Amanda Arruda - Lifestyle, Decoração, Livros e Feminices - Página: 2
Da rotina, Opiniões que ninguém pediu

Sobre ansiedade, perfeccionismo e como ser o melhor não é ser feliz

Foto: Roza

Foto: Roza


“Portanto, não andeis ansiosos pelo dia de amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.”  Mateus 6:34 

A ansiedade é uma coisa chata, não é não? Principalmente porque eu venho de uma época (sim, meu real eu tem 70 anos e acha que já pode falar coisas assim) em que ansiedade não era uma condição psiquiátrica e sim uma mera e inocente característica, como ser falante ou organizada. “Sou ansiosa”, dizia a quem quisesse ouvir, enquanto pensava sempre à frente e me sentia bem por isso. “Pelo menos, estou preparada para tudo o que pode me atingir”, eu me iludia, enquanto me preocupava com doenças que não aconteceram e notas ruins que nunca viriam. Hoje penso que não é à toa que me casei com uma pessoa que é meu total oposto, o rei da calmaria zen, que se preocupa com nada além do hoje e inicia as coisas independentemente do fato delas poderem dar errado, enquanto eu passo a vida perdida em cálculos e possibilidades, fazendo absolutamente nada, muito assustada para dar o primeiro passo em alguma coisa e não ser absolutamente magnífica nisso. A gente tem que equilibrar a nossa vida de algum jeito e que bom, que sorte, encontrar alguém para jogar diariamente na minha cara que, algumas vezes, eu sou meio desnecessária e que eu deveria me preocupar um pouco menos. Ou muito menos.

Penso que a nossa sociedade nos ensinou a ser assim. Houve uma época em que ser ansioso era simplesmente ser a pessoa que se preparava com antecedência para prova ou que checava e rechecava os trabalhos para ver se tudo estava nos conformes, antes de entregar. E eu acho que ter um nível saudável de preocupação é normal e aceitável e nos torna humanos e funcionais. Afinal, algum nível de planejamento é necessário para que possamos viver uma vida de acordo com os nossos interesses. Porém quando a preocupação é ruim o suficiente para nos fazer passar noites em claro com frequência, nos preocupando com o que já foi ou com o que vai vir, a barreira do saudável já foi mais do que transposta. E isso nos coloca entre um dos contaminados por essa pandemia chamada ansiedade que, como micróbio não supervisionado, se multiplicou rápida e sorrateiramente, de forma que todo mundo que eu conheço, praticamente, é ansioso.

No fundo, sei que isso vem da nossa necessidade de estar à frente de todos. Do perfeccionismo. Da vontade de ser o melhor, de ser o mais apto, o que vai contornar o problema da melhor maneira, o que vai vencer os obstáculos da forma mais tranquila possível. Ainda lembro das vezes que meus pais disseram que eu deveria ser a melhor, obviamente com a mais pura das intenções, querendo nada mais do que me incentivar a estudar e construir um futuro decente para mim e a família que eu haveria de ter, um dia. Porém, hoje, vejo que talvez esse não seja mais um conselho que eu dê para os meus filhos, apesar de entender o que nos levaria a fazê-lo. A realidade é que, como os meus pais (apesar do que eles falaram e do que eu acreditei anteriormente), eu não me importo, realmente, que os rebentos que eu venha a ter sejam os melhores no que eles fazem. Não me interessa que sejam super bem-sucedidos, que tenham um negócio próprio, que construam o seu nome, que deixem sua vida gravada na história do mundo. Mas pra quê tudo isso? De que adianta todas essas coisas, no frigir dos ovos? O que me importa, realmente, é que eles sejam felizes. E também não precisa se fazer uma competição disso. É só: feliz. Fazer o que estiver bom para si e para os outros. Se tratar com gentileza. Correr atrás dos seus sonhos, independentemente dos resultados. Inclusive: se despreocupe em relação aos resultados. Os resultados não são importantes agora. Viver o momento presente é que é.

Nós podemos fazer o nosso melhor, mas não temos nenhum controle sobre o que pode vir a acontecer depois das nossas ações. Simplesmente não temos. Nem sempre os nossos atos estão conectados com os outcomes. Você pode chegar cedo no banco, com todos os documentos em mãos, mas o sistema pode sair do ar e você pode não resolver nada do que esperaria. Você pode organizar uma viagem para a praia, levar em consideração todos os detalhes possíveis, mas não pode controlar o tempo. Você pode falar algo (como meus pais falaram, há anos atrás) na melhor das intenções, achando que está fazendo o maior bem para alguém, mas cada um interpreta e traduz da sua própria maneira. A gente não tem controle sobre as coisas e isso nos deixa desesperados. Nós, seres humanos, queremos ter tudo debaixo de nossas asas. Queremos garantir que cada coisinha saia de acordo com o nosso script. Mas não é bem assim que a banda toca. Deus (ou a força maior do universo, ou no que quer que você acredite – ou não) tem seus próprios planos também e, algumas vezes, não são tão simples quantos os nossos ou não tão complexos. E lições precisam ser aprendidas. Toda provação nos dá, sim, acesso a um novo conhecimento, uma clareza, uma luzinha a mais na grande escuridão de tudo que desconhecemos.

Eu nem sou tão velha assim (26 anos já dá pra dizer que é velha?), mas já passei pela minha cota de transtornos (e pelas aprendizagens que os seguem) o suficiente para saber que por pior que uma situação seja, this too shall pass. De uma forma ou de outra, o desespero não dura pra sempre. Ou acabamos com ele ou aprendemos a lidar com ele, mas ficar com a cara lisa diante da tempestade é algo que nunca vai durar muito tempo. Vamos sempre aprender, criar e transmutar, para tornamos uma situação indesejável em algo com o qual podemos lidar. Isso é algo com que podemos contar sempre. Nossa capacidade de mudar nossa realidade, uma vez presentes nela.

Acontece que, com a ansiedade, não estamos no aqui, agora. Estamos no futuro, pensando em como lidaremos em contar pra família se em algum momento das nossas vidas tivermos câncer, ou no passado, nos preocupando se deveríamos ter comido/bebido determinada coisa, pois essa coisa pode nos fazer mal. Sempre em dois tempos que não podemos tomar nenhuma ação física. Sempre longe do momento em que tudo é possível, em que nossas ações e sentimentos realmente importam. O que aconteceu não pode ser modificado, o que vai acontecer não pode ser determinado. Tudo o que o importa é o momento atual, em que podemos fazer o nosso melhor (o que significa o melhor que temos a oferecer, sem comparações com coleguinhas, sem apego aos resultados), lidando com  os problemas que realmente temos em nossas mãos, ao invés de nos preocuparmos desnecessariamente com o que sequer sabemos se vai chegar.

Eu entendo que toda essa teoria é bonita, mas que na prática o peito aperta e a gente nem mesmo sabe por que e do quê tem medo. Eu sei, porque eu também passei noites em claro e dias em angústia. Eu sei porque eu também sou uma perfeccionista que acha que nada vale a pena ser feito se não perfeitamente, mesmo que no meu consciente eu saiba que não existe nada que seja perfeito nesse mundo e que na maioria das vezes o “bom o suficiente” é mais do que o necessário. Mas eu tenho melhorado. Eu tenho revisto meus pensamentos. Tenho feito meditação. Tenho confrontado aquela voz interna que sempre pensa o pior dos outros e de nós. Ela não sou eu, eu não sou ela. Tudo bem se preocupar, mas até que ponto isso é útil? É uma pergunta válida e que sempre faço quando me sinto sufocada pelas minhas preocupações recorrentes. Algumas vezes é mais simples fazer algo em direção da resolução do problema ou, se não há problema algum (no caso das coisas que nem aconteceram) simplesmente ser gentil com nós mesmos e confiar que saberemos agir, de uma forma ou de outra, no momento adequado.

Também tenho notado minhas angústias e tenho aberto o jogo com as pessoas que se importam comigo e, agora, com vocês. Estou aqui, nesse momento, escrevendo esse texto, depois de semanas sem vontade de fazer absolutamente nada, porque eu simplesmente não conseguia me concentrar em nada, além da minha ansiedade, que estava em seu pico. Eu sabia que precisava me abrir, porque falar sobre um problema nos ajuda a entendê-lo melhor – até porque eu tenho certeza não sou a única lutando para seguir nesse barco desgovernado. Mas ação, que é bom, nada. Porém, agora, estou aqui. This is enough. Eu sabia que não podia dividir as minhas leituras do mês (que estão muito boas, inclusive) ou meus desejos para o próximo ano enquanto não abrisse o jogo sobre isso. Por que eu sei que pode ajudar não só a mim, mas aos gatos pingados que me leem aqui. Você não está sozinho nessa, amigo. Tá todo mundo mal (como diria Jout Jout), mas tudo bem, porque nada disso é pra sempre. Confie em você, confie no próximo, confie na vida, confie em Deus. Confie nessa energia que há milhares de anos vem governando a Terra e seus seres vivos. Sim, coisas terríveis acontecem e ninguém sabe muito bem o porquê. Pessoas têm que passar por provações horríveis, é verdade. Nós mesmos temos nossas próprias batalhas e monstros noturnos. Mas: há aprendizado em tudo isso. Há crescimento. Há uma pessoa melhor, a cada luta travada, a cada obstáculo vencido ou contornado. Eu falo por experiência própria que as situações ruins na minha vida sempre me ensinaram algo novo. Esperança, confiança, respeito ao próximo, paciência. Mesmo os problemas com que a gente não sabe lidar nos ensinam algo. Então, confie. Confie que, no momento em questão, você fará o melhor dentro de suas possibilidades. E isso será suficiente, do jeito que for.

Pessoal, estou aberta a responder comentários e dúvidas (como sempre), mas como sabemos sou apenas uma blogueira, não médica. Se a ansiedade estiver atrapalhando a sua vida, procurem um profissional, por favor. A ansiedade é uma doença e, como várias, podemos usar rotas alternativas para tratá-la, mas algumas vezes a tradicional é a melhor opção, ok? Fiquem bem, estamos juntos nessa ♥

Opiniões que ninguém pediu

Você escolhe as suas energias (e as do mundo)

Ontem, com a tragédia que tomou conta de todas as redes sociais e meios de comunicação, bateu aquela bad que sempre bate quando essas coisas acontecem. Logo pensei: “meu Deus, esse vai ser um dia horrível, cheio de angústia e tristeza e eu vou ver todas aquelas matérias desesperadoras sobre o acidente e morrer de medo por mim e por todas as pessoas que um dia podem se envolver em algo assim”. E eu já tinha aceitado o meu destino até vir a seguinte pergunta do fundo da minha consciência: é, mas por que mesmo? Porque que eu vou assistir a essas matérias, clicar nesses links, passar por esse sofrimento, quando eu posso facilmente não fazê-lo?

Pois é. Passei o dia fora da internet (praticamente), não liguei a TV, não assisti a noticiários. Porque a gente não é obrigado. A energia é minha e eu posso escolher não perdê-la para esse tipo de informação. É o tipo de coisa que não adiciona nada mais na nossa vida, apenas se aproveita da desgraça alheia para ganhar mais ibope e cliques. Assim que soube, mandei meus bons pensamentos e minha paz para as famílias das pessoas que foram vitimadas nessa tragédia e segui em frente. Não havia mais nada que pudesse ser feito por mim, logo não há razão lógica para continuar se envolvendo ou assistindo ao desenrolar dessa história.

Energia não dá em árvore, gente, embora a gente possa sempre dividir e multiplicar, com as pessoas e atividades certas. Isso não quer dizer que a gente deva desperdiçar as nossas com o que não nos serve. O caso que exemplifiquei acima é de uma notícia, mas isso pode servir para tanta coisa na nossa vida. Por exemplo: hoje em dia não assisto mais filmes de terror, porque me assusto e impressiono com facilidade e isso atrapalha a minha vida (e o meu sono). Eu sempre fico mal depois de um filme assim, logo qual o sentido em persistir assistindo a esse tipo de coisa? Seria um comportamento autodestrutivo, coisa que estou tentando extirpar da minha vida. Portanto, não, não assisto filmes de terror. Também evito perder meu tempo discutindo no Facebook (na verdade, isso acontece quase nunca, atualmente) ou em qualquer outra rede social, não leio comentários de portais (fica a dica, gente) e estou sempre correndo na direção contrária de qualquer situação que envolva chafundar no que há de pior da raça humana. Inclusive, resolvi não seguir assistindo Black Mirror porque me dava um sentimento ruim no fim dos episódios. Nada que te deixe pior do que você estava antes pode ser bom e por mais que eu acredite que existem alguns momentos em que o remédio é amargo, não creio que esse seja um deles.

Vocês podem dizer que eu estou tentando viver num mundo que não existe, tentando fugir da realidade. Eu digo a vocês: não. Primeiro que ninguém consegue realmente ignorar tudo, as notícias sempre chegam (como a de ontem chegou). O que eu não faço é correr atrás de mais informações de coisas que não me interessam e as quais eu não posso mudar. E, segundo, a realidade é mais do que isso. A realidade é o que nós vivemos, também, e não apenas todas as coisas ruins que acontecem no mundo. Se eu posso focar no que é bom, porque eu vou fazer o oposto? Tudo é uma questão de escolha. A gente pode dar atenção a uma pessoa que está disseminando algo negativo na internet, por exemplo, ou podemos jogar nosso holofote em alguém que está fazendo algo bacana e agregando valor às nossas vidas. Nós podemos passar o nosso tempo apontando o dedo para tudo o que tem de errado no mundo ou mostrando tudo o que ele tem de certo. É uma opção. Eu estou escolhendo, racionalmente, multiplicar a energia boa, pois creio que, de outra maneira, alimentamos a ruim, mesmo que estejamos lutando contra isso. Damos nossa atenção, perdemos nossa paz, multiplicamos o foco nessa coisa da qual não gostamos e perdemos a chance incentivar algo que faça exatamente o que queremos que seja feito. Lutar ativamente contra o mal, no meu entendimento, não é tão funcional quanto alimentar o bem.

Eu acredito de verdade que, quando mudamos nós mesmos, mudamos o mundo. Se eu cultivo uma energia positiva dentro de mim, a minha energia vai influenciar as outras pessoas e, assim, aos poucos, podemos mudar o nosso ambiente, mudando as pessoas que convivem diretamente conosco. Nós atraímos o que nós cultivamos. E isso é tudo escolha nossa.

Precisamos parar de nos vitimizar e começar a tomar as rédeas da nossa vida. Obviamente que há diversas situações que não podemos controlar, mas há opções que podem ser feitas e que não nos damos conta. Você não é obrigado a assistir notícias ruins, ler livros por prazer sobre temas que não te agradam, se envolver naquela discussão no Facebook (que você sabe que não vai dar em nada) ou seguir mantendo aquela pessoa abusiva na sua vida. Você escolhe o tipo de energia que alimenta e, assim, escolhe as que te alimentarão também. A opção é só sua. Então, da próxima vez, pule a seção de comentários das notícias. Ignore o post do colega errado no Facebook (ou melhor, dá logo unfollow/unfriend para evitar ver esse tipo de coisa novamente). Comente na foto de uma amiga, dizendo que ela está linda. Elogie verdadeiramente o projeto legal de alguém. Compre algo feito da forma que você acredita que deve ser feito. Evite o drama, alimente o bem, porque você pode. Porque isso é prerrogativa sua. Porque você é responsável pela suas próprias energias.

Feminices, Pele, Roacutan

Roacutan: Diário de Bordo – 8 meses e o que vem depois

Foto: gismoland

Foto: gismoland

Cabô esse carai!

Finalmente estou aqui para contar a você como foram os meses finais de tratamento e o que acontece agora, dois meses depois do fim dessa maratona. Preferi esperar um pouco mais para ter certeza que poderia reportar tudo maravilhosamente e, bem, como dois meses é o prazo da bula para o Roacutan deixar completamente a nossa corrente sanguínea, esperei esse tempinho para fechar esse diário de bordo. Vamos primeiro ao relato de como foram os últimos meses de tratamento, shall we?

Então, do sexto mês para a frente, pouca coisa mudou na minha vida. Os testes continuaram perfeitos, sem nenhuma alteração nas taxas analisadas. As espinhas desapareceram completamente e não voltaram a dar as caras, com a graça de Deus. O maior problema desse período foi que TUDO ressecou de uma maneira que não estava fácil viver. Não havia lip balm abençoado que desse jeito na minha boca. Era um caso tão perdido que deixei mesmo de mão a minha caça pelo lip balm perfeito e segui com o azul-escuro da Nivea, que resolvia o problema pelo tempo total de 5 minutos. Em situações extremas, a boca rachava e sangrava, sim. Por isso, evitava sorrir muito aberto, porque vamos evitar a humilhação em público sempre que possível, não é mesmo? O queixo despelava todos os dias (agora a bochecha, que eu queria que despelasse, para que as marquinhas saíssem, não despelou NEM UM TIQUINHO, a rapariga) e ficava branco de tão ressecado. E lá ia eu com hidratante para tentar domar a fera indócil. A pele do corpo inteiro ficou muito sensível e qualquer coisa causava um corte, que geralmente demorava um tempinho pra sarar. Sério, é como se a pele estivesse muito fina (?) e até coçar arranhava (e olha que aqui não trabalhamos com unhão). O cabelo não voltou a cair, o que foi uma benção, porque houve um momento que eu realmente achei que ficaria careca. Porém: seco que nem palha. Todos os fluidos corporais desapareceram. Todos. Só as lágrimas permaneceram, mas poucas e sempre que trabalhava com computador tinha que hidratar os olhos com colírio. O nariz ressecou, mas não o suficiente para incomodar.

Além disso, desenvolvi algo muito curioso chamado fascite plantar, a inflamação da fáscia, que é um tecido cartilaginoso que fica logo depois da pele, na planta do nosso pé. Toda vez, TODA VEZINHA, que eu estava sentada/deitada e precisava levantar, sentia uma dor aguda no calcanhar e tinha que andar de ponta de pé. A dor dissipava depois de alguns minutos, mas me sentia uma senhorinha de 800 anos, né? A canelite atacava também quando eu inventava de fazer alguma caminhada mais vigorosa, um inferno. Além disso, as dores musculares continuaram presentes, principalmente na lombar e nas costas, no geral. Era uma dor que massagem só fazia doer mais, então eu apenas deixava quieto e seguia a vida. Inclusive, a maioria dos sintomas, que não eram questão de vida ou morte, eu deixei ser, porque não adianta tratar efeito colateral de um remédio. O tratamento é parar o remédio e só. Anyway. Tive uma gripe mais pro fim do tratamento e gripe com Roacutan é um saco porque você fica com medo de tomar MAIS um remédio e dar pau no seu fígado/rim, né? Tratei com própolis e mel, me incomodou, mas nada que fosse pior do que, por exemplo, aqueles dois/três primeiros meses com o rosto deformado de espinhas (inclusive, se você está nessa fase, força, ela acaba!). Inclusive, uma coisa que você aprende durante o tratamento com Roacutan: aguentar uma dores e não apelar pra remédio com tudo que aparece. Sempre que possível, tomava chás para cólicas e outras tretas, pra evitar sobrecarregar ainda mais o meu corpo.

Durante o fim do tratamento, perdi o início de uma cartela do anticoncepcional (imbecil, eu sei, não façam isso em casa) e passei um mês sem tomar o anti. A minha menstruação atrasou mais de UMA SEMANA. SIM. UMA SEMANA. Quase morri do coração? Isso aí. Minha menstruação sempre foi bem certinha, vem no dia bonitinho dela e, naquele mês, não apareceu. Fiz nada mais nada menos que 3 exames de farmácia e 2 BHCGs (nem estava louca, eu) até ter certeza que não estava grávida. Depois, quando ela estava afim, ela desceu (rapariga!) e foi aquela tsunami de alívio. Então aí está a razão pela qual devemos tomar anticoncepcional durante o tratamento, juntamente com um método de barreira (camisinha, no meu caso): sua menstruação vai enlouquecer e você vai enlouquecer junto, achando que está grávida todo mês. Isso além do fato óbvio que é melhor prevenir por dois meios que tentar remediar o irremediável, que é uma gravidez nesse período. O bebê pode sofrer sérias deformações e malformações. É um troço bem sério e quase morri do coração no fim do mês, apesar de ter feito tudo direitinho (fora o anti). Então, aprendam com a heart attack da tia Amanda e não repitam esse erro nas suas vidas, se estiverem fazendo esse tratamento, obrigada.

Quanto ao meu peso, ele se manteve regular na casa do 70 e poucos durante todo o tratamento. Se eu for chutar, acho que perdi mais peso do que ganhei durante todo os 8 meses, always a plus quando se está acima do que deveria pesar. A libido teve uma queda, também, durante todo o tratamento – o que é normal, já que esse remédio suprime a testosterona, responsável pelo desejo sexual. E de resto, eu era uma pessoa funcional. Depois de alguns meses você se acostuma com os efeitos e aprende a viver com eles. Eu sempre pensava que se não era para ter espinha nunca na vida, tava bom demais sofrer por 8 meses.

E valeu a pena?

Então. Aqui estou do alto de dois meses depois do tratamento para dizer a você que: sim. Valeu demais. Se antes eu nem cogitava muito tirar foto sem maquiagem, agora o status quo dos meus dias normais é sem maquiagem. Até porque já sabemos que maquiagem por aqui só quando eu tô bem afim, né? No resto dos dias, I don’t even bother. A pele ficou limpa, mas as marquinhas das guerras travadas com as espinhas antes e durante o tratamento ficaram. Nada que um tratamento com ácido não resolva, mas agora só depois do verão, pois pretendo pegar as praias todas que aparecerem na minha frente, ha!

 

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(fotinha do depois, 0 maquiagens, para vocês verem. a luz tá boa, mas dá pra ver que tem marquinhas, né?)

1 semana depois do fim do tratamento (mais ou menos) o queixo já parou do despelar e a boca, minha gente, a boca que eu já tinha dado por perdida, voltou à vida! Não estava mais ressecada, nem despelando, nem rachando, nem sangrando. Foi uma felicidade só finalmente poder usar um batom novamente sem ficar aquelas peles horrorosas estragando tudo. As dores musculares demoraram um pouquinho mais para desaparecer, inclusive a lombar ainda dói um pouco, mas nada escabroso. A fascite, esse amorzinho, digivolveu para um forma mais dolorosa, que não passava com minutinhos depois de levantar. Coloquei gelo sempre que doía e comecei a malhar. Com o fortalecimento dos músculos da panturrilha, a fáscia parou de incomodar e o problema foi resolvido. Os nossos músculos sofrem um bocado durante o processo, então creio que a musculação tenha sido uma boa decisão, após o tratamento (durante é bem difícil se comprometer, tudo dói o dobro).

Com um mês do tratamento finalizado, refiz os exames e tudo deu perfeitamente normal. Assim como está a minha vida agora. Não tenho do que reclamar e sou grata pela oportunidade de fazer esse tratamento, que teve uma influência tão grande na minha autoestima. Novamente, repito aqui o que já falei nos posts anteriores: esses textos não têm a intenção de indicar o tratamento para ninguém. Quem indica é o médico, o dermatologista. É um processo bem sério e que não pode ser levado na brincadeira. A minha única intenção é a de dividir a minha experiência e, possivelmente, ajudar algumas pessoas que fazem esse tratamento ou que farão a saber o que podem esperar pela frente. Apesar dos vários efeitos colaterais, nada foi dramático a ponto de influenciar a alegria do produto final. Para mim, não há nada como se sentir bem na sua própria pele e, se você tem acne, eu indico fortemente que procure um profissional e trate-se, pois essa doença não é tão levada a sério (talvez porque ninguém morra disso), mas como toda doença de pele, é muito incômoda e danosa ao bem estar da pessoa.

Nessa tag eu contei toda a minha experiência e o que eu passei. Cada corpo, cada organismo reage de um jeito e isso aqui não é necessariamente o que vai acontecer com você – a bula do remédio tem todas as possibilidades, como sabemos. Mas pode ser que seja, então estou aqui para ajudar, dividindo o meu conhecimento de causa. Se tiverem dúvidas ou comentários, não hesitem em deixar aí embaixo. Vou responder todos no meu tempo (que algumas vezes não é lá essas coisas, admito), mas responderei! Toda a sorte do mundo a quem estiver nessa batalha e vamos em frente!

Da rotina

Desculpe a ausência

Hi, Life. I brought you some flowers.

Perdi as contas de quantas vezes ensaiei escrever esse post. Acontece que uma vez que caímos nas graças da nossa amiga inércia, fica muito difícil voltar às boas com a nossa produtividade. Além do quê, a minha vida não está ajudando. Ela está muito complexa para ser reportada. Desde agosto tem acontecido nada além de novidade em cima de novidade, mudança em cima de mudança. Umas boas, outras nem tanto, todas fazendo com que eu me movimente desconfortavelmente de uma rotina para outra num piscar de olhos. Eu já disse a vocês o quanto eu odeio mudanças? O quanto eu tenho preguiça de criar novas rotinas e fugir do que eu já sei que dá certo? Pois bem, então vocês podem imaginar a quantas não anda a minha cabecinha ultimamente.

Em novembro, finalmente, a poeira baixou e pudemos identificar, por cima, alguns mortos e feridos e outros sobreviventes ilesos. E chegamos à seguinte situação: estou atualmente desempregada, com algum dinheiro na poupança (obrigado, Deus, pelo fundo de garantia e pelas multas rescisórias) e com algumas poucas ideias de como fazer para seguir em frente. É a segunda vez que fico desempregada na vida – a última foi há 3 anos atrás (eu sei, não faz tanto tempo assim – umas das causas pelas quais odeio e amo trabalhar com publicidade). E o sentimento dessa vez é um pouco menos aterrador. Apesar do medo desse grande desconhecido chamado possibilidades, atualmente estou um pouco mais confiante de que tenho bons caminhos pela frente. Isso não quer dizer, claro, que não me bata uns ataques de ansiedade de vez em quando, nos quais eu tento respirar fundo e me controlar, dizendo que vai dar tudo certo, de uma forma ou de outra. Eles batem, mas estou lidando bem com isso. Sei que tudo acontece por um razão e, possivelmente, Deus queria me dar um tempo para realinhar meu rumo. E será isso que eu farei.

Estou, aos poucos, trazendo alguns projetos meus de volta à vida. Um deles é, finalmente, tomar as rédeas da minha alimentação e do meu físico em geral, que não anda bem e, nesses meses de loucura, desceu mais ladeira abaixo ainda, se é que isso era possível (era). Jamais estive tão gorda na vida e não estou feliz com isso e tampouco meu corpo está lidando bem com o sobrepeso. Portanto, abracei com vontade a meta de perder 10kg em 3 meses, voltando ao meu IMC saudável, assim. Estou fazendo escolhas melhores, me hidratando bem, indo à academia e tentando ser mais ativa, de modo geral. Meu boy queria que eu compartilhasse esse projeto aqui, como uma categoria à parte e fizesse um auê sobre isso, mas sabe? Não quero. Deus sabe quantas dietas e projetos eu já comecei e, realmente, é ótimo ter pessoas pra cobrar. Mas, sei lá, simplesmente não encaixa com o que eu estou vivendo no momento. Estou em descoberta comigo mesma e sinto que a única força de que preciso está dentro de mim e todo esse buzz externo pode me incomodar e atrapalhar. Portanto, devo compartilhar algumas coisas sobre essa empreitada no meu instagram e twitter (e até aqui, no blog), porém nada muito detalhado, provavelmente.

O blog, também, é um projeto a que quero dar mais atenção. Ele é sempre deixado de lado nos momentos difíceis, o que é um absurdo, mas é como eu atualmente lido com as coisas. Mas, bem, vamos mudar isso? É o que eu desejo e, com alguma sorte, aparecerei mais vezes, para tratar de assuntos mais amenos. Quero voltar a estudar francês, quero fazer alguns cursos para a minha área de trabalho, quero limpar o quarto da bagunça de uma vez por todas, quero ler os livros abandonados na minha estante, quero viajar. São muitos projetos, até. E talvez seja isso que me fez ficar paralisada por um tempo. Assim, estou retomando cada um deles aos poucos. Comecei com a alimentação saudável e os exercícios, pois me pareceram os mais importantes. Agora estou aqui, dando alguma atenção ao blog. E, passo a passo, vou reorganizar minhas prioridades e fazer andar, novamente, o trem da minha vida.

Queria muito ser dessas pessoas que partem de uma para outra em um piscar de olhos. Infelizmente, não é a minha. Meu mercúrio em touro (desculpem pessoas que odeiam astrologia, apenas sigam em frente) tá aí pra dizer que a minha lentidão não é invenção minha. Eu demoro a entender, de verdade, o que está acontecendo – embora seja boa em fingir que tá tudo lindo, tá tudo belo e tô sacando a porra toda. Porém, parte dessa ‘demora’ é relativa ao meu entendimento de que as coisas simplesmente não se resolvem do dia para a noite. As reações às ações não são bombásticas e rápidas como acender uma dinamite. Acredito que a vida seja mais parecida com as transformações da fermentação na massa de um pão. Leva mais tempo para a gente saber qual vai ser o resultado final. Assim sendo, eu espero um pouco mais para chegar à uma conclusão sobre os acontecimentos da vida. Tudo é complexo, nada é apenas ruim ou bom. Para todo riso, há uma lágrima – para todo ponto, um contraponto.

Mas, bem, rápido ou não, aqui estamos. Obrigado a vocês quem continuam vindo aqui, não importa quantas teias de aranha se acumulem. Vocês são incríveis e dias melhores (ou mais simples) virão. E uma melhor versão de mim também.