Amanda Arruda - Lifestyle, Decoração, Livros e Feminices - Página: 3
Da rotina

Novas coisas que eu tenho tentado

Foto: onimaga

Sabem daquela máxima que diz que não podemos fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente? Pois bem, nesse comecinho de 2017 estou tentando aplicá-la na minha vida. Não estou fazendo mudanças radicais, mas sim pequenas e importantes. A minha impressão, ao fazer uma retrospectiva do meus últimos anos, é de que, em algum momento da estrada, eu me perdi. Eu me perdi e segui em frente, como se nada houvesse acontecido, sempre na loucura do momento, sempre focada no próximo grande problema a resolver. E agora eu não sei para onde eu quero ir, porque eu simplesmente perdi algo muito importante lá atrás e sem o qual eu não consigo definir absolutamente nada na minha vida.

A ideia não é voltar ao estado anterior – jamais seria possível, estamos mudando a todo o momento – mas trazer de volta à tona o que é minha essência. O que é importante para mim e que jamais deveria ter sido deixado de lado. É um extenso trabalho de tentativa e erro, mas que esse últimos meses (no qual experimentei deliciosas crises de ansiedade, nunca vistas antes na história desse país) mostraram que é indispensável  continuar trilhando o caminho do autoconhecimento e auto-amor. Não há outra rota possível.

Reduzir a quantidade de café. Eu queria tirar o café, mas é um pouco difícil, porque AMO tomar minha xicarazinha de manhã, com a minha primeira refeição do dia. Porém é extremamente desnecessário adicionar cafeína além do pontuado, portanto cortei a ingestão além do limite de uma xícara. Notei que a quantidade de café que eu estou ingerindo influencia diretamente em como meu corpo e minha mente se comporta naquele dia. Excesso de café me causa enxaqueca, crises de ansiedade e irrita meu estômago/intestino (how fun), portanto definitivamente é algo no qual eu não devo fazer indulgências.

Morning pages. Comecei bem recentemente, então ainda não deu para verificar os benefícios dessa prática, mas estou confiante de que pode me ajudar a lidar melhor com os desgraçamentos mentais que rolam por aqui. Nem que escrever 3 páginas diariamente sirva apenas para jogar fora todo lixo que se acumula na minha mente, acho que já é um plus, né? Com a mente mais limpa podemos entender melhor o que precisamos fazer e fazer isso de forma mais eficiente (acho).

Me alimentar melhor. Eu estava numa onda fitness, mas depois das festas acabei descambando do vagão e voltei a comer as porcarias de sempre, a ter preguiça de cozinhar, etc. Não posso dizer que melhorei 100%, mas estou pensando em saídas para trazer mais nutrientes e fazer melhores escolhas, porque meu corpo está gritando por isso. Não se vocês já sentiram isso do corpo de vocês ter realmente vontade de comer coisas mais saudáveis, mas parece que esse momento chegou pra mim e é uma vontade que eu preciso atender. Portanto, aos poucos também (estou evitando mudanças radicais, que são muito high maintenance), estou tentando trazer comidas mais nutritivas e saudáveis (sem me importar muito com as calorias)  para o meu dia a dia. Um dia pode ser um suco verde, no outro o bom e velho arroz com feijão. Estou tentando escutar o meu corpo e atender ao que ele pede (geralmente ele está certo).

Elencar meus objetivos de vida. Estou começando a trabalhar num mapa dos sonhos, pensando em todas as coisas que eu quero fazer na minha vida, em tudo o que eu quero ser e viver. É um exercício complexo e trabalhoso e que nos faz pensar em quem nós realmente somos, que é algo que estou desesperadamente precisando descobrir, nesse exato momento. São muitas opções, nesse nosso mundo globalizado, e nem sempre o que funciona pra um pode funcionar pra gente. É preciso pensar bem, se escutar, se entender e isso, com tanto ruído, não é nem um pouco fácil.

Diminuir o ruído. Como que a gente consegue pensar com TANTO BARULHO, gente? Digo barulho no sentido amplo da coisa. São tantas coisas nos tirando do nosso eixo. Abrimos o computador para resolver uma coisa, nos distraímos com a última notícia, esquecemos o que fomos fazer naquele computador em primeiro lugar. Vamos comprar macarrão no supermercado, voltamos com salgadinho e cerveja. Deitamos para dormir e, pronto, soa o barulhinho de uma notificação no Instagram e já era, passaremos uma hora perdidos nos feeds das vidas dos outros. Não pretendo tirar as coisas da minha vida, mas preciso e vou fazer uma redução do que acompanho, deixando apenas o que me interessa, realmente. Farei isso nos e-mails, nas redes sociais, no celular, no notebook e em todos os outros ambientes virtuais que por acaso eu tiver. Aos poucos, quero trazer um pouco mais de clareza ao meu dia a dia.

Voltar a estudar. Estou sentindo uma vontade louca de aprender novas coisas. Ainda estou pensando em como eu vou materializar esses novos estudos, mas sinto que preciso investir nisso, que é importante para mim no momento atual. Se será uma pós, um novo curso de línguas (francês, francês!) ou algo através da internet, só o tempo dirá. Mas é algo que eu sei que me fará muito bem, pois aquela Amanda, a da essência, é um ser curioso por vida e que adora aprender.

E vocês, têm algo que estão tentando trazer para o dia a dia de vocês? Comentem, pitaquem, deem sua opinião! 😉

Da rotina

Tchau, 2016 – e obrigada

Que 2016 não foi fácil estamos cansados de saber. Na realidade, que ano é, não é mesmo? Obviamente que tem uns que realmente se superam mas, no geral, o sentimento que vencemos uma batalha e saímos vivos para contar a história é sempre mais forte. Mesmo que tenhamos sentado num pudim a maior parte do tempo, vamos sempre lembrar da topada que arrancou o samboque do nosso dedão.

Então eu vou tentar fazer diferente nesse fim de ano. Vou listar aqui as coisas pelas quais eu sou grata. As coisas que 2016 me ensinou e me deu. Não ignoro de forma nenhuma todas as dificuldades pelas quais passei. Seria até difícil tentar esquecer. Porém resolvi focar em tudo que foi bom e positivo. Em todos os aprendizados. Em todas as conquistas, sorrisos e alegrias. Tudo é uma questão de escolha e essa é a minha, que dividirei com vocês.

Esse ano, eu sou grata por:

– Ter Deus na minha vida. Eu sei que não falo muito sobre espiritualidade aqui nem na vida e há uma razão pra isso: não sei muita coisa e não quero inventar num assunto tão sério. Mas creio que ter Deus comigo faz toda a diferença. Me dá forças, tira um pouco do peso das minhas costas, me acalma em momentos difíceis. Obrigada por Sua presença, Deus.

– Ter uma casa para morar, comida para comer, lençóis cheirosos para me cobrir à noite e roupas limpas para me vestir durante o dia;

– Por ter encontrado o amor da minha vida e viver com ele. Vocês sabem o quão raro isso é?

– Pela minha família, que está sempre lá, por mim, e que me faz sentir em casa e segura, não importa o que aconteça.

– Pelos amigos, novos e antigos. Pela capacidade de fazer novos amigos, que eu sempre acho que está enferrujada pra mim – mas que sempre mostra que, nisso, eu estou bem enganada, graças a Deus.

– Ter aprendido que há coisas que não se pode aprender, há coisas que simplesmente não nos cabem. Quando algo vai de encontro ao que você é, não há como permanecer nessa situação por muito tempo.

– Pelo crescimento que tive a partir de cada queda minha. Não pensem que se cresce de qualquer outro jeito. É quebrando a cara que a gente aprende a ser gente.

– Pelo equilíbrio que não tive, mas que finalmente pude ver a importância. Harmonia, moderação são essenciais na nossa vida e nada em excesso faz bem.

– Por ter terminado o tratamento com Roacutan e ter dado tudo certo. Acabei, a pele está linda, essa página está virada.

– Por ter finalmente entendido que amar pessoas significa aguentar umas merdas bobas delas também. Somos todos humanos, ninguém é perfeito.

– Pelo perdão e pela diferença que ele faz nas nossas vidas. Guardar rancor não traz bem nenhum, gente (e vocês tão lendo isso de alguém com lua em escorpião). Pra ninguém. Se libertem, perdoem.

– Pelas noites mal-dormidas, que me ensinaram o valor de uma noite bem-dormida.

– Pela meditação e pela Yoga, que sempre me trazem de volta aos eixos quando eu estou perdida.

– Pela capacidade de recomeçar, que existe em todos nós, num cantinho do coração que muitas vezes, desconhecemos.

– Pela humildade, que nos permite iniciar baixo e não achar que somos mais do que alguma pessoa e estamos aquém de alguma coisa.

– Por mais esse ano na Terra. Pelo tempo, bem tão precioso.

– Por vocês, leitores, e por aguentarem minhas indas e vindas, meu descontrole, minha desorganização. Esse espaço é muito importante para mim  e ter o carinho de vocês me deixa feliz. Vocês são incríveis, muito obrigada.

E vocês, pelo o que são gratos? Escrevam (ou deixem o link do post de vocês sobre isso) nos meus comentários. Feliz ano novo para todos nós!

Da rotina, Livros & Outros Amores

Últimos lidos e amados

Li bastante nesse último mês do ano – ao menos, uma coisa boa do desemprego –  e, apesar de não ser capaz de bater a minha longamente ignorada meta de livros sugerida no Goodreads, creio que conseguirei, pelo menos, não me humilhar completamente. Estou com 18/25 e creio que até o fim da semana termino mais dois ou três livros (tenho esse pequeno problema de ler vários livros ao mesmo tempo), batendo, pelo menos, 20 livros lidos no ano de 2016. Not bad, uma vez que ano passado li 15. Posso não chegar jamais aos 100 que algumas amigas ostentam, mas estou melhor do que o meu eu passado e isso já é suficiente.

Abaixo, listei alguns dos últimos livros que li e gostei.

10% Happier – Dan Harris (10% Mais Feliz, em português)

Resolvi ler esse livro por uma simples razão: eu tenho ansiedade e queria ver o relato de outra pessoa que tinha esse problema também.  O livro de Dan Harris fala sobre como ele superou os 10 kg de preocupação que o abatia diariamente, encontrando seu equilíbrio através da prática diária da meditação. Também temos alguns insights de como as coisas funcionam nos bastidores na TV (Dan Harris é um apresentador/jornalista) e a leitura é fluida, segue um ritmo lógico e fácil de acompanhar.

O Guia do Guru Preguiçoso – Laurence Shorter

Uma leitura rápida e amorzinho.  O livro é todo ilustrado e fala sobre mindfullness e meditação. Me senti abraçada ao ler esse livro, pois o autor fala de coisas que realmente se passam na minha cabeça e, acredito, na de muitos que tentam sobreviver no mundo caótico que nos cerca. Esse é um daqueles bom de ter em casa para reler rapidinho sempre que a gente precisar de algo leve e aquecedor de coração.

Tá Todo Mundo Mal – Jout Jout

Depois que a modinha passou, resolvi dar uma chance para o livro da Jout Jout porque adoro os vídeos dela e acho ela muito real, o que equilibra a dose diária de ilusão do feed do Instagram. O livro foi escrito a partir de um apanhado de crises, mais sérias ou bobas mesmo, que passaram pela vida da nossa amiga Júlia. É um livro pra rir e também para refletir. Adorei, especialmente, a crise sobre os nossos anos (ano?) de tamagotchi.  É uma leitura leve, fácil e divertida.

Career of Evil – Robert Galbraith (Vocação para o Mal, em português)

Essa leitura se arrastou por motivos de preguiça minha, mesmo. Comecei logo que o livro foi lançado (acho que no meio desse ano?) e só agora, ao apagar das luzes de 2016, finalmente terminei o que é o 3º integrante da série do Cormoran Strike. Como nos dois livros anteriores (Chamado do Cuco e O Bicho da Seda), Vocação para o Mal é igualmente bem construído e nos deixa sem ter lá muita noção do que realmente aconteceu até chegar ao fim da história. Há momentos de tensão ao longo do capítulos, tanto sexual (entre Cormoran e Robin) quanto momentos de perigo e crise. Adorei e já espero pelo próximo, pois o fim foi no melhor estilo: PAM.

Poser – My Life in Twenty-Three Yoga Poses – Claire Dederer

Esse livro foi uma leitura arrastada também, pela mesma razão do anterior. Poser é um escrito biográfico, onde a Claire conta a sua jornada como mãe, esposa, escritora e freelancer através do seu aprendizado na Yoga. O livro vai e volta, conforme a Claire nos abre sua vida e mostra seu processo de autoconhecimento. É um livro para quem, como eu, gosta de: a) yoga e b) dar uma espiadinha na vida dos outros (que é toda a lógica de ler biografias, né não?). Não é uma leitura difícil, mas na minha preguiça, tive que me forçar muitas vezes a seguir em frente. A Claire é alguém com quem conseguimos nos identificar: uma pessoa tentando ser perfeita e descobrindo que não existe such a thing nessa vida.

E vocês, alguma leitura gostosa pra indicar? Não deixem de comentar!

Da rotina, Opiniões que ninguém pediu

Sobre ansiedade, perfeccionismo e como ser o melhor não é ser feliz

Foto: Roza

Foto: Roza


“Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.”  Mateus 6:34 

A ansiedade é uma coisa chata, não é não? Principalmente porque eu venho de uma época (sim, meu real eu tem 70 anos e acha que já pode falar coisas assim) em que ansiedade não era uma condição psiquiátrica e sim uma mera e inocente característica, como ser falante ou organizada. “Sou ansiosa”, dizia a quem quisesse ouvir, enquanto pensava sempre à frente e me sentia bem por isso. “Pelo menos, estou preparada para tudo o que pode me atingir”, eu me iludia, enquanto me preocupava com doenças que não aconteceram e notas ruins que nunca viriam. Hoje penso que não é à toa que me casei com uma pessoa que é meu total oposto, o rei da calmaria zen, que se preocupa com nada além do hoje e inicia as coisas independentemente do fato delas poderem dar errado, enquanto eu passo a vida perdida em cálculos e possibilidades, fazendo absolutamente nada, muito assustada para dar o primeiro passo em alguma coisa e não ser absolutamente magnífica nisso. A gente tem que equilibrar a nossa vida de algum jeito e que bom, que sorte, encontrar alguém para jogar diariamente na minha cara que, algumas vezes, eu sou meio desnecessária e que eu deveria me preocupar um pouco menos. Ou muito menos.

Penso que a nossa sociedade nos ensinou a ser assim. Houve uma época em que ser ansioso era simplesmente ser a pessoa que se preparava com antecedência para prova ou que checava e rechecava os trabalhos para ver se tudo estava nos conformes, antes de entregar. E eu acho que ter um nível saudável de preocupação é normal e aceitável e nos torna humanos e funcionais. Afinal, algum nível de planejamento é necessário para que possamos viver uma vida de acordo com os nossos interesses. Porém quando a preocupação é ruim o suficiente para nos fazer passar noites em claro com frequência, nos preocupando com o que já foi ou com o que vai vir, a barreira do saudável já foi mais do que transposta. E isso nos coloca entre um dos contaminados por essa pandemia chamada ansiedade que, como micróbio não supervisionado, se multiplicou rápida e sorrateiramente, de forma que todo mundo que eu conheço, praticamente, é ansioso.

No fundo, sei que isso vem da nossa necessidade de estar à frente de todos. Do perfeccionismo. Da vontade de ser o melhor, de ser o mais apto, o que vai contornar o problema da melhor maneira, o que vai vencer os obstáculos da forma mais tranquila possível. Ainda lembro das vezes que meus pais disseram que eu deveria ser a melhor, obviamente com a mais pura das intenções, querendo nada mais do que me incentivar a estudar e construir um futuro decente para mim e a família que eu haveria de ter, um dia. Porém, hoje, vejo que talvez esse não seja mais um conselho que eu dê para os meus filhos, apesar de entender o que nos levaria a fazê-lo. A realidade é que, como os meus pais (apesar do que eles falaram e do que eu acreditei anteriormente), eu não me importo, realmente, que os rebentos que eu venha a ter sejam os melhores no que eles fazem. Não me interessa que sejam super bem-sucedidos, que tenham um negócio próprio, que construam o seu nome, que deixem sua vida gravada na história do mundo. Mas pra quê tudo isso? De que adianta todas essas coisas, no frigir dos ovos? O que me importa, realmente, é que eles sejam felizes. E também não precisa se fazer uma competição disso. É só: feliz. Fazer o que estiver bom para si e para os outros. Se tratar com gentileza. Correr atrás dos seus sonhos, independentemente dos resultados. Inclusive: se despreocupe em relação aos resultados. Os resultados não são importantes agora. Viver o momento presente é que é.

Nós podemos fazer o nosso melhor, mas não temos nenhum controle sobre o que pode vir a acontecer depois das nossas ações. Simplesmente não temos. Nem sempre os nossos atos estão conectados com os outcomes. Você pode chegar cedo no banco, com todos os documentos em mãos, mas o sistema pode sair do ar e você pode não resolver nada do que esperaria. Você pode organizar uma viagem para a praia, levar em consideração todos os detalhes possíveis, mas não pode controlar o tempo. Você pode falar algo (como meus pais falaram, há anos atrás) na melhor das intenções, achando que está fazendo o maior bem para alguém, mas cada um interpreta e traduz da sua própria maneira. A gente não tem controle sobre as coisas e isso nos deixa desesperados. Nós, seres humanos, queremos ter tudo debaixo de nossas asas. Queremos garantir que cada coisinha saia de acordo com o nosso script. Mas não é bem assim que a banda toca. Deus (ou a força maior do universo, ou no que quer que você acredite – ou não) tem seus próprios planos também e, algumas vezes, não são tão simples quantos os nossos ou não tão complexos. E lições precisam ser aprendidas. Toda provação nos dá, sim, acesso a um novo conhecimento, uma clareza, uma luzinha a mais na grande escuridão de tudo que desconhecemos.

Eu nem sou tão velha assim (26 anos já dá pra dizer que é velha?), mas já passei pela minha cota de transtornos (e pelas aprendizagens que os seguem) o suficiente para saber que por pior que uma situação seja, this too shall pass. De uma forma ou de outra, o desespero não dura pra sempre. Ou acabamos com ele ou aprendemos a lidar com ele, mas ficar com a cara lisa diante da tempestade é algo que nunca vai durar muito tempo. Vamos sempre aprender, criar e transmutar, para tornamos uma situação indesejável em algo com o qual podemos lidar. Isso é algo com que podemos contar sempre. Nossa capacidade de mudar nossa realidade, uma vez presentes nela.

Acontece que, com a ansiedade, não estamos no aqui, agora. Estamos no futuro, pensando em como lidaremos em contar pra família se em algum momento das nossas vidas tivermos câncer, ou no passado, nos preocupando se deveríamos ter comido/bebido determinada coisa, pois essa coisa pode nos fazer mal. Sempre em dois tempos que não podemos tomar nenhuma ação física. Sempre longe do momento em que tudo é possível, em que nossas ações e sentimentos realmente importam. O que aconteceu não pode ser modificado, o que vai acontecer não pode ser determinado. Tudo o que o importa é o momento atual, em que podemos fazer o nosso melhor (o que significa o melhor que temos a oferecer, sem comparações com coleguinhas, sem apego aos resultados), lidando com  os problemas que realmente temos em nossas mãos, ao invés de nos preocuparmos desnecessariamente com o que sequer sabemos se vai chegar.

Eu entendo que toda essa teoria é bonita, mas que na prática o peito aperta e a gente nem mesmo sabe por que e do quê tem medo. Eu sei, porque eu também passei noites em claro e dias em angústia. Eu sei porque eu também sou uma perfeccionista que acha que nada vale a pena ser feito se não perfeitamente, mesmo que no meu consciente eu saiba que não existe nada que seja perfeito nesse mundo e que na maioria das vezes o “bom o suficiente” é mais do que o necessário. Mas eu tenho melhorado. Eu tenho revisto meus pensamentos. Tenho feito meditação. Tenho confrontado aquela voz interna que sempre pensa o pior dos outros e de nós. Ela não sou eu, eu não sou ela. Tudo bem se preocupar, mas até que ponto isso é útil? É uma pergunta válida e que sempre faço quando me sinto sufocada pelas minhas preocupações recorrentes. Algumas vezes é mais simples fazer algo em direção da resolução do problema ou, se não há problema algum (no caso das coisas que nem aconteceram) simplesmente ser gentil com nós mesmos e confiar que saberemos agir, de uma forma ou de outra, no momento adequado.

Também tenho notado minhas angústias e tenho aberto o jogo com as pessoas que se importam comigo e, agora, com vocês. Estou aqui, nesse momento, escrevendo esse texto, depois de semanas sem vontade de fazer absolutamente nada, porque eu simplesmente não conseguia me concentrar em nada, além da minha ansiedade, que estava em seu pico. Eu sabia que precisava me abrir, porque falar sobre um problema nos ajuda a entendê-lo melhor – até porque eu tenho certeza não sou a única lutando para seguir nesse barco desgovernado. Mas ação, que é bom, nada. Porém, agora, estou aqui. This is enough. Eu sabia que não podia dividir as minhas leituras do mês (que estão muito boas, inclusive) ou meus desejos para o próximo ano enquanto não abrisse o jogo sobre isso. Por que eu sei que pode ajudar não só a mim, mas aos gatos pingados que me leem aqui. Você não está sozinho nessa, amigo. Tá todo mundo mal (como diria Jout Jout), mas tudo bem, porque nada disso é pra sempre. Confie em você, confie no próximo, confie na vida, confie em Deus. Confie nessa energia que há milhares de anos vem governando a Terra e seus seres vivos. Sim, coisas terríveis acontecem e ninguém sabe muito bem o porquê. Pessoas têm que passar por provações horríveis, é verdade. Nós mesmos temos nossas próprias batalhas e monstros noturnos. Mas: há aprendizado em tudo isso. Há crescimento. Há uma pessoa melhor, a cada luta travada, a cada obstáculo vencido ou contornado. Eu falo por experiência própria que as situações ruins na minha vida sempre me ensinaram algo novo. Esperança, confiança, respeito ao próximo, paciência. Mesmo os problemas com que a gente não sabe lidar nos ensinam algo. Então, confie. Confie que, no momento em questão, você fará o melhor dentro de suas possibilidades. E isso será suficiente, do jeito que for.

Pessoal, estou aberta a responder comentários e dúvidas (como sempre), mas como sabemos sou apenas uma blogueira, não médica. Se a ansiedade estiver atrapalhando a sua vida, procurem um profissional, por favor. A ansiedade é uma doença e, como várias, podemos usar rotas alternativas para tratá-la, mas algumas vezes a tradicional é a melhor opção, ok? Fiquem bem, estamos juntos nessa ♥