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Da rotina Opiniões que ninguém pediu

Sobre ansiedade, perfeccionismo e como ser o melhor não é ser feliz

20 de dezembro de 2016
Foto: Roza

Foto: Roza


“Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.”  Mateus 6:34 

A ansiedade é uma coisa chata, não é não? Principalmente porque eu venho de uma época (sim, meu real eu tem 70 anos e acha que já pode falar coisas assim) em que ansiedade não era uma condição psiquiátrica e sim uma mera e inocente característica, como ser falante ou organizada. “Sou ansiosa”, dizia a quem quisesse ouvir, enquanto pensava sempre à frente e me sentia bem por isso. “Pelo menos, estou preparada para tudo o que pode me atingir”, eu me iludia, enquanto me preocupava com doenças que não aconteceram e notas ruins que nunca viriam. Hoje penso que não é à toa que me casei com uma pessoa que é meu total oposto, o rei da calmaria zen, que se preocupa com nada além do hoje e inicia as coisas independentemente do fato delas poderem dar errado, enquanto eu passo a vida perdida em cálculos e possibilidades, fazendo absolutamente nada, muito assustada para dar o primeiro passo em alguma coisa e não ser absolutamente magnífica nisso. A gente tem que equilibrar a nossa vida de algum jeito e que bom, que sorte, encontrar alguém para jogar diariamente na minha cara que, algumas vezes, eu sou meio desnecessária e que eu deveria me preocupar um pouco menos. Ou muito menos.

Penso que a nossa sociedade nos ensinou a ser assim. Houve uma época em que ser ansioso era simplesmente ser a pessoa que se preparava com antecedência para prova ou que checava e rechecava os trabalhos para ver se tudo estava nos conformes, antes de entregar. E eu acho que ter um nível saudável de preocupação é normal e aceitável e nos torna humanos e funcionais. Afinal, algum nível de planejamento é necessário para que possamos viver uma vida de acordo com os nossos interesses. Porém quando a preocupação é ruim o suficiente para nos fazer passar noites em claro com frequência, nos preocupando com o que já foi ou com o que vai vir, a barreira do saudável já foi mais do que transposta. E isso nos coloca entre um dos contaminados por essa pandemia chamada ansiedade que, como micróbio não supervisionado, se multiplicou rápida e sorrateiramente, de forma que todo mundo que eu conheço, praticamente, é ansioso.

No fundo, sei que isso vem da nossa necessidade de estar à frente de todos. Do perfeccionismo. Da vontade de ser o melhor, de ser o mais apto, o que vai contornar o problema da melhor maneira, o que vai vencer os obstáculos da forma mais tranquila possível. Ainda lembro das vezes que meus pais disseram que eu deveria ser a melhor, obviamente com a mais pura das intenções, querendo nada mais do que me incentivar a estudar e construir um futuro decente para mim e a família que eu haveria de ter, um dia. Porém, hoje, vejo que talvez esse não seja mais um conselho que eu dê para os meus filhos, apesar de entender o que nos levaria a fazê-lo. A realidade é que, como os meus pais (apesar do que eles falaram e do que eu acreditei anteriormente), eu não me importo, realmente, que os rebentos que eu venha a ter sejam os melhores no que eles fazem. Não me interessa que sejam super bem-sucedidos, que tenham um negócio próprio, que construam o seu nome, que deixem sua vida gravada na história do mundo. Mas pra quê tudo isso? De que adianta todas essas coisas, no frigir dos ovos? O que me importa, realmente, é que eles sejam felizes. E também não precisa se fazer uma competição disso. É só: feliz. Fazer o que estiver bom para si e para os outros. Se tratar com gentileza. Correr atrás dos seus sonhos, independentemente dos resultados. Inclusive: se despreocupe em relação aos resultados. Os resultados não são importantes agora. Viver o momento presente é que é.

Nós podemos fazer o nosso melhor, mas não temos nenhum controle sobre o que pode vir a acontecer depois das nossas ações. Simplesmente não temos. Nem sempre os nossos atos estão conectados com os outcomes. Você pode chegar cedo no banco, com todos os documentos em mãos, mas o sistema pode sair do ar e você pode não resolver nada do que esperaria. Você pode organizar uma viagem para a praia, levar em consideração todos os detalhes possíveis, mas não pode controlar o tempo. Você pode falar algo (como meus pais falaram, há anos atrás) na melhor das intenções, achando que está fazendo o maior bem para alguém, mas cada um interpreta e traduz da sua própria maneira. A gente não tem controle sobre as coisas e isso nos deixa desesperados. Nós, seres humanos, queremos ter tudo debaixo de nossas asas. Queremos garantir que cada coisinha saia de acordo com o nosso script. Mas não é bem assim que a banda toca. Deus (ou a força maior do universo, ou no que quer que você acredite – ou não) tem seus próprios planos também e, algumas vezes, não são tão simples quantos os nossos ou não tão complexos. E lições precisam ser aprendidas. Toda provação nos dá, sim, acesso a um novo conhecimento, uma clareza, uma luzinha a mais na grande escuridão de tudo que desconhecemos.

Eu nem sou tão velha assim (26 anos já dá pra dizer que é velha?), mas já passei pela minha cota de transtornos (e pelas aprendizagens que os seguem) o suficiente para saber que por pior que uma situação seja, this too shall pass. De uma forma ou de outra, o desespero não dura pra sempre. Ou acabamos com ele ou aprendemos a lidar com ele, mas ficar com a cara lisa diante da tempestade é algo que nunca vai durar muito tempo. Vamos sempre aprender, criar e transmutar, para tornamos uma situação indesejável em algo com o qual podemos lidar. Isso é algo com que podemos contar sempre. Nossa capacidade de mudar nossa realidade, uma vez presentes nela.

Acontece que, com a ansiedade, não estamos no aqui, agora. Estamos no futuro, pensando em como lidaremos em contar pra família se em algum momento das nossas vidas tivermos câncer, ou no passado, nos preocupando se deveríamos ter comido/bebido determinada coisa, pois essa coisa pode nos fazer mal. Sempre em dois tempos que não podemos tomar nenhuma ação física. Sempre longe do momento em que tudo é possível, em que nossas ações e sentimentos realmente importam. O que aconteceu não pode ser modificado, o que vai acontecer não pode ser determinado. Tudo o que o importa é o momento atual, em que podemos fazer o nosso melhor (o que significa o melhor que temos a oferecer, sem comparações com coleguinhas, sem apego aos resultados), lidando com  os problemas que realmente temos em nossas mãos, ao invés de nos preocuparmos desnecessariamente com o que sequer sabemos se vai chegar.

Eu entendo que toda essa teoria é bonita, mas que na prática o peito aperta e a gente nem mesmo sabe por que e do quê tem medo. Eu sei, porque eu também passei noites em claro e dias em angústia. Eu sei porque eu também sou uma perfeccionista que acha que nada vale a pena ser feito se não perfeitamente, mesmo que no meu consciente eu saiba que não existe nada que seja perfeito nesse mundo e que na maioria das vezes o “bom o suficiente” é mais do que o necessário. Mas eu tenho melhorado. Eu tenho revisto meus pensamentos. Tenho feito meditação. Tenho confrontado aquela voz interna que sempre pensa o pior dos outros e de nós. Ela não sou eu, eu não sou ela. Tudo bem se preocupar, mas até que ponto isso é útil? É uma pergunta válida e que sempre faço quando me sinto sufocada pelas minhas preocupações recorrentes. Algumas vezes é mais simples fazer algo em direção da resolução do problema ou, se não há problema algum (no caso das coisas que nem aconteceram) simplesmente ser gentil com nós mesmos e confiar que saberemos agir, de uma forma ou de outra, no momento adequado.

Também tenho notado minhas angústias e tenho aberto o jogo com as pessoas que se importam comigo e, agora, com vocês. Estou aqui, nesse momento, escrevendo esse texto, depois de semanas sem vontade de fazer absolutamente nada, porque eu simplesmente não conseguia me concentrar em nada, além da minha ansiedade, que estava em seu pico. Eu sabia que precisava me abrir, porque falar sobre um problema nos ajuda a entendê-lo melhor – até porque eu tenho certeza não sou a única lutando para seguir nesse barco desgovernado. Mas ação, que é bom, nada. Porém, agora, estou aqui. This is enough. Eu sabia que não podia dividir as minhas leituras do mês (que estão muito boas, inclusive) ou meus desejos para o próximo ano enquanto não abrisse o jogo sobre isso. Por que eu sei que pode ajudar não só a mim, mas aos gatos pingados que me leem aqui. Você não está sozinho nessa, amigo. Tá todo mundo mal (como diria Jout Jout), mas tudo bem, porque nada disso é pra sempre. Confie em você, confie no próximo, confie na vida, confie em Deus. Confie nessa energia que há milhares de anos vem governando a Terra e seus seres vivos. Sim, coisas terríveis acontecem e ninguém sabe muito bem o porquê. Pessoas têm que passar por provações horríveis, é verdade. Nós mesmos temos nossas próprias batalhas e monstros noturnos. Mas: há aprendizado em tudo isso. Há crescimento. Há uma pessoa melhor, a cada luta travada, a cada obstáculo vencido ou contornado. Eu falo por experiência própria que as situações ruins na minha vida sempre me ensinaram algo novo. Esperança, confiança, respeito ao próximo, paciência. Mesmo os problemas com que a gente não sabe lidar nos ensinam algo. Então, confie. Confie que, no momento em questão, você fará o melhor dentro de suas possibilidades. E isso será suficiente, do jeito que for.

Pessoal, estou aberta a responder comentários e dúvidas (como sempre), mas como sabemos sou apenas uma blogueira, não médica. Se a ansiedade estiver atrapalhando a sua vida, procurem um profissional, por favor. A ansiedade é uma doença e, como várias, podemos usar rotas alternativas para tratá-la, mas algumas vezes a tradicional é a melhor opção, ok? Fiquem bem, estamos juntos nessa ♥

  • Reply
    Ana Bonfim
    20 de dezembro de 2016 at 12:43

    Mais uma vez obrigada por suas palavras Amanda! Você é incrível e consegue traduzir da melhor maneira aquilo que quer transmitir. <3

    • Reply
      Amanda
      20 de dezembro de 2016 at 12:47

      Eu que agradeço pelo seu comentário, Ana. Aqueceu meu coração, obrigada! ♥

  • Reply
    Luane
    20 de dezembro de 2016 at 22:35

    Obrigada por esse texto, Amanda! A ansiedade sempre fez parte da minha vida também e, como você, eu via isso como algo natural e positivo. Só nos últimos meses, depois de dois médicos diferentes me indicarem uma visita ao neurologista para entender e examinar a minha ansiedade porque ela está afetando minha saúde, foi que a ficha caiu. Como assim, é possível ir dormir sem se preocupar com tudo? Viver um dia de cada vez sem fazer planos? Mais do que possível, é necessário mesmo. Depois de 21 anos, estou finalmente conseguindo enxergar a ansiedade como algo externo a mim, e não algo que SOU EU. E, em breve, espero que ela deixe de ser a “minha” ansiedade. (Confuso, mas acho que você entendeu, né? hehe)

    Enfim. Boa sorte para nós <3
    Estamos juntas nessa.

    • Reply
      Amanda
      21 de dezembro de 2016 at 11:03

      Entendi sim, Luane! Obrigada pelo seu comentário. Boa sorte pra nós! <3

  • Reply
    Suelen Muniz
    20 de dezembro de 2016 at 23:59

    Oi Amanda,
    Sempre levei a vida com muito perfeccionismo,o tempo passou e isso não me fez nada bem.Desenvolvi uma ansiedade,que olha,não é nada fácil de conviver.Muitas vezes tenho que parar,respirar infinitas vezes e tentar falar comigo mesma,meditar um pouco ou qualquer coisa que me afaste disso.É bem verdade o que você falou,a ansiedade nos afasta do tempo real,do que podemos fazer r principalmente de quem somos.Pois quantas vezes paramos pra tentar nos entender,entrar em contato com a nossa essência,nos conectar conosco.Isso tudo somado a tristeza que volta e meia me pega me afastaram de uma das coisas que mais gosto de fazer:escrever.Por isso agora nesse fim de ano voltei a postar e escrever livremente,deixando vir o que sinto,sem o ideal de perfeição que tantas vezes cultivei.Não sei por quanto tempo será assim,mas agora não importa,um passo de cada vez.
    Adoro teus textos,adoraria que você lesse o que escrevo também.Abraço

    • Reply
      Amanda
      26 de dezembro de 2016 at 08:55

      Obrigada pelo seu comentário, Suelen. Vamos em frente, fazendo o nosso melhor e nos desconectando dos resultados. Um beijo!

  • Reply
    Kássia Barbosa
    23 de dezembro de 2016 at 11:58

    Já li por aí que a ansiedade é “o mal do século” e já vi alguns textos e até livros que falam sobre isso, porém nenhum deles foi tão sincero e real: todos nós temos um pouquinho desse tempero ansioso e, como tudo em demasia faz mal, o erro tá nessa dose acentuada que por vezes nós ( e eu tô bem aqui mesmo kkk) exageramos na medida e ficamos correndo como loucos atrás de uma perfeição, cheios de planejamentos e regras que nos sufocam e nos envolvem numa rotina estressante e ansiosa, com direito a noites m claro pensando em mil coisas e crises de gastrite por antecipação.
    Que bom saber que a meditação tem trazido melhorias para seu cotidiano. Cada um pode ir buscando sua forma de lidar com a temida ansiedade e entendendo que sim, faz parte da natureza humana e que não somos obrigados a viver em estado de ansiedade a vida inteira. Que o prazer está em pequenas coisas e que dá para sorrir mesmo no ônibus lotado e parado no trânsito, pois se tudo na vida tem um propósito é melhor desacelerar um pouco para apreciar a paisagem a ficar se corroendo e se irritando em vão.

    • Reply
      Amanda
      26 de dezembro de 2016 at 08:53

      Pois é, a gente vai se conhecendo e vendo o que funciona melhor pra gente. Aprender a tirar o máximo do momento presente é uma luta diária, mas que vale à pena ser travada. (:

  • Reply
    Ariana Coimbra
    28 de dezembro de 2016 at 22:27

    Amanda, eu tenho tag e pânico e ler esse texto além de ter sido bom, me deu uns tapas em alguns trechos.
    Tenho tentado aprender a viver o agora, sem pensar no futuro e nem remoer o passado. Difícil.

  • Reply
    Pablo
    14 de janeiro de 2017 at 08:49

    Quase chorando aqui. Você tem razão em cada frase. Me vejo descrito em cada palavra.
    Sempre achei muito bom ser tão preocupado e precavido com tudo, isso com certeza evitou que muitas coisas dessem errado, devo admitir, mas chega um dia em que nos deparamos com uma situação onde vemos que aquilo foge totalmente de nossa alçada, e isso nos apavora. Isso ME apavora.
    É muito bom ler e saber que existem pessoas nesse mundão de Deus que passa pelo mesmo, e que por elas posso ser compreendido, posso ser aceito.
    Obrigado por, mais uma vez compartilhar o que sente, e me sacudir um pouquinho pra que eu abra os olhos para tantas coisas. s2

  • Reply
    Re Vitrola
    7 de fevereiro de 2017 at 07:36

    Todos os dias da minha vida eu penso nisso. Que não tenho controle de nada, que independentemente de eu achar que tudo vai sair conforme meu planejado, pode uma coisa ou outra acontecer e… enfim. A vida é assim, né? Às vezes funciona, e às vezes só me trava mesmo. Mas, quando consigo, é uma boa sensação. Fico animada por dias.

    Seu texto tá maravilhoso e realmente não tem como não se ver nele. Um bj!

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