positivo – porque você aprendeu alguma coisa.

Por isso o que eu acredito é que, com uma outra exceção, não existe esse negócio de má experiência. Toda experiência é válida e o medo e a nossa psicose controladora não nos deve nos impedir de viver o que queremos. Lembra quando a gente era criança e brincava de todas as brincadeiras de correr, independentemente do fato de que poderíamos cair e nos machucar? A verdade é que: o que é um machucado perto da diversão e felicidade que a brincadeira nos trazia? O que é um coração partido perto da empolgação de se apaixonar? O que é uma noite em claro perto da maravilha de se ter um filho? O que é a vida inteira, comparado a alguns tropeços e erros no caminho?

Pesar sempre prós e contras e descartar sonhos porque já achamos que não vai rolar é algo que vira rotina, quando pensamos desse jeito. E tudo isso porque não queremos perder tempo. Não queremos errar. Queremos seguir um fluxo perfeito, organizado aos detalhes, que só existe no mundo das nossas ideias. O que não paramos pra pensar é que: se não podemos ‘perder tempo’ com nossos sonhos, com o que mais deveríamos? Se não podemos nos vulnerabilizar para atingir coisas que desejamos, saindo da nossa zona de conforto, de que outra forma a vida deve ser vivida? Se não for pra ir atrás do que desejamos e confiar que a vida vai nos dar o que nos for de direito, de que outro jeito seremos verdadeiramente felizes?

Confiar, gente. Confiar é a palavra. Vamos confiar um pouco mais em na vida. No universo. Em Deus, se você acreditar nele. E, sim, vamos confiar um pouco mais em nós. Somos de carne e osso, não de cristal. A gente se machuca, se quebra – mas também saramos, aprendemos e seguimos em frente depois.

Novinhos em folha – mas completamente diferentes.