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Copinho

Feminices

Minha experiência com o coletor menstrual (Inciclo)

19 de abril de 2017

Faz mais de um ano desde que adquiri o meu primeiro (e único, até agora) coletor menstrual e acho que agora é um bom momento para dividir minhas impressões com vocês. Então se você é uma dessas que ainda tem lá suas dúvidas sobre esse copinho de silicone, senta aí  que eu vou te explicar direitinho como se dá meu relacionamento com meu coletor, ponto a ponto, viu? Dividi em perguntas bem direto ao ponto, porque acho que fica mais didático, né? Já aviso logo que isso aqui não é publieditorial – eu mesma comprei meu coletor e vim falar da minha experiência para vocês porque acho que muita gente ainda fica com uma pulga atrás da orelha sobre isso. Com essa pontuação, vamos em frente:

Como funciona?

Simples: é um copinho de silicone medicinal que você dobra e insere na sua vagina, para que o seu fluxo menstrual fique contido nele. Ele abre lá dentro – se você tiver feito tudo direitinho – e forma um vácuo entre o seu fluxo e o ar externo, o que faz com que seu sangue fique lá no copinho, guardadinho, sem mau-cheiros nem bactérias nem dramas.

É muito caro? Vale a pena o custo-benefício?

O que eu uso – o Inciclo – custou R$80 + frete. Levando em consideração que eu gastava, em média, R$15 em absorventes por mês, em 6 meses eu já tinha pago o meu Inciclo e já estava no lucro. Acho o custo-benefício ótimo, pois o copinho é feito de silicone medicinal (um material que dá pra reusar um sem-número de vezes) e não tem prazo de validade (você que observa quando ele perde suas qualidades – tipo, a maleabilidade – e troca).

É difícil de se adaptar?

Então, né. Não vou dizer a vocês que é fácil não. Nos primeiros meses rolaram uns vazamentos porque eu não entendia bem como deveria colocar o copinho ou porque ele não estava abrindo lá dentro (já que eu tava colocando errado). Sempre usava  com aqueles protetores diários, por via das dúvidas. Mas depois que a gente pega o jeito – uns 3 meses já dá pra começar a manjar dos paranauês – é a liberdade. Nem parece que eu tô menstruada, gente! Dá pra correr, pular, nadar – sem drama nenhum, pois 0 absorventes. Não é uma coisa que dê pra fazer de qualquer jeito, mas acho que valeu o esforço pela liberdade que ele traz. Logo: a adaptação pra mim não veio fácil, mas fico feliz de ter insistido.

E precisa trocar muito?

Saí diretamente do absorvente externo (aquele com abão, pois xô vazamentos) para esse copo de dimensões até diminutas em relação ao que eu esperava do meu fluxo. Porque, gente, eu era daquelas que, nos 3 primeiros dias de menstruação, trocava o absorvente umas 3, 4 vezes – e sempre bem cheio. Fiquei cabreira do quanto teria que esvaziar o copinho, porém: só mexo nele antes de sair de casa e quando chego em casa – a não ser que eu tenha colocado ele errado e ele tenha saído do lugar, mas esse é outro problema. A verdade é que a gente menstrua bem menos do que a gente pensa que menstrua. Nosso corpo faz escândalo, aqueles absorventes de algodão mostram sangue suficiente para ser proveniente de uma chacina, mas não é tudo isso não, viu? Então se você olhou os copinhos e pensou: “gente, mas eu sangro muito, vou ter que trocar aquele treco 800 vezes”, provavelmente a senhora tá enganada. É de 12 em 12 horas mesmo, como eles sugerem, sem problemas.

Como você coloca/ qual dobra você usa?

Eu uso a dobra em U (ou C, nas gringas) – a mais simples de todas. Algumas vezes eu uso a que eles chamam de punchdown fold, só que essa tem mais chances de dar errado, logo evito. Tem vários tipos de dobrinhas (veja aqui nesse vídeo) então vale a pena testar e ver qual te ajuda mais. Eu só dobro, coloco lá dentro e vou passando meu dedo em volta dá base, para ver se ele abriu por completo. Se estiver ainda estiver dobrado, eu tiro e coloco de novo até ele abrir lá dentro.

Qual a melhor posição pra colocar?

Em pé, sem dúvida. Sentada eu sinto que é mais difícil pôr o coletor no lugar certo.

E o sangue do coletor, não fede? Não dá nojinho?

Já coloquei essa perguntinha aqui porque sei que tem gente que vai pensar isso, porém:  não. Cês já se cortaram? O sangue de vocês fedeu? Pois bem, a mesma coisa. “Mas Mandy, o sangue da menstruação no absorvente fede”. You got a point, mas o absorvente está em contato com o ar, com bactérias, com nosso suor. Logo, claramente não tem como ficar de boas. Porém o sangue do coletor está em contato apenas com o coletor, já que o copinho cria um vácuo quando o inserimos na vagina. Logo, não, não tem fedor, não tem drama, não tem nojinho – até porque ter nojo de algo tão natural na gente não faz sentido, né, pessoal?

Como que higieniza o coletor?

Faço da seguinte maneira: no início de cada ciclo, esterilizo ele na água fervente. É bem simples: pego um potinho de vidro separado pra isso, coloco o coletor e água suficiente para cobri-lo completamente. Então coloco 10 minutos em potência máxima no micro-ondas. O ideal é que o coletor fique 5 minutos na água fervente. No meu micro-ondas, geralmente leva uns 2,5 a 3 minutos para a água ferver, por isso deixo 10 no total, just to be safe. Mas depende, claro, da potência do seu aparelho. Você também pode ferver em uma panela, no fogo mesmo – mas aí a panela não pode ser  de teflon (pois soltaria os resíduos pretos no seu copinho). No site da Inciclo, eles vendem uma panelinha específica pra isso (de ágata), mas não vejo muita necessidade. Depois que fervo o coletor, espero esfriar e lavo com sabão neutro (pro caso de ter algum resíduo no copinho). E então é só usar. Entre uma troca e outra eu só lavo com água mesmo para tirar o sangue. Ao fim do ciclo, eu lavo com sabão neutro e guardo para o próximo mês.

Como que eu escolho o coletor ideal pra mim?

Então, há modelos para todas as preferências. Você pode escolher de acordo com a altura do seu colo (baixo, médio ou alto – veja aqui como descobrir qual o seu é), com o maleabilidade do material (super macio, macio ou mais rígido) e também com o tamanho da sua vagina. Algumas das marcas disponíveis são: Inciclo (a marca que eu uso), a Fleurity e a Me Luna. Comprei o Inciclo, na época, porque o que eu queria do Me Luna estava em falta, mas terminei por me adaptar ao coletor, por pura sorte. Sinceramente, acho que o processo é tentativa e erro, mesmo. A gente pode se apegar à altura do colo e ao tamanho da vagina na hora de escolher, mas não dá pra saber, antes de testar, se você vai achar algo macio demais ou rígido demais, por exemplo. É seguir sua intuição e ver no que dá.

Fala sério, Mandy, tem alguma coisa que você não gosta no coletor?

Mas é claro, né? Nada é perfeito. Primeiramente, o copinho não é foolproof – demorou um bocadinho para eu aprender a usar direitinho. Requer um aprendizado mesmo, um treino, e nos primeiros meses a gente faz umas cagadas. Isso mostra que o mercado ainda tem muito o que evoluir nessa área de cuidados íntimos femininos, para tornar o processo mensal e natural de menstruar numa coisa que impacte o mais minimamente possível no nosso dia a dia e no meio ambiente. Outra coisinha que eu preciso comentar, por mais sebosinho que seja: o copinho não casa com as dores de barriga que algumas mulheres sentem nos primeiros dias de menstruação. Eu tenho que tirar o copinho toda vez que um número dois está envolvido, porque os ~movimentos~ do intestino terminam por meio que expulsar o copinho e tirá-lo do lugar. É, vocês não queriam ler sobre cocô, mas todo mundo faz, então segue a vida e segura essa informação. Caso você queira trocar o copinho no meio do dia, é meio chato se o banheiro que você for não tiver aqueles chuveirinhos para você fazer a limpeza do copinho no vaso mesmo. Também: cuidado os chuveirinhos, pois já me melei de sangue várias vezes porque com os jatos fortes dessas bagaças a água (com sangue) volta toda espirrando na sua cara (top). Talvez vocês não façam isso porque não são completamente despirocadas como eu, mas fica o aviso anyway. Uma amiga que tem DIU também avisou que as cólicas deram uma relativa piorada com o combo DIU + coletor menstrual. Não se sabe quem tá com maior força na situação, mas talvez seja algo a levar em consideração – eu, que não uso DIU, não notei qualquer diferença nas minhas cólicas menstruais. Enfim, de forma geral, os pontos negativos do coletor de longe são desbancados pelos positivos, então não são fonte de estresse pra mim. Mas sempre bom pontuar pra vocês.

Você indica o uso do coletor menstrual?

Sim, gente! Pra mim é uma mão na roda, foi mudança de vida. Eu sempre odiei absorvente, que me deixava assada, úmida e desconfortável o dia inteiro. Agora eu continuo vivendo minha vidinha como sempre durante a minha menstruação – não fossem as cólicas de sempre, eu nem notaria que estou menstruada. Dá pra ir pra praia, usar calça apertada, dá pra fazer esporte – ou seja, dá pra continuar sendo você. Sem falar que é muito mais friendly com o meio ambiente reusar algo que simplesmente ficar jogando fora um pacote de absorvente usado por mês, né? E financeiramente, também, é muito mais interessante. Definitivamente, é algo que eu fico feliz de ter me proposto a testar e que eu indico para todo mundo que estiver curioso em tentar.

É isso, gente! Ufa, falei um bocadinho e mandei a vergonha pro inferno, porque na hora de dar dica pras migas não tem que ter frescura, né? Tem alguma dúvida que não está nesse post? Deixa aí nos comentários que eu te respondo assim que der. Só lembrando também que a minha forma de uso é  adaptada por mim, para minha utilização, e que pode diferir, em alguns pontos, do que as empresas que fornecem os copinhos indicam (por exemplo, não lavo o copinho com sabão toda vez que tiro para trocar, porque não acho necessário). Leiam sempre as instruções de uso do que vocês forem comprar e decidam, por si mesmas, o que vocês acham importante seguir.