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Opiniões que ninguém pediu

Precisamos falar sobre Deus

21 de junho de 2017

foto por: betulvargun

Acho que nunca falei da minha espiritualidade aqui. Pra mim, além de um tema sensível, é também problemático porque eu mesma sentia que a minha definição em relação a isso era falha. Eu não tinha certeza do que eu pensava. Ou tinha, mas achava que, de alguma forma isso estava errado.

Eu explico: nasci e me criei católica, especialmente por influência da minha mãe, que tem sua fé muito bem aterrada e forte. Estudei todos os sábados na catequese, fiz primeira comunhão, me preparei para a crisma, me crismei, conheci meu atual marido na igreja que frequentávamos bem como fiz diversos amigos lá. Minhas crenças sempre foram presença forte na minha vida porém, a partir de um dado momento, comecei a questionar algumas coisas. Eu pensava em todos os julgamentos que as pessoas que frequentavam o mesmo local que eu faziam às pessoas. “Não pode isso, não pode aquilo, você está em pecado”. Eu mesma fui julgada algumas vezes e vi pessoas serem julgadas por apenas serem quem são ou por atitudes que tomaram de acordo com o que são. E, simplesmente, não entendia. Não entendia como um Deus que, para mim, era amor e compaixão, nos julgaria tão pesadamente por nossos erros, que são apenas humanos. Todos nós estamos aqui tentando acertar e eu tinha certeza, no meu íntimo, que Deus, que é onipotente e de tudo sabe, sabia muito bem que nós erramos quase sempre pensando que aquela é, realmente, a melhor saída. Também não conseguia conceber um Deus que rejeitava e julgava a comunidade LGBTQ, que queria as mulheres submissas aos homens, que pregava que deveríamos ficar com uma pessoa até a nossa morte mesmo que o relacionamento não estivesse dando certo de jeito nenhum. Eu discordava de tantas, tantas coisas que a minha religião pregava que acreditei que talvez, o problema estivesse com ela. Vi tantas pessoas cristãs sendo preconceituosas, radicais, extremistas que achei que provavelmente aquele não era o caminho certo. Terminei por me afastar um pouco da igreja e comecei a pesquisar outras crenças. Entretanto, meu coração não conseguia descansar em nenhuma das hipóteses que eu levantava. Nada parecia encaixar.

Segui nessa indefinição por alguns anos, eu sempre aparecendo na igreja nas datas importantes, sem conseguir cortar esse laço tão forte em mim. Sempre que ia, sentia uma energia forte em mim, uma alegria interna, e muitas vezes foi difícil segurar as lágrimas de finalmente estar lá novamente. Mas vários direcionamentos iam de encontro aos meus valores. Eu não conseguia me dissociar disso. Pra mim, Deus é amor. Deus não é vingativo. Deus tem compaixão e conhece nossas falhas e entende nossa natureza humana. Claro que temos que tentar ser o melhor que pudermos ser, mas Deus entende se, de vez em quando, a gente tropeçar e for meio otário. Gente, Deus fez a gente, ele sabe dos bugs do nosso sistema, né? Só que são tantas regras, tantas proibições, tantas ameaças de “queimar no fogo do inferno” que, realmente, não casavam com todas as vezes que eu experimentei Deus na minha vida. Não conseguia casar as duas ideias. E isso era uma fonte de muita infelicidade pra mim mesma.

Sinto dizer a vocês que vou ser um clichê ambulante (sempre fui) e direi que, apenas vendo A Cabana, no último fim de semana, me bateu real a ideia de que eu não precisava, necessariamente, concordar com tudo o que a igreja prega. E tudo bem. E vendo um vídeo da Rayza Nicácio, ontem (que segue uma religião diferente, mas parece passar por situações parecidas), tive certeza que não há como a gente concordar sempre com tudo o que uma religião diz que é lei. Somos bilhões de pessoas, com um número (graças a Deus) reduzido de ideias de como devemos seguir Deus. Haverá discordâncias. Haverá erros. As religiões são feitas por homens e, como os homens, é falha.

Tudo parece muito óbvio agora. Tão óbvio que nem posso crer porque me questionei por tanto tempo. A verdade da igreja pode ser grande, mas jamais será maior que a verdade do meu coração. Eu acredito que todos nós temos Deus dentro de nós e que podemos encontrá-lo sempre que precisarmos, se nos propusermos a escutá-lo. Também acredito que, por mais falha que uma religião seja, se ela está buscando o bem, ela é válida. É o caso da minha religião, que eu decidi, novamente, seguir. Com ressalvas, sim. Mas ainda assim, seguindo.

Porque? Porque é um dos muitos caminhos para ser uma pessoa melhor. Há vários, esse é o que eu escolhi. O meu é o melhor? Não faço ideia. Eu sou melhor que outras pessoas porque o escolhi? De jeito nenhum. Deixarei de lado meus valores essenciais por conta do que acredita a igreja, com algumas leis ridiculamente datadas? Jamais. E tudo bem. Há pessoas que me julgarão, possivelmente, mas muito pior seria o julgamento do meu próprio coração. Muito pior seria o peso na consciência que eu sentiria seguindo certos conceitos que eu não concordo e considero errados. Resolvi que, ao invés de simplesmente discordar e ir embora, eu iria concordar em discordar e focar no que a gente concorda, que é bem mais forte pra mim que nossas incongruências.

Vou seguir falando de horóscopo, fazendo sexo sem nenhuma intenção óbvia de procriar (e com camisinha, pra ser mais chata ainda), considerando pessoas que têm outras orientações sexuais como iguais (me sinto até ridícula atestando algo que é tão claramente óbvio pra mim), faltando algumas missas no domingo porque eu realmente precisava dormir e sendo o total de 0 submissa a qualquer homem que cruzar o caminho. Mas também seguirei acreditando em Deus, no seu amor por todos nós e na realidade que ele sempre nos incentiva a ser pessoas melhores. Seguirei acreditando no que tem dentro de mim, que é forte e sábio e que sempre me faz tirar o melhor das situações, aprender, conseguir seguir em frente sem desabar. Porque isso me deu e dá forças quando tudo falha e, sem Deus, eu realmente não sou eu mesma, apenas uma sombra do que eu poderia ser.

Eu nem sei bem o que me impulsionou a escrever sobre isso, mas a necessidade veio e eu escrevi. Fazia muito tempo que eu tentava ensaiar essas palavras e hoje eu decidi que iria, do jeito que fosse. Essa mensagem, esse desabafo precisa sair, precisava ganhar asas próprias e voar. Talvez como um aviso para você, amigo navegante dessa vida louca, de que tudo bem. Tudo bem se você não acha tudo certo. Tudo bem se você discorda de várias coisas. Tudo bem se você não concorda com esse monte de gente usando as crenças e o medo das pessoas para subir na vida, ganhar dinheiro, espalhar o preconceito, fazer o que bem entender. Eu também discordo e tudo bem. A gente não precisa concordar com tudo. Mas você ainda pode acreditar no que seu coração te diz, porque com ele não tem erro. A gente ainda pode acreditar no bem e que o bem nos liga a todos. A gente ainda pode crer na luz que brilha nos olhos de todos nós e que, pra mim, mostra que somos muito mais do que ossos e carne. Nada é preto no branco, mas há milhares de coisas incríveis no mundo, na natureza e dentro de nós. Sabendo olhar, a gente sempre vai achar razões para acreditar. <3

 

Amigos ateus, espero que meu post não tenha agredido vocês de alguma forma, pois jamais foi a intenção. Somos seres livres e não sou melhor do que ninguém por acreditar em Deus ou seguir uma religião.  A gente acredita e segue o que faz sentido pra gente, não existe “tamanho único” nessa história. (:

 

  • Reply
    Lua Terra
    21 de junho de 2017 at 22:10

    É medo de ser julgada essa justificativa final para os ateus? Sério mesmo, acho que esse mundo que a gente precisa ficar se justificando por “ser diferente/ pensar diferente” do que a maioria é extremamente absurdo, só acho. Sair do que parece a prisão de uma religião pra ir pra prisão do relativismo não muda muita coisa, né.
    Bj

    • Reply
      Amanda
      22 de junho de 2017 at 06:27

      Oi, Lua, tudo bom? Então, não escrevi como uma justificativa porque não acho que eu precise me justificar pelas minhas crenças. Só que a gente nunca sabe quem nossas palavras vão atingir e como. A gente não controla o que as pessoas entendem do que a gente escreve, cada cabeça é um mundo. Portanto deixei esse recadinho no final apenas como um “lembrete” de que esse texto foi escrito como um desabafo e não tem a intenção de agredir ninguém e que sim, todo mundo é livre para acreditar e seguir o que quiser. Não se trata de relativizar, se trata de aceitar que todos nós somos diferentes e que não é porque eu sigo determinada coisa que ela vai encaixar pra todo mundo. Pelo menos, essa é minha opinião. (:
      Obrigada por comentar!

  • Reply
    Analice de Lima
    30 de junho de 2017 at 19:21

    Nossa Amanda, gosto muito de ouvir relatos de jovens católicos que mesmo não concordando 100 por cento com o que a igreja prega, e principalmente com o comportamento de alguns cristãos, principalmente essa parte de julgar e segregar, deixaram o amor por Deus falar mais alto… Me sinto muito assim, e quero muito “voltar pra casa” o mais breve possível.
    Beijos 😀 Analice

  • Reply
    Nati
    10 de agosto de 2017 at 18:58

    Confesso que eu ainda não vi o filme A Cabana. Mas tenho o livro e li ele devorando cada palavra, e tentando compreender que é isso aí, no fundo não tem certo ou errado, tem escolhas, e toda escolha uma consequência – e se elas são boas ou ruins dependem única e exclusivamente da nossa percepção sobre tudo isso.

    Eu tive uma história parecida com a sua, com a diferença que eu sou espírita, mas eu também senti muitas “falhas” no centro que eu frequentava, e me afastei – julgando que eu era melhor do que as pessoas que estavam ali porque eu via essas falhas. Mas a verdade é que em todos os lugares nós vamos encontrar “problemas” ou pessoas que ainda estão de olhos fechados. As igrejas (me refiro à todos os espaços de encontro com Deus) sempre terão suas regras, os pode x não pode, que é para nos ajudar, a nos dar alguns direcionamentos, pra gente entender algumas coisas que são básicas da Lei de Amor. Mas são guias, e as vezes a gente se perde – e as vezes as pessoas em nossa volta se perdem também!

    Tem um livro que eu gosto muito que se chama “Quando ele voltar”. É um livro espírita, e é ficção, mas talvez você goste! Ele conta uma história que aconteceria se Jesus voltasse, nos tempos de hoje, no Brasil. É muito mas muito interessante, porque o livro nos relembra a todo momento o que é realmente importante (muito além de religião, crença, dogmas, etc). Ele me acalmou um pouco nessa angustia de querer estar perto e ao mesmo tempo me sentir repelida da igreja! Recomendo! ^^

    Beijinho!

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