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Opiniões que ninguém pediu

Pra parar de ser um control-freak

2 de junho de 2015
Créditos: Jeffrey Chung

Créditos: Jeffrey Chung

Olá, gente, meu nome é Amanda e faz 10 minutos que eu não tento controlar alguma coisa. Sim, eu sofro de um mal epidêmico chamado control-freakiness (termo que acabei de neologizar, mas eu sei que é velho amigo de todos nós), que faz a gente querer controlar coisas controláveis e incontroláveis – ou: tudo. Não quero que nada dê errado, não quero ter problemas, não quero sofrer. E, por isso, tento organizar, checar e re-checar cada área da minha vida, com cuidado, avaliando riscos e cortando o que pode me render más experiências.

É exaustivo, é estressante e é: inútil. Porque não importa o que a gente faça, não tem como a gente controlar o resultado das coisas. A gente, obviamente, pode dar uns empurrões na direção certa – mas, a vida, ela faz o que ela quer. É como se a nossa existência fosse uma padaria e nossas experiências fossem pãezinhos, fabricados diariamente. Nós podemos fazer tudo controladamente e do mesmo jeito, mas: nenhum pão é igual. Assim como, não importa o quanto tentemos, nenhuma experiência nossa será exatamente igual ao que pensamos e projetamos que ela fosse ser.

Eu sempre achei que pensar nos planos A, B e C com toda a antecedência do mundo era um traço positivo meu. Queria dizer que eu era uma pessoa proativa, que pensava à frente e contava com os imprevistos do futuro. E acho que esse tipo de comportamento pode até ser interessante, medianamente, em algumas áreas da nossa vida. Porém, de forma geral, pensar assim o tempo todo é apenas uma tremenda falta de confiança no mundo, no universo, no que a vida reservou pra nós. Essa maneira de pensar, que a vida sempre vai armar uma “cilada” para gente e que a gente já tem que estar preparado pra não cair nela e não se estabacar no chão é algo que pode ser interessante, sei lá, no nosso trabalho (de forma, repito, mediana), mas no dia-a-dia é algo que não faz tão bem, porque: se você não quebrar a cara de vez em quando, como é que você vai aprender?

“Pela experiência dos outros”, você pode dizer. Acontece que:  ninguém aprende pela experiência dos outros. Pelo menos não os skills da vida. Ninguém aprende a ser mãe sabendo como as outras mães são. Ninguém aprender a limpar um vaso sanitário se nunca tiver tido que esfregar um. Ninguém manja os paranauês de andar de ônibus se não tiver utilizado o transporte público de sua cidade. Enquanto há experiências que realmente a gente pode e deve cortar da nossa vida porque não batem com o nosso estilo de vida (na minha opinião, por exemplo, drogas não são uma experiência necessária e, portanto, não quero experimentá-las), há aquelas que, mesmo que o resultado seja ‘negativo’, ele será positivo – porque você aprendeu alguma coisa.

Por isso o que eu acredito é que, com uma outra exceção, não existe esse negócio de má experiência. Toda experiência é válida e o medo e a nossa psicose controladora não nos deve nos impedir de viver o que queremos. Lembra quando a gente era criança e brincava de todas as brincadeiras de correr, independentemente do fato de que poderíamos cair e nos machucar? A verdade é que: o que é um machucado perto da diversão e felicidade que a brincadeira nos trazia? O que é um coração partido perto da empolgação de se apaixonar? O que é uma noite em claro perto da maravilha de se ter um filho? O que é a vida inteira, comparado a alguns tropeços e erros no caminho?

Pesar sempre prós e contras e descartar sonhos porque já achamos que não vai rolar é algo que vira rotina, quando pensamos desse jeito. E tudo isso porque não queremos perder tempo. Não queremos errar. Queremos seguir um fluxo perfeito, organizado aos detalhes, que só existe no mundo das nossas ideias. O que não paramos pra pensar é que: se não podemos ‘perder tempo’ com nossos sonhos, com o que mais deveríamos? Se não podemos nos vulnerabilizar para atingir coisas que desejamos, saindo da nossa zona de conforto, de que outra forma a vida deve ser vivida? Se não for pra ir atrás do que desejamos e confiar que a vida vai nos dar o que nos for de direito, de que outro jeito seremos verdadeiramente felizes?

Confiar, gente. Confiar é a palavra. Vamos confiar um pouco mais em na vida. No universo. Em Deus, se você acreditar nele. E, sim, vamos confiar um pouco mais em nós. Somos de carne e osso, não de cristal. A gente se machuca, se quebra – mas também saramos, aprendemos e seguimos em frente depois.

Novinhos em folha – mas completamente diferentes.

  • Reply
    Bessie B.
    3 de junho de 2015 at 10:55

    Adorei seu desabafo, conheço muita gente que não dorme direito por causa dessa mania de controlar e podia ler isso e levar pra vida. Mas não adianta mesmo, nem da nossa própria vida a gente tem controle e a gente realmente não aprende pelos erros e vivencias dos outros, só pelos nossos. O jeito é relaxar na bolacha e ser feliz <3

  • Reply
    K A H
    19 de junho de 2015 at 15:48

    Esse negócio de querer controlar tudo na vida é complicadíssimo. Já tive crises de ansiedade, já desenvolvi bruxismo e meus dentes que sofreram enquanto eu dormia sem me desligar das angustias e enfim… Como você disse, a gente só aprende as coisas de verdade quando passa por elas, e é sempre bom ter na cabeça que por mais que aconteçam coisas ruins e inevitáveis, sempre dá pra gente tentar tirar um lado bom disso (mesmo que seja um lado bem pequeno, hahaha) e levar o aprendizado – por isso to tentando ser uma pessoa mais calminha, e sempre que to surtando porque algo não saio como planejei, vem um “whats done is done” na minha cabeça e mudo o foco, haha.

    • Reply
      Amanda
      19 de junho de 2015 at 16:13

      Faço isso também, Kah! Sou extremamente ansiosa e perfeccionista e tem horas que eu realmente falo pra mim mesma “QUER SABER, FODA-SE!” e resolvo deixar pra lá, porque não tem condições de querer controlar tudo, né? Temos que viver e deixar as coisas serem o que elas tiverem de ser.

  • Reply
    Ananda
    26 de junho de 2015 at 16:06

    Amandinha, como uma largada das coisas da vida eu digo: vale a pena.
    Acho que nunca cheguei a ser uma control freak, mas fico bem chateada quando as coisas não acontecem do jeito que eu imaginei (e eu sempre imagino muitos jeitos pra uma unica coisa). No fundo a gente sabe que não somos ninguém pra mandar no mundo, que o destino ou qualquer coisa assim vai dar um jeito de mudar os nossos planos, e é muito mais eficiente aprender a ser otimista e aceitar o que o universo nos der. E exatamente, como vamos aprender alguma coisa se não for assim?
    Apoio você, bem vinda ao clube do “deixa rolar” <3

  • Reply
    Albuquerque
    28 de janeiro de 2016 at 00:20

    ah moça, comentei a pouco no blog da xu que sou o tipo de pessoa freakzona mesmo, e de fato isso é hardcore 😮 e só nos faz em pedaço, mas também não é por mal, simplesmente tentamos pensar em esperar para que as coisas aconteçam, mas só de pensar em esperar já estamos pirando rs e isso que nem aconteceu… mas compreendo o que tu disse nisso tudo… live a little, saca, ao menos o que sinto pra mim, preciso viver apenas, pura e simplesmente, sem a parte do take control, e tal.

    na teoria é doce… mas… rs

    é isso, até mais
    xoxo

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