Instagrão

  • a weekend thing
  • No tava crendo no quanto o mar estava maravilhoso dahellip
  • kombucha  morango  gengibre
  • quando a tpm fala mais alto e a sua amigahellip
  • nosso menino de v
  • meu de estimao
  • Que experincia incrvel! Nunca pensei que eu era uma perahellip
  • beautiful coffee stay with me
Opiniões que ninguém pediu

Não faça o que você ama (plus wallpaper)

18 de fevereiro de 2015

dontdowhatyoulove2

Ou: porque você pode ser feliz sendo caixa da padaria e fotografando nas horas vagas.

Tava aqui, de bouas, lendo um post da Sernaiotto, quando vi o último item da lista dela, que falava ser uma balela essa história de que quem trabalha com o que ama não vai trabalhar nenhum dia de sua vida. E, cara, quis chamá-la pra tomar um chá, abraçar, pedir pra ser amiga. Porque eu não poderia concordar mais, nem se eu quisesse. Porque não é possível. Essa conversa mole de “faça o que você ama” já vem me dando nos nervos há um tempo e por causas muito mais pessoais do que eu gostaria que fosse. As pessoas juram que trabalho vai deixar de ser trabalho só porque você gosta ou sabe muito um determinado skill. Mas deixa eu te contar a boa: não deixa. Inclusive, meter o que tu ama no meio da labuta diária pode matar o seu amor. Pra ilustrar, vamos ao meu causo (não) (talvez) dramático .

Eu era, aos 15 anos de idade, uma jovem que já sabia o que queria fazer da vida. “Eu sei escrever, eu gosto de falar, jornalismo, certo?”, concluí rapidamente, enquanto alguns testes vocacionais me indicavam pra área de humanas – porém, lembro deles indicarem Direito e coisas parecidas. Eu não estava com nenhuma vontade de estudar Direito, uma vez que já tinha enfiado na minha cabeça que seria jornalista de QUALQUER JEITO. E, creiam, quando eu encasqueto com uma ideia, não é pouca teimosia não, é uma multidão de jumentos empacados. Daí, quando chegou o momento, prestei vestibular. Não passei de primeira. Me matriculei num cursinho, estudei my ass off e prestei novamente. Dessa vez passei e pude, enfim, dar início ao que eu havia me decidido tão firmemente por fazer desde pirralha e com poucos neurônios maduros com que contar. E é aí, gente, aí que vem o meu drama. Eu ADORAVA escrever. Adorava, era uma das coisas que eu realmente sabia fazer e fazia sem esforço. Vejam bem, não estou dizendo que não sei escrever agora – de qualquer forma, pontuarei sobre o meus status quo mais pro final do texto. A questão é que eu TINHA uma veia literária. Talvez não boa o suficiente, talvez precisasse de aparas e amadurecimento, mas eu tinha. Só que aí veio a faculdade. E veio notícia, nota, crônica, conto, reportagem, perfil, resenha, crítica e tantos outros gêneros que as pessoas gostam de inventar. E o que era livre, teve de ser moldado, para encaixar naquelas categorias que queriam que eu escrevesse. E, aos poucos, a vontade de escrever, em mim, foi morrendo. Bem como meu amor por jornalismo.

Do meio para o fim do curso, eu já sabia que não queria trabalhar com jornalismo, mas acalentava a ideia de que seria feliz escrevendo para uma revista. Obviamente, esse é um daqueles sonhos longínquos que você sabe que nunca vai rolar, mas que servem para que você não jogue sua moral na sarjeta. Serviu para que eu não achasse que meus 4 anos de estudo foram jogados no lixo, total e completamente, com a minha falta de vontade em trabalhar infinitas horas por dia e receber uma mixaria que não daria sequer para eu comprar pastel, todo dia, na volta pra casa (não que eu faça isso hoje em dia também, mas enfim). Terminei trocando de área, fugindo pra publicidade, porém para a área de produção de conteúdo, que é uma área que eu gosto – mas, por envolver criação, sempre rola uma pressão. Que eu não estava muito afim de sentir e com a qual eu não estava lidando bem, por uma simples razão: fazia MUITO tempo desde a última vez que eu me sentira criativa. Eu sequer sabia o que era isso, mais. Inclusive, muitos de vocês acompanharam os hiatus longos do finado Maçãs Verdes e alguns sabem da minha saída da Revista 21 (que eu amava, mas não conseguia alimentar, por falta de vontade, por falta de inspiração, por falta de mim). Não foi brincadeira e eu jamais me senti tão longe da minha essência quanto quando não conseguia mais colocar meus sentimentos e pensamentos em palavras. Então, quando rolou uma oportunidade de sair da área de conteúdo (e parar de ter que lidar com a minha falta de criatividade diária), para uma área de análise de DADOS (sim!), eu abracei com felicidade essa oportunidade. Abracei feliz e abraço, até hoje, porque apesar de não ter sido o trabalho com que eu sonhei nos meus 15 anos de idade, é um trabalho que me deixa satisfeita e que me ajuda, por incrível que pareça, a recuperar algo que eu achei irrecuperável: meu eu criativo. Vejam bem: meus chefes são legais, meu trabalho era legal, mas estar naquela área me mantinha longe do que, inicialmente, era meu ponto forte. Eu não contava mais com a minha super habilidade. E isso, era complicado, porque aquele skill não era importante apenas para o meu trabalho, mas também para a minha felicidade pessoal.

Por trabalhar em uma área bem diversa do que eu inicialmente fazia – que era, basicamente, escrever – eu comecei a sentir, de novo, a vontade. A vontade de colocar meus pensamentos no papel – ou na tela de um blog. Com toda a liberdade que eu mesma me oferecia. Claro que foi um processo longo – levou, pelo menos, um ano para que eu abrisse esse blog, que tem uma linha editorial BEM mais aberta do que o meu antigo, justamente para não podar nenhuma ideia legal que eu quisesse botar em prática. Eu ainda sofria bloqueios longos e me sentia uma farsa, mas estava melhor do que tinha estado nos últimos 5 anos. Aí, com a abertura desse blog, eu me senti eu mesma como eu não me sentia há tempos. Livre pra criar, livre pra compartilhar, livre pra ser. Tive vontade de escrever sobre tudo, sobre todos – com alguns momentos de calmaria. A minha veia literária, bem, essa ainda não voltou, embora eu esteja calma e despressurizadamente (ha!) trabalhando nisso. Um dia ela volta e, se ela não voltar, tudo bem. Porque, ao menos, recuperei minha vontade de escrever. E, assim, me recuperei.

Então, o que eu digo pra vocês é: não forcem a barra para trabalhar com o que vocês amam. Não achem que isso vai mudar as suas vidas. Parece um conselho ridículo e do contra, mas é o conselho de alguém que quebrou muito a cara com isso. Uma habilidade especial, um hobby, é algo que, algumas vezes, é tão parte de você que é muito perigoso utilizá-lo pra ganhar a vida. É algo que, provavelmente, você não deve disponibilizar a outras pessoas que não a você. É uma afirmação delicada, claro, porque isso funciona para algumas pessoas – mas, a maioria dos casos de sucesso que eu observo é de pessoas que trabalham pra si, e não para os outros (o que ajuda, e muito, já que trabalhar pra si é bem diferente, uma vez você pode escolher com o que se trabalha e como se trabalha). Trabalhar para outras pessoas com as habilidades que te servem, muitas vezes, de válvula de escape, não é uma boa ideia e pode matar o seu gosto por aquele hobby. Afinal, era uma coisa que você fazia livremente, do jeito que você curtia, e agora você vai ter que fazer segundo as ordens de quem paga seu salário. Claro, pode dar certo. Mas pode não dar – e as chances de não dar são bem grandes. Novamente, não aconselho.

Além do quê, essa campanha não leva em conta que há pessoas que simplesmente não têm condições de fazer o que amam profissionalmente e, por conta do ‘do what you love’, acham que nunca vão ser felizes. Vocês acham que isso é justo, quando gostar do que se faz é uma exceção, e não uma regra? E principalmente quando não é um pré-requisito para ser bem sucedido e satisfeito com a vida? Eu não acho. Acho desnecessário e, até, meio errado.

Uma coisa importante, que precisa ser pontuada: você pode ser feliz trabalhando em algo que não é a sua habilidade principal. Acho que ouvi falar que Eistein, quando estava querendo ter ideias, ia trabalhar com algo bem diverso da sua área principal de conhecimento – tipo, lavando pratos, ou coisa assim. Seja verdade ou não, acho que a ideia funciona, porque além de você estar ganhando o seu pão, conhecendo gente legal e aprendendo novas coisas, você também está deixando aquele campo do seu cérebro livre só pra o que você mais ama fazer, e não para o seu trabalho. E isso, gente, não torna o trabalho nem um pouco mais chato e, muito menos, secundário. Lembra que ele é seu único trabalho e o que você ama é seu hobby? Pois é. Você vai se dedicar ao seu trabalho com todo o seu empenho, mas ele continua sendo seu trabalho. Algumas pessoas acham que é preciso amar o que se faz, para ser dedicado ao trabalho. Mas eu acho que não. Acho que o senso de responsabilidade e também a vontade de se sair bem, não importa o que você esteja fazendo, will do the job. Porém, no seu tempo livre, não é trabalho que você vai fazer. Vai ser o que você ama. E eu acho essa divisão entre o que se ama e o que se faz para ganhar a vida maravilhosa. Porque impede que as pessoas tenham a (outra) péssima ideia de que é preciso viver pra trabalhar e não trabalhar pra viver.

Eu, particularmente, adoro o que faço na minha área, analisando dados e distribuindo conclusões – e me sentindo muito Sherlock, algumas vezes. Gente, trabalho é trabalho. Você vai lá, faz amizade, entrega resultados, recebe seus dinheiros, paga suas contas e é isso. Trabalho é algo necessário, mas não é algo que você precisa amar. Gostar, sim. Amar, não necessariamente. Você pode – e deve – amar outras coisas. Não há nenhuma necessidade de amar em horário comercial, porque você pode chegar em casa e fazer o que você ama. Você pode separar o fim de semana para fazer o que você ama. Você pode arranjar um emprego fodástico em que você receba muito e trabalhe pouco e tenha ainda mais tempo pra fazer o que você ama. Do seu jeito, no seu tempo. Como deve ser.

Minha dica? Não se martirize mais com essa bobagem de fazer o que se ama. Se você trabalha com o que ama e é feliz assim, ótimo, ponto pra você. Mas, se não, procure algo que você saiba fazer, que lhe ofereça um salário razoável, uma qualidade de vida decente e um ambiente de trabalho tranquilo. E vá lá, dê o seu melhor, tendo sempre no seu coração a chama da sua paixão, que pode ser música, literatura, pintura ou bancar a Ana Maria Braga nas horas vagas. Você vai ser feliz. Eu, pelo menos, estou sendo.

———

Fiz alguns wallpapers, inspirada pela ideia de não fazer o que se ama para ganhar a vida e estou disponibilizando para vocês. Para baixar, basta clicar na imagem! (:

dontdowhatyoulove dontdowhatyoulove2 wallpapercelular wallpapercelular2

  • Reply
    Ana Rodarte
    18 de fevereiro de 2015 at 10:27

    Adorei os posts! Vi um post maravilhoso, há mais de um ano, sobre como essa ideia de “Do What You Love” é super segregadora também. Cara, sem querer, essas pessoas diminuem as faxineiras, as cozinheiras da escola, os zeladores e tantas pessoas que não cresceram pensando que exerceriam essas profissões, sabe? E aí, de repente, essas pessoas não podem ser felizes? Poxa vida! Há diversos caminhos na vida, sabe? Isso tudo é tão orgânico e imprevisível, e as pessoas na pretensão de sair distribuindo skills para a vida toda. A gente precisa compreender, primeiro, sempre.

    • Reply
      Amanda
      18 de fevereiro de 2015 at 10:32

      Pois é. Acho incorretíssimo ligar a ideia de trabalho a felicidade. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Elas não dependem uma da outra pra acontecer. Acho que as pessoas exigiriam muito menos de si mesmas se soubessem disso.

  • Reply
    Marília
    18 de fevereiro de 2015 at 17:45

    Olá, tudo bem?
    Nossa, me identifiquei demais com esse post!
    Passei por essa crise no ano passado, em que deixei de fazer várias coisas de que gostava (como escrever, oi!) porque peguei ‘birra’ disso por conta de trabalho. Agora estou ‘recalculando a rota’ e tentando outras coisas, porque me sinto meio perdida sem essa ‘habilidade especial’. Vi uma frase uma vez que, se eu tivesse visto antes de entrar para a faculdade, teria mudando completamente a minha vida, que é algo como ‘Ame o que você faça, e não faça o que você ama’. Agora o jeito é correr atrás do prejuízo, né? ^^
    Bjs

  • Reply
    Ananda
    18 de fevereiro de 2015 at 18:06

    Esse é o momento que te mando um e-abraço pelo alivio. Precisava ler isso, acho que nada veio em tão boa hora. Porque essa sou eu, estudando pra concurso público ao invés de ralar pra passar na faculdade de biologia, segurando um diploma de gestão ambiental. Não que eu não queira trabalhar na área, eu ainda quero apesar das sujeiras que eu sei que existem, e do desanimo que eu sei que vai conviver comigo, e da dificuldade que é fazer algo certo num país de errados, mas sim, acredito que o lugar que você é você e faz o que quer e segue seus ideais não é no trabalho. Paixão fica pro hobbie, o trabalho taí pra sustentar a vida social que ainda não conseguimos derrubar. Enquanto isso a gente fica sendo livre e feliz no tempo livre.
    Muitos amores pra você.

  • Reply
    Carolda
    18 de fevereiro de 2015 at 18:11

    Amigue, venha cá me dar um abraço, bem apertado, que texto lindo <3
    É bem isso aí. Cê falou tudo, tanto que nem sei mais o que dizer. Tó um beijo :*

  • Reply
    Láisa
    19 de fevereiro de 2015 at 15:06

    Amanda <3

    Não pare de escrever, jamais!
    Historia da minha vida: eu entrei em Design porque eu gostava de desenhar… e foi a primeira coisa que eu parei de fazer quando entrei na faculdade. Porque meu traço não chegava aos pés dos meus coleguinhas que arrasavam desenhando mangás, e eu não curtia fazer texturas metalizadas, não era a minha ideia de diversão. Quase larguei o curso, eu pensei em fazer Direito, mas queria muito viver rodeada de cores e lápis =P e desisti do plano B. Estou no último período da faculdade, mas resolvi que quero desenhar sim, e vou fazer um curso técnico, a fim de aliar desenhar (porque eu quero fazer isso, eu gosto) mas atrelando ao lado comercial, que a faculdade me ensinou e que eu gosto.

    Concordo muito com você, eu sempre achei que transformar seu hobby num ganha pão é tipo se prostituir rs, porque você vende seu tesão…e uma hora isso te faz odiar aquilo que amava.

    Eu estou com saudades de vc, sua linda <3 Beijos

  • Reply
    Camilla Gonçalves
    20 de fevereiro de 2015 at 16:03

    Que texto maravilhoso!
    Já fui julgada por não amar meu trabalho. Eu estou exatamente onde gostaria, mas não é o que eu mais amo. Nunca vi problema nisso porque eu sempre encarei o trabalho apenas como minha forma de sustento. Minha paixão eu derramo em outras coisas no meu tempo livre, que só posso aproveitar por causa do trabalho!

  • Reply
    Luane
    20 de fevereiro de 2015 at 23:21

    Achei muito boa essa reflexão (acabei de ler o post para a minha irmã de 13 anos e espero não ter abalado os sonhos dela, rs). Também sempre amei escrever e cheguei a pensar em fazer Jornalismo, mas isso de “escrever em moldes” me incomodava um pouco. Lembro de ter lido um desabafo no Maçãs Verdes sobre a sua “decepção”, e devo dizer que o depoimento de uma jornalista ” não deslumbrada” me ajudou a ter mais certeza de que não era isso o que eu faria (então, Mandy, muito obrigada!).

    Fui fazer Letras e comecei a trabalhar com produção de conteúdo. Apesar de não ter perdido o gosto pela escrita e gostar muito do que eu fazia, minha veia literária para textos pessoais também se abalou um pouco e eu quase fechei meu blog, também. A verdade é que, se a gente passa muito tempo fazendo alguma coisa por obrigação, não vai se sentir tão inclinada a fazer isso no tempo livre. Triste, porém verdade. Só pra dizer que entendo perfeitamente a sensação que você mencionou.

    Enfim, concordo com os seus argumentos. Se a pessoa consegue ser feliz trabalhando com o que ama, é um bônus e tanto, e parabéns pra ela! Mas não precisamos seguir isso para sermos felizes. Mesmo porque, se fosse assim, as gerações anteriores que seguiam profissões previamente determinadas nunca teria inventado o conceito de felicidade, não é? 😉

    De qualquer forma, estou amando seu blog novo e, mesmo sem te conhecer pessoalmente, acho que você está mais livre e “alto astral” do que nunca!

    Um beijo – e desculpa pelo comentário gigante.

  • Reply
    Ciby
    21 de fevereiro de 2015 at 06:07

    Perfeito. Eu sou assim. Gosto do meu trabalho, ele me dá a segurança financeira de que preciso para não surtar. Dou o meu melhor no trabalho, mas minha paixão mesmo são as artes. Eu brinco com meus amigos que sou uma artista frustrada e já vi os olhares destes mesmos amigos me condenando por trabalhar por dinheiro e desperdiçar meu “talento”. Mas agora, depois de ler seu texto, minha concepção mudou e eu estou certa de que fiz a escolha correta. Sei que se eu fosse trabalhar com minha arte, cantar, dançar…ser a artista que desde criança eu tive tal “veia”, mas ganhando a mixaria e sendo desvalorizada como vejo meus amigos artistas sendo…eu iria ser mto infeliz. Hoje eu vou lá, bato ponto, trabalho, final do mês ganho o meu… e pago aulas de música pra aprimorar minha técnica. Tenho meus instrumentos e devagarito, sem pressão, sem cobrança de “preciso tocar na praça e passar o chapéu pra poder comer”, vou curtindo esse meu gosto. Deixei como hobby minha paixão, e deixei o trabalho no lugar dele.. que é só um trabalho. Obrigada por nos brindar com este texto. Um abraço apertadooooooooo. <3

  • Reply
    Paloma
    21 de fevereiro de 2015 at 16:45

    Adorei o texto, Amanda. Todas as vezes que tentei começar “projetos” e de alguma forma transformar minhas paixões em obrigação, tudo deu errado e a paixão sumiu em dois minutos. Na profissão, não segui o coração (segui o bolso, o que também não é bacana), mas infelizmente não é uma coisa que eu faça com gosto. Você ressaltou bem: não faça o que você ama, mas faça algo de que você goste. Trabalhar com algo que você odeia também é insuportável. Independente disso, uma coisa é super verdadeira: gostando, amando ou odiando o que você faz, ainda é possível ter sucesso. Odiar não significa que você não possa ser bom naquilo e o sucesso vem, principalmente, do comprometimento — algo que é necessário não importa o que você faça.

    Adorei os wallpapers, baixei um e estou usando no celular. Estou tentando me cercar de frases inspiradoras.

    Beijos!

  • Reply
    Lari
    21 de fevereiro de 2015 at 19:44

    Deve ser por isso que cansei tanto do jornalismo. Doei algo que eu amava, que era escrever, mas não recebi nada em troca. Me identifiquei com você.

  • Reply
    Mariana
    22 de fevereiro de 2015 at 15:05

    Nossa, estava falando disso ontem mesmo! Também estou tentando recuperar meu hobby (ler), estragado pelo trabalho. E uma coisa que sempre me vem à mente é que muitos grandes escritores, por exemplo, tinham empregos vistos como chatos ou abaixo do nível intelectual deles, e isso não impediu que eles atingissem seu melhor naquilo que gostavam – deve ter ajudado, na verdade. Quantos trabalhadores subvalorizados a gente pode ter encontrado sem saber que nas horas vagas eles são muito bons em um hobby?
    O lema “faça o que ama” mais parece propaganda de banco. Um negócio todo sentimental escondendo um contexto selvagem.

  • Reply
    Allan
    22 de fevereiro de 2015 at 18:23

    Por que não li isso antes :'( Adorei o post, refleti muito e coloquei muitos pensamentos para serem refletidos.

  • Reply
    Wesley
    22 de fevereiro de 2015 at 23:51

    Amei seu texto!
    Essa história de fazer o que se ama é meio sufocante, parece pecado dizer que o trabalho não é uma das nossas paixões. Meu caso é bem parecido com o seu, me formei em publicidade, mas perdi o encanto pela profissão por ‘n’ questões e hoje estou me reencontrando em algo completamente diferente e colocando minha profissão apenas como um ganha pão.
    As vezes é difícil, mas como dizem, não da para ter tudo.

  • Reply
    Bianca
    23 de fevereiro de 2015 at 11:46

    Como eu não tinha lido isso ainda? Argh! Como alguém que também trilhou (e continua trilhando, porque né) o caminho da indecisão, não tem como discordar desse texto. Isso de transformar hobbies em trabalho/obrigação é extremamente sorrateiro e atrapalha demais a vida. No meu breve stunt como web designer freelancer, eu percebi isso. Uma coisa que era minha forma de expressão virou um fardo – e olha que eu sou muito paciente e educadinha para lidar com clientes. Só que esse esquema de ter de adivinhar o que as pessoas querem (porque, convenhamos, às vezes as especificações vem meio vagas e furadas) e depois ter de ouvir “muda isso, muda aquilo, ah, quer saber? muda tudo logo de uma vez” acabou me corroendo por dentro. Resolvi ficar na minha e dar um tempo com isso, e estou aos poucos retomando minha veia criativa – estou longe de voltar ao que era antes, e não mudei de área completamente como vc, mas encontrei algo que me desafia e me deixa satisfeita, mas que não se mistura com meus hobbies. Minha criatividade voltou a ser uma coisa só minha, e por enquanto está bom assim 🙂

    Beijos!!

  • Reply
    Hilda
    23 de fevereiro de 2015 at 14:20

    Eu gostei do seu texto e entendo seu ponto de vista.
    Mas imagina o contrário: você trabalhando com algo que odeia. Eu odeio contabilidade e trabalhei com isso durante dois anos rssssss
    E hoje não vou dizer que odeio, mas trabalho com algo que eu nao gosto. Mas vou tocando o barco por causa de grana. De certa forma seu texto me ajudou a tirar um peso de culpa dos ombros por trabalhar com o que nao gosto. Acho que um meio-termo seria o ideal. Ainda sonho com o que vc definiu “trabalhar pouco, ganhar muito, ter qualidade de vida e um ambiente tranquilo”. Ainda não achei um local assim, mas vou continuar procurando.
    Abraços e parabens pelo texto.

    • Reply
      Amanda
      23 de fevereiro de 2015 at 16:30

      Hilda, não trabalhar com o que se ama não significa trabalhar com algo que não se curte, certo? Aqui eu falo de evitar trabalhar com a sua paixão, porém não estou indicando a ninguém que se trabalhe com algo que não gosta ou odeia. Eu, pelo menos, tenho várias áreas de interesse e acredito que muitas pessoas sejam assim também. A ideia é escolher uma de suas áreas de interesse e investir nela como seu trabalho, e não a sua paixão. (:

  • Reply
    Simone Medeiros
    23 de fevereiro de 2015 at 16:23

    Amanda, você escreve super bem e é realmente muito triste que em jornalismo (principalmente aqui em recife) se pague tão mal e se cobre tanto (é, precisamos ser multi). Mas minha experiência diz que, independente das cobranças, dos moldes a serem seguidos e dos baixos salários, é preciso sim amar o que se faz.

    Você não imagina o quão insuportável é precisar lidar com algo que se detesta fazer…exemplo claro disso é lidar com burocracia e com coisas que não te trazem entregas que podem ser vistas ou sentidas.
    Quando eu escrevo um texto, por mais que fique chateada por ter sofrido ou demorado muito para escrevê-lo, isso logo passa quando encontro alguém que leu e faz algum comentário sobre ele. Aí eu já ganhei o dia.
    Digo a você que prefiro mil vezes infinitas trabalhar e ser pressionada por algo que eu gosto e sei fazer a ser encurralada em uma série de atividades que eu detesto fazer e nunca quis pra mim. É terrível.
    Trabalho é trabalho em todo lugar mas eu realmente não sei quem prefere passar esse longo tempo que se fica longe da minha família e longe de casa fazendo algo que não gosta. Não sei se é por aí.
    Eu queria sim ter mais tempo…para trabalhar mais e colocar mais planos em prática e também viver mais com os que amo. Mas acho que assim como a sua, a minha opinião é bemmm pessoal e a gente se identifica ou não, deve ser bem por aí.
    Beijos e sucesso na jornada.

    • Reply
      Amanda
      23 de fevereiro de 2015 at 16:30

      Simone, oi! Veja bem, quando eu digo para não fazer o que você ama, também não quero dizer pra fazer o que você detesta. Eu acredito, pelo menos, que seja possível gostar de mais de uma coisa na vida. Eu gosto de várias, mas minha grandiosíssima paixão é a escrita. E, para mim, não valeu a pena sacrificar minha criatividade no meu ganha-pão. Eu jamais trabalharia nem indicaria ninguém a trabalhar com algo que não goste. Tanto é que, no meu conselho final, eu digo que a pessoa procure algo que goste – veja bem, goste, não ame – e se jogue nisso. Mas jamais em algo que deteste. Não é saudável nem legal e a pessoa vai ser infeliz do mesmo jeito.

    • Reply
      Ariane
      23 de fevereiro de 2015 at 16:32

      E não é que eu escrevia essas mesmas coisas aí embaixo enquanto vocês conversavam sobre isso? Que coisa. rs (hahah dei reply no lugar errado! rs)

  • Reply
    Ariane
    23 de fevereiro de 2015 at 16:29

    Amanda, que bom ler isso!

    É uma coisa que a gente sabe, que a gente conversa sobre, mas no fim sempre se leva à pressão de fazer o que se ama, buscar o que se ama, e coisas do tipo.
    Fazia faculdade de Economia numa faculdade pública, larguei exatamente por não ser algo que “amava” e ainda me arrependo muito por isso. Hoje faço o que eu gosto muito (publicidade, sempre humanas rs), não chega a ser o que amo, e acho isso até bom, porque continuo gostando muito do curso e o uso como única e exclusiva fonte de aprendizado. Curto cada aula, cada novo conhecimento, cada desafio, sem a apressão de “ser uma publicitária”, pelo contrário, quero concurso público pra vida rs
    Mas uma coisa que eu acho muito interessante sobre isso, também, é que além desse ponto que você destacou, eu vejo o desenfreado “amor pelo trabalho”, de forma negativa até pra quem de fato ‘ama fazer o que ama’. Vejo pessoas que gostam tanto do seu trabalho que o levam pra vida pessoal, que não conseguem desapegar, e nem tô falando de workaholics, são pessoas que apenas não podem, porque não existe a linha do “onde começa meu trabalho e termina minha vida pessoal”. Acho triste isso.
    Hoje trabalho num local pelo qual não tenho o menor vínculo, mas aprendi a não associar isso ao fato de não amar o que faço, mas dar o azar de estar num lugar onde eu não tenha me identificado com o pessoal e o trabalho, e acho que esse também é um ponto importante a destacar: não é porque você não deve amar o que faz que você tem que se contentar com qualquer bosta de trabalho só porque te paga bem.
    O difícil está exatamente nisso, achar o meio termo, aquilo que você não odeia, mas não te tira de você.

    E seguimos procurando, né?

    Desculpa escrever demais. Beijos!

    • Reply
      Amanda
      23 de fevereiro de 2015 at 17:08

      Ariane, pode escrever o quanto quiser, esse espacinho aqui é seu! <3
      Realmente, como eu disse ao fim do post, acho que o ideal é um local com uma turma boa, um bom salário e fazendo algo que você curta, embora não ame. Assim, acho que dá pra levar o trabalho sem ser um peso, mas também sem ser a parte mais importante da sua vida. (:

  • Reply
    Priscila
    23 de fevereiro de 2015 at 18:20

    Minha fia,
    vem aqui me dar um abraço, rs.
    Nem lembro como cheguei aqui, foi link de alguém, que linkou outro.
    Mas essa história que vc escreveu aí… É A MINHA VIDA!

    Sou jornalista também, comecei em assessoria de imprensa, já fui repórter, redatora and fotógrafa.
    …e agora trabalho com jornalismo e marketing.

    Perdi completamente a vontade de escrever, total mesmo! Uma pena essas regras todas, né? Acaba com nosso âmago de escritora muito fácil.
    Tenho vontade de partir para outra(s) área(s). Quem sabe… Me sinto melhor sabendo que não sou a única ‘jornalêra” desiludida.

  • Reply
    Simone Medeiros
    24 de fevereiro de 2015 at 11:40

    Mulher, eu falo por mim…amo tudo o que faço e realmente não sei se viveria feliz fazendo outra coisa.
    No trabalho, na vida, no amor…preciso realmente me entregar…esse “meio termo” não tem graça. Mas bem…opiniões são opiniões e casos de vidas são casos de vida.
    Eu não saberia trabalhar em algo que não ame e graças a deus venho sendo recompensada profissionalmente por isso. Desejo muito sucesso a você e amor (seja no que for) nunca é demais em qualquer coisa na vida.

  • Reply
    Anna
    25 de fevereiro de 2015 at 21:35

    Ei Mandy!
    Li esse texto logo quando você postou, mas não tinha comentado até agora porque tenho thoughts a respeito que queria escrever com calma e até então não tinha surgido a oportunidade.

    Eu concordo muito com você, mas em partes (?). Explico: eu acho uma besteira das grandes esse papo de que trabalhar com algo que a gente ama não é trabalho, porque eu trabalho com uma coisa que eu amo, que me inspira, escrevo sobre coisas que gosto e mesmo assim é trabalho. Eu amo meus alunos e adoro orientá-los, acompanhar as descobertas deles, mas se me perguntarem se quero trabalhar ou ficar em casa vendo Sessão da Tarde, eu vou escolher Sessão da Tarde. Eu faço frila escrevendo sobre música e filmes, duas coisas que eu amo, textos que eu provavelmente escreveria se não me pagassem pra isso, mas é trabalho sim. Tem dias que quero estar vendo o filme do Pelé ao invés de escrever, sabe? Pra mim essa coisa de trabalhos bacanas que a gente ama não são trabalho é uma falácia pra fazer a galera trabalhar muito sem ser remunerada direito, é papo de agência cool que acha que se colocar uns grafites e uma mesa de sinuca no escritório o funcionário não vai se importar de sair meia noite ou trabalhar de fim de semana.
    ENFIM.

    Também concordo com você que ser feliz com o que você trabalha não é tudo na vida. Acho possível você ter um trabalho com algo que você não é apaixonada e deixar a paixão pros hobbies. Já ouvi tantos relatos assim, o seu é mais um exemplo perfeito. Mas preciso dizer que isso não é verdade pra todo mundo. Aí falo do meu caso. Eu não conseguiria trabalhar com alguma coisa que eu não acreditasse. Acho que é mal de piscina (risos, eu me justificando com astrologia), mas não consigo separar muito o emocional do profissional, no sentido de que se eu não amar, nem que seja um pouco, nem que seja amar uma ideia, ou o resultado final que só vai vir depois, a coisa não rola. Ano passado passei por um período muito tenso na faculdade por causa disso: eu não tava gostando de NADA do que eu tava fazendo, e por isso não tinha vontade alguma de fazer qualquer coisa. E isso acabou comigo. Eu não tinha estímulo pra nada, não via propósito no que eu estava fazendo, e queria jogar tudo pro alto. Não é pra mim.
    Claro que era faculdade e não trabalho, e sei que se um dia surgir a necessidade eu vou trabalhar com algo que eu não seja apaixonada, mas acho difícil pensar nisso como um caminho à longo prazo.

    Apesar de ter uma experiência diferente, concordo 100% quando você diz que o amor por algo não determina o sucesso que você vai ter, e ganhar uma grana no fim do mês que te permita fazer as coisas que você ama já é uma super realização, né? Acho que cada um é cada um, e sinceramente, quem consegue separar essas duas esferas é bem mais feliz, hahaha.

    Beijos!

  • Reply
    Os Melhores de Fevereiro - FashiombudzFashiombudz
    26 de fevereiro de 2015 at 23:23

    […] “Não faça o que você ama” (“Ou: porque você pode ser feliz sendo caixa da padaria e fotografando nas horas vagas“): E a Amanda Arruda preparou um post mais que necessário sobre um tema bastante caro à geração Y. O “Do What Love” é um lema problemático. Ele não apenas pressupõe que as pessoas não serão felizes se não trabalharem com o que amam como também é bem distante da realidade. Quantas pessoas você conhece realmente trabalham com o que amam? Pedro Burgos já havia alertado para o quão segregadora esta ideia é neste artigo da Oene. E será que aqueles que não exercem atividades com as quais sonharam a vida inteira não podem ser felizes? Amanda acrescenta ainda que uma atividade que amamos pode ser massacrada pela rotina, e isto, meus caros, é frustrante. A moça preparou ainda um belo wallpaper sobre o tema! Vale o clique! […]

  • Reply
    Daniella J.
    27 de fevereiro de 2015 at 00:29

    Oi, Mandy!
    Eu li seu texto e o comentário da Anna aqui em cima e concordo com algumas coisas que ela disse, tipo, eu não consigo ir pra frente num lugar que não me inspira.

    Não acho que nada na vida funciona pra todo mundo, nem mesmo a frase ‘faça algo que ama e nunca terá que trabalhar um dia sequer na vida’.
    Pra mim isso funciona. Eu trabalhei por 5 meses num salão e foi o tempo suficiente pra eu meter o pé e ter uma prova pra mim mesma que eu precisava fazer o que eu gosto. Na verdade eu tenho na veia a coisa do empreendedorismo (que, diga-se de passagem, é muitíssimo diferente do ‘quero ser patrão’). Desde que me conheço por gente sempre quis ter meu negócio próprio e daí comecei a pesquisar algumas coisas. E não lembro quem foi que falou, mas ficou guardado na memória a frase ‘o trabalho te tem quase em 80% do seu dia durante a semana, como uma pessoa é capaz de fazê-lo sem amar?’. É tipo isso o que eu penso, sabe? Sei que isso entra no seu parâmetro de amar o que faz, mas eu já não vejo a vida assim. Eu não quero simplesmente trabalhar durante a semana inteira, pra ganhar um dinheiro no final do mês e me divertir aos fds. Eu quero me divertir a semana inteira fazendo o que gosto mesmo passando perrengue, e o dinheiro ser a consequência, resultado e recompensa de tudo que eu fiz durante a semana. Não me vejo seguindo o caminho que a maioria faz: se formar, entrar na área profissional e depois se aposentar. Eu quero ser mais que isso.
    Concordo também sobre o que a Loma disse, que depois que você transforma seu hobby em trabalho, ele vira compromisso. Mas em tudo na vida tem seus contras, né?
    Enfim, acho que é possível sim ser feliz fazendo seu hobby, mas, no caso, você tendo sua própria empresa, né, pq como você relatou, dentro de uma empresa você tem tantas cobranças que você acaba perdendo o amor por aquilo. Compreendo esse ponto tbm.
    No fundo, acho que o importante é ser feliz. Trabalhando ou não com o hobby, o importante é chegar em casa satisfeita pelo dia, né?
    Desculpa o comentário gigante rs

    PS: depois conheça esse canal que é sobre pessoas que largaram suas profissões pra fazerem o que gostam.

    Beijão! :*

    Obviamente, esse é um daqueles sonhos longínquos que você sabe que nunca vai rolar, mas que servem para que você não jogue sua moral na sarjeta.

  • Reply
    Daniella J.
    27 de fevereiro de 2015 at 00:31

    Esqueci de falar sobre essa parte que deixei no final ”Obviamente, esse é um daqueles sonhos longínquos que você sabe que nunca vai rolar, mas que servem para que você não jogue sua moral na sarjeta.”

    Nenhum sonho é impossível, viu? Corra atrás dele, mesmo se você achar que você não é capaz!!
    Agora sim, beijos!

  • Reply
    Pablo
    6 de março de 2015 at 16:19

    Amanda do céu… como é que eu não li esse post antes?
    Realmente, eu sempre acreditei que fazer o que ama 8 horas por dia e ainda ganhar dinheiro com isso seria maravilhoso, mas a gente esquece que aquilo não está sendo feito pra nós mesmos, e que temos que seguir ordens! É perigoso matar sufocado aquele amor que te fazia tão bem quando você não ganhava nada pra fazer.
    Não sou exemplo pra ninguém, mas há alguns meses saí do meu emprego justamente por isso. Estava parando de gostar da minha área de formação… estava me sufocando com aquilo.
    Ainda não estou 100% feliz trabalhando em casa, na empresa da família, até porque é difícil estar tão próximo dos problemas familiares 24 horas por dia, mas sei que ainda vou me encontrar.

    P.S. Amei os wallpapers! 🙂

  • Reply
    Ana
    27 de abril de 2015 at 20:26

    Acho que já passei por algumas situações na vida que me permitem dar um pitaco robusto sobre o tema, rs… concordo em partes com vc. Primeiro decidi trabalhar com o que eu amava (era um hobby sério que resolvi transformar em trabalho): tocar violoncelo. Estudei muito, mas MUITO para me profissionalizar. Larguei uma faculdade que não tinha mto a ver comigo – tb entrei no curso achando que era uma coisa, mas era outra – quase no fim pra me dedicar 100% à música. Consegui. Fiz concerto em NY. Conheci boa parte do Brasil e outros países. Mas por mais que eu amasse tocar violoncelo, o fator “filho-da-p*ta-em-orquestra” me fez brochar completamente. Comecei a ODIAR tocar, por causa do ambiente “batalha-de-egos” em orquestra. Meu corpo quis me forçar a parar de tal forma a ponto de ter surgido uma tendinite que só foi ser curada com cirurgia. Chegou num ponto em que me deu a louca e, por impulsividade, fui procurar alguma faculdade de outra área pra fazer.
    Pois bem, fiz. Na área da saúde, que eu tb sempre gostei. Mas lá pelo meio do curso, por mais que eu achasse muito interessante, eu comecei a não conseguir me ver trabalhando naquilo pois faltava alguma coisa.
    Então parei pra pensar: o que eu gosto de fazer? O que me deixa feliz? Fiquei me observando, perguntei pra amigos próximos, e a conclusão foi: eu gosto de aprender. Eu gosto de sentar a bunda na cadeira e estudar, estudar, estudar… por isso consegui fazer concerto em NY, mesmo contra todas as probabilidades (já que eu não estudava música desde que estava no útero da minha mãe, como boa parte dos meus colegas). E vi que o que estava me chateando na faculdade atual era a previsibilidade do conteúdo… coisas que eu já sabia pois havia estudado por conta própria, mais do mesmo.
    Então segui o instinto, continuei na faculdade e dentro dela comecei a me achar em outra área: pesquisa, ciência. Ter que sentar a bunda na cadeira e estudar, estudar, estudar… estudar pra tentar descobrir o que ninguém pode ensinar, porque ninguém sabe (ainda). Chego a passar madrugadas no laboratório montando reações e esperando os resultados com uma ansiedade de criança na véspera de natal, rs… e me vejo fazendo a mesma coisa daqui 40 anos, ainda com muita satisfação. E espero aos poucos voltar a tocar violoncelo, como um hobby.
    O que quero dizer é: dá pra fazer o que amamos, mas não o que amamos superficialmente. Eu AMO música, não vivo sem. Mas tem o sentimento que eu amo, que me alimenta, que é muito mais internalizado do que a música, e esse sentimento (é um sentimento? nem sei, rs!) em mim é a curiosidade. Enquanto eu alimentar minha curiosidade, sei que estarei feliz no meu trabalho. Não é o fato de buscar o que você gosta de fazer, e sim o que você é 😉
    Beijos!

Leave a Reply