Acne – Amanda Arruda
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Roacutan: Diário de Bordo – 8 meses e o que vem depois

Foto: gismoland

Foto: gismoland

Cabô esse carai!

Finalmente estou aqui para contar a você como foram os meses finais de tratamento e o que acontece agora, dois meses depois do fim dessa maratona. Preferi esperar um pouco mais para ter certeza que poderia reportar tudo maravilhosamente e, bem, como dois meses é o prazo da bula para o Roacutan deixar completamente a nossa corrente sanguínea, esperei esse tempinho para fechar esse diário de bordo. Vamos primeiro ao relato de como foram os últimos meses de tratamento, shall we?

Então, do sexto mês para a frente, pouca coisa mudou na minha vida. Os testes continuaram perfeitos, sem nenhuma alteração nas taxas analisadas. As espinhas desapareceram completamente e não voltaram a dar as caras, com a graça de Deus. O maior problema desse período foi que TUDO ressecou de uma maneira que não estava fácil viver. Não havia lip balm abençoado que desse jeito na minha boca. Era um caso tão perdido que deixei mesmo de mão a minha caça pelo lip balm perfeito e segui com o azul-escuro da Nivea, que resolvia o problema pelo tempo total de 5 minutos. Em situações extremas, a boca rachava e sangrava, sim. Por isso, evitava sorrir muito aberto, porque vamos evitar a humilhação em público sempre que possível, não é mesmo? O queixo despelava todos os dias (agora a bochecha, que eu queria que despelasse, para que as marquinhas saíssem, não despelou NEM UM TIQUINHO, a rapariga) e ficava branco de tão ressecado. E lá ia eu com hidratante para tentar domar a fera indócil. A pele do corpo inteiro ficou muito sensível e qualquer coisa causava um corte, que geralmente demorava um tempinho pra sarar. Sério, é como se a pele estivesse muito fina (?) e até coçar arranhava (e olha que aqui não trabalhamos com unhão). O cabelo não voltou a cair, o que foi uma benção, porque houve um momento que eu realmente achei que ficaria careca. Porém: seco que nem palha. Todos os fluidos corporais desapareceram. Todos. Só as lágrimas permaneceram, mas poucas e sempre que trabalhava com computador tinha que hidratar os olhos com colírio. O nariz ressecou, mas não o suficiente para incomodar.

Além disso, desenvolvi algo muito curioso chamado fascite plantar, a inflamação da fáscia, que é um tecido cartilaginoso que fica logo depois da pele, na planta do nosso pé. Toda vez, TODA VEZINHA, que eu estava sentada/deitada e precisava levantar, sentia uma dor aguda no calcanhar e tinha que andar de ponta de pé. A dor dissipava depois de alguns minutos, mas me sentia uma senhorinha de 800 anos, né? A canelite atacava também quando eu inventava de fazer alguma caminhada mais vigorosa, um inferno. Além disso, as dores musculares continuaram presentes, principalmente na lombar e nas costas, no geral. Era uma dor que massagem só fazia doer mais, então eu apenas deixava quieto e seguia a vida. Inclusive, a maioria dos sintomas, que não eram questão de vida ou morte, eu deixei ser, porque não adianta tratar efeito colateral de um remédio. O tratamento é parar o remédio e só. Anyway. Tive uma gripe mais pro fim do tratamento e gripe com Roacutan é um saco porque você fica com medo de tomar MAIS um remédio e dar pau no seu fígado/rim, né? Tratei com própolis e mel, me incomodou, mas nada que fosse pior do que, por exemplo, aqueles dois/três primeiros meses com o rosto deformado de espinhas (inclusive, se você está nessa fase, força, ela acaba!). Inclusive, uma coisa que você aprende durante o tratamento com Roacutan: aguentar uma dores e não apelar pra remédio com tudo que aparece. Sempre que possível, tomava chás para cólicas e outras tretas, pra evitar sobrecarregar ainda mais o meu corpo.

Durante o fim do tratamento, perdi o início de uma cartela do anticoncepcional (imbecil, eu sei, não façam isso em casa) e passei um mês sem tomar o anti. A minha menstruação atrasou mais de UMA SEMANA. SIM. UMA SEMANA. Quase morri do coração? Isso aí. Minha menstruação sempre foi bem certinha, vem no dia bonitinho dela e, naquele mês, não apareceu. Fiz nada mais nada menos que 3 exames de farmácia e 2 BHCGs (nem estava louca, eu) até ter certeza que não estava grávida. Depois, quando ela estava afim, ela desceu (rapariga!) e foi aquela tsunami de alívio. Então aí está a razão pela qual devemos tomar anticoncepcional durante o tratamento, juntamente com um método de barreira (camisinha, no meu caso): sua menstruação vai enlouquecer e você vai enlouquecer junto, achando que está grávida todo mês. Isso além do fato óbvio que é melhor prevenir por dois meios que tentar remediar o irremediável, que é uma gravidez nesse período. O bebê pode sofrer sérias deformações e malformações. É um troço bem sério e quase morri do coração no fim do mês, apesar de ter feito tudo direitinho (fora o anti). Então, aprendam com a heart attack da tia Amanda e não repitam esse erro nas suas vidas, se estiverem fazendo esse tratamento, obrigada.

Quanto ao meu peso, ele se manteve regular na casa do 70 e poucos durante todo o tratamento. Se eu for chutar, acho que perdi mais peso do que ganhei durante todo os 8 meses, always a plus quando se está acima do que deveria pesar. A libido teve uma queda, também, durante todo o tratamento – o que é normal, já que esse remédio suprime a testosterona, responsável pelo desejo sexual. E de resto, eu era uma pessoa funcional. Depois de alguns meses você se acostuma com os efeitos e aprende a viver com eles. Eu sempre pensava que se não era para ter espinha nunca na vida, tava bom demais sofrer por 8 meses.

E valeu a pena?

Então. Aqui estou do alto de dois meses depois do tratamento para dizer a você que: sim. Valeu demais. Se antes eu nem cogitava muito tirar foto sem maquiagem, agora o status quo dos meus dias normais é sem maquiagem. Até porque já sabemos que maquiagem por aqui só quando eu tô bem afim, né? No resto dos dias, I don’t even bother. A pele ficou limpa, mas as marquinhas das guerras travadas com as espinhas antes e durante o tratamento ficaram. Nada que um tratamento com ácido não resolva, mas agora só depois do verão, pois pretendo pegar as praias todas que aparecerem na minha frente, ha!

 

A photo posted by Amanda Arruda (@mandyarruda) on

(fotinha do depois, 0 maquiagens, para vocês verem. a luz tá boa, mas dá pra ver que tem marquinhas, né?)

1 semana depois do fim do tratamento (mais ou menos) o queixo já parou do despelar e a boca, minha gente, a boca que eu já tinha dado por perdida, voltou à vida! Não estava mais ressecada, nem despelando, nem rachando, nem sangrando. Foi uma felicidade só finalmente poder usar um batom novamente sem ficar aquelas peles horrorosas estragando tudo. As dores musculares demoraram um pouquinho mais para desaparecer, inclusive a lombar ainda dói um pouco, mas nada escabroso. A fascite, esse amorzinho, digivolveu para um forma mais dolorosa, que não passava com minutinhos depois de levantar. Coloquei gelo sempre que doía e comecei a malhar. Com o fortalecimento dos músculos da panturrilha, a fáscia parou de incomodar e o problema foi resolvido. Os nossos músculos sofrem um bocado durante o processo, então creio que a musculação tenha sido uma boa decisão, após o tratamento (durante é bem difícil se comprometer, tudo dói o dobro).

Com um mês do tratamento finalizado, refiz os exames e tudo deu perfeitamente normal. Assim como está a minha vida agora. Não tenho do que reclamar e sou grata pela oportunidade de fazer esse tratamento, que teve uma influência tão grande na minha autoestima. Novamente, repito aqui o que já falei nos posts anteriores: esses textos não têm a intenção de indicar o tratamento para ninguém. Quem indica é o médico, o dermatologista. É um processo bem sério e que não pode ser levado na brincadeira. A minha única intenção é a de dividir a minha experiência e, possivelmente, ajudar algumas pessoas que fazem esse tratamento ou que farão a saber o que podem esperar pela frente. Apesar dos vários efeitos colaterais, nada foi dramático a ponto de influenciar a alegria do produto final. Para mim, não há nada como se sentir bem na sua própria pele e, se você tem acne, eu indico fortemente que procure um profissional e trate-se, pois essa doença não é tão levada a sério (talvez porque ninguém morra disso), mas como toda doença de pele, é muito incômoda e danosa ao bem estar da pessoa.

Nessa tag eu contei toda a minha experiência e o que eu passei. Cada corpo, cada organismo reage de um jeito e isso aqui não é necessariamente o que vai acontecer com você – a bula do remédio tem todas as possibilidades, como sabemos. Mas pode ser que seja, então estou aqui para ajudar, dividindo o meu conhecimento de causa. Se tiverem dúvidas ou comentários, não hesitem em deixar aí embaixo. Vou responder todos no meu tempo (que algumas vezes não é lá essas coisas, admito), mas responderei! Toda a sorte do mundo a quem estiver nessa batalha e vamos em frente!

Pele, Roacutan

Roacutan: diário de bordo – 15 dias

Esse post é LEIGO e tem apenas o intuito de repassar a minha experiência com o medicamento. Se você tem acne, procure um dermatologista.

Poucas pessoas sabem, porque não comentei muito sobre esse assunto aqui ou nas minhas redes sociais, mas eu tenho acne. Não uma acne SUPER séria, que deforme o rosto ou coisa assim, mas séria o suficiente para causar desconforto ao sair sem maquiagem e dor, em alguns casos. E o pior de tudo: é uma acne recorrente, que não vai embora com creme caro nenhum do mundo (acreditem, porque eu comprei todos os cremes/sabonetes/esfoliantes caros dessa vida). A minha acne é relativamente recente, é o que chamamos de acne adulta. Surgiu aos 18 anos e desde então tem infernizado minha vida. Minhas espinhas saem, em maior parte, nas bochechas e no maxilar, além dos ombros e algumas poucas, na área do busto. Elas são, geralmente, císticas (aquelas espinhas internas que doem MUITO) e passam vidas na minha cara, até eu me irritar e forçar a saída delas, porque eu, infelizmente, sou dessas.

O fato é que eu venho convivendo com esse problema há uns 7 anos já e achei que eu já havia tolerado o bastante. Já havia tentado de tudo e nada dava um resultado definitivo na minha pele. Portanto, mês passado, quando a dermatologista perguntou se eu queria tentar o Roacutan, eu disse sim. E, veja bem, isso (de aceitar esse remédio) não foi fácil de jeito nenhum, porque Roacutan é um tratamento SÉRIO e cheio de cuidados e efeitos colaterais – o que deixa qualquer um com oitocentas pulgas atrás da orelha. Eu me informei BASTANTE antes de pensar em tomar, até para perder um pouco do medo e entender melhor como o remédio funciona. Acho que todo mundo deve tentar tudo o que puder, antes do Roacutan, porque – repito – é um tratamento que deve ser levado BEM A SÉRIO, porque o que esse remédio faz não é brincadeira. Não pode beber, não pode tomar banho de sol, não pode engravidar, não pode um monte de coisa – então é preciso estar BEM focado e ser responsável, para não cagar o seu corpo e sua saúde.

Por que eu acho que informação deve ser dividida e trocas devem acontecer, resolvi vir aqui, mensalmente, dividir um pouco da minha experiência com o remédio. Não vou postar fotos minhas agora, porque meu senso de estética não permite, mas dividirei tudo o que eu sentir com o remédio e os resultados que eu, porventura, estiver tendo. O primeiro, que é o de hoje, é de 15 dias de tratamento.

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A dose que eu estou tomando é de 40 mg por dia e eu estou me tratando com o genérico da Valeant (que minha dermatologista disse ser mais confiável), porque WHO HAS THE MONEY pro Roacutan? Comecei logo depois de entregar os exames à dermatologista, que estavam todos ótimos. Após terminar a primeira caixa, repetirei os exames e minha médica disse que, se estiverem todos normais, só precisamos refazê-los daqui a dois meses. A médica me passou um hidratante com protetor fps 30, colírio, um lubrificante para a mucosa nasal e um lip balm da Bepantol, como aquele velho e bom kit de sobrevivência para o tratamento.  Comprei o Epidrat FPS 30, com toque seco, mas não curti muito. Ele despela todo no rosto, uó. Se alguém tive uma indicação de hidratante com protetor mais legal, deixem nos comentários (nem precisa ter toque seco nem nada, porque né?).  Para os lábios, comprei o Bepantol Lábios, mas não curti muito os resultados. Então estou com o meu velho e bom da Nivea (o azul-escuro do amor) para hidratar durante o dia e, à noite, eu passo Bepantol na boca antes de dormir, para manter a bichinha em um situação aceitável. Ainda assim, o lábio despela, não tem jeito. Para os olhos e o nariz, comprei o Systane UL (colírio que faz seu trabalho direitinho) e o Maxidrat Gel (que é um gel nasal mara, que salva na hora do nariz seco).

Nos primeiros dias,  já senti efeitos colaterais, mesmo com a minha dose não sendo tão alta assim – esse remédio, ele é punk. Tive bastante dor muscular e coceira nos braços, logo de início. Entretanto, depois de uns dois dias, ela passou. Daí fiquei com os mais conhecidos: boca, nariz, olhos e couro cabeludo ressecados (o que está me causando caspa). A boca rachou de um dos lados quando eu fui bocejar (!), fiquei muito chocada (e, depois disso, fiquei bff do Bepantol na hora de dormir). A pele ainda não ressecou tanto, embora tenha dado uma despelada no queixo e ficado bem mais sensível. Fazer a sobrancelha foi um parto. Algumas espinhas saíram desde que comecei o tratamento, mas elas secam bem rápido, então não incomoda muito. O que estourou mesmo foram os cravos. Vários, ao mesmo tempo! E olha que eu nem sou de ter tanto cravo assim. Mas acho que, se for pra estourar alguma coisa, eu prefiro que sejam os cravos mesmo.

Um efeito que eu não estava esperando foi a depressão. Gente, ela bateu. E como bateu. Como eu nunca tive depressão na minha vida, eu não sabia nem o que estava acontecendo, foi bem desesperador. Uma tristeza inexplicável, uma vontade de chorar pra sempre, um desânimo da vida. W. O. W.  Fiquei bem preocupada comigo e alertei o meu boy sobre o que eu estava sentido (muito importante, porque vai que piora, né?), mas a depressão foi embora com uns dois, três dias. Ainda assim, parecia que não ia acabar nunca e que eu ia ser sugada pra sempre para aquela espiral de desespero. Creio que a conjunção da TPM com o Roacutan não foi muito boa, afinal de contas. E pra mim, ficou a lição. Eu não fazia ideia de como era, agora eu posso me colocar melhor no lugar das pessoas que sofrem desse mal – e talvez até ajudá-las do jeito certo, também.

De resto, é isso. Tenho estado com muita preguiça de fazer exercícios, mas estou seguindo no Muay Thai, porque sei que isso deve ajudar a equilibrar minhas endorfinas (e, talvez, evitar que a depressão apareça de novo).

Enfim, esses 15 dias foram cheios de descobertas e adaptações, mas no geral, estou (sobre)vivendo. Faltam só 7 meses e 15 dias agora, haha! Alguém que fez tratamento ou que está fazendo aí, para trocar uma ideia? Deixa seu comentário! (: