Da rotina – Amanda Arruda
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Da rotina

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De peito aberto

Nobody knows what the road will give us untill it does.

Pra quem não sabe, fiz 27 anos na última segunda-feira. E, pra falar a verdade, não tinha grandes planos e interesses para a data. É engraçado como as coisas mudam com o tempo. Aniversários sempre foram algo MUITO importante para mim desde a mais tenra idade, porque era assim que as coisas eram na minha casa. Eu ansiava pelas comemorações, pelos presentes, por ser o centro das atenções por um dia inteiro – porque, afinal de contas, aquele era o meu dia. Aquele era o meu momento.

Com o passar dos anos, fazer aniversário passou a me trazer para um estado de espírito muito mais reflexivo que comemorativo. Será que eu estou fazendo tudo certinho? Será que o que eu conquistei está de acordo com o que eu já deveria ter conquistado a esse ponto? Será que eu estou amadurecendo e tomando atitudes acertadas, que condizem ou extrapolam a minha idade? A data, ao invés de um espaço para comemoração de mais um ano habitando a Terra, ao lado da minha família e meus amigos, se tornou um marco de cobranças. Mais um ano que se passara e eu ainda não tinha tomado vergonha e feito minha pós/emagrecido/começado a estudar uma nova língua/juntado um bom dinheiro na poupança/ construído um guarda-roupa que me orgulhe/ largado tudo pra viajar pelo mundo ou qualquer uma dessas coisas que nós e a sociedade achamos que todos devem fazer, mesmo que minimamente. Toda essa obrigação em ter resultados óbvios, práticos e produtivos passou a gerar um sentimento de falha com a chegada de cada nova data. Eu não estava, aparentemente, usando o meu tempo da forma correta. Não estava crescendo, não estava me tornando alguém melhor, mais inteligente ou mais bonita. Eu estava apenas existindo na Terra.

Or was I?

Esse ano eu resolvi abrir o meu coração e apenas abraçar a nova idade. Resolvi simplesmente aceitar. Aceitar o que quer que eu tenha feito ou não no ano anterior, as transformações que aconteceram ou as que eu desisti ou que jamais iniciei. Decidi aceitar que o que quer que eu tenha feito nessa volta inteira do planeta ao redor do sol foi bom o suficiente. Foi o que deu pra fazer, dentro das minhas possibilidades. Foi o que foi possível. E a verdade é que eu me surpreendi com a gama de sentimentos que me invadiu, mas o maior deles foi a gratidão. Eu fui sem esperar absolutamente nada, comecei o dia aceitando o mínimo e o mais simples, e a vida gritou SURPRESA na minha cara com tantos amigos aparecendo e dizendo que, sim, a minha existência adicionava algo na vida deles. Muitos eu não via há algum tempo, muitos eu vejo todos os dias e não apenas o fato deles lembrarem e me felicitarem por meu aniversário, mas o fato deles EXISTIREM at all me fez sentir grata. Me fez sentir feliz que, por mais que eu ainda não tenha achado uma dieta que eu consiga seguir, por mais que eu já tenha deixado os pratos sujos na pia por uma semana ou qualquer outra prova cabal da completa falha que eu sou como ser humano, eu continuo capaz de fazer amigos. E de mantê-los. E eu posso, na verdade, contar com eles. E eles comigo. E se tem algo mais valioso que o sentimento de pertencimento e segurança que a amizade nos traz, eu não conheço.

Isso me fez pensar que, o que quer que eu esteja fazendo em todos esses anos, eu estou crescendo em decorrência disso. Como pessoa, como ser humano, como alma caminhando nesse mundo. Tem dias que são mais difíceis, tem coisas que eu não consigo fazer, tem noites que chego em casa e só quero deitar na cama, fechar os olhos e esquecer de tudo. Eu tenho, sim, minhas limitações e defeitos, que me impedem de ser boa em coisas que a vida (e as fotos do Instagram de diversos perfis) mostra que outras pessoas fazem com facilidade. Mas é o que eu sou e, enquanto eu realmente acredito em evoluir e mudar diariamente, sendo sempre uma versão melhor do que fomos ontem, também acredito que a aceitação, na vida, é algo poderoso e importante. Inclusive, mais uma razão para ser grata: ter aprendido  e trabalhado em desenvolver, todos os dias, a aceitação. A aceitação nos faz ser mais gentis com nós e com as pessoas ao nosso redor. Eu, que não sou uma pessoa gentil por natureza (tenho uma personalidade muito mais propensa a julgar primeiro e entender depois, do que o contrário), reconheço que aceitar é um tarefa árdua, porque foi dificílimo pra mim. Mas também é tão importante, gente! E muda tanto a nossa vida. Apenas aceitar que a gente fez o nosso melhor e que não somos, necessariamente, responsáveis pelo o que virá depois. Aceitar que o outro está fazendo o melhor que ele pode e que, claro, algumas vezes não é suficiente, mas geralmente não é culpa de ninguém. Rir um pouco das nossas limitações e das limitações dos outros traz leveza e deixa os dias mais fáceis.

Então, confiando no que a vida me reserva, decidi que eu não tenho planos e pressões para a próxima idade. Claro que fiz algumas sugestões, anotadas num caderninho, de coisas que poderiam ser completadas nos próximos 365 dias. Mas são sugestões, apenas. A vida acontece todos os dias e muda os nossos planos, apesar dos nossos melhores esforços. Só nos cabe aprender, seguir e tentar ser o melhor que conseguimos com o que o dia nos oferece. Isso já é o suficiente. Isso já é razão suficiente para agradecer.

Da rotina

Um pouco mais de paciência

será que é tempo que lhe falta pra perceber?
será que temos esse tempo pra perder?
e quem quer quer saber? a vida é tão rara

Paciência – Lenine

Não é segredo pra ninguém que eu tenho brigado com umas crises de ansiedade que insistem em chegar e infernizar a minha vida. Também não é segredo que eu tenho pesquisado e tentado várias técnicas para controlar esse problema, que não chega a me impedir de fazer nada na vida (nunca tive ataques de pânico, por exemplo), mas que atrapalha os sentimentos e faz com que eu reaja às coisas de uma forma que não faz nenhum sentido para as outras pessoas envolvidas – e nem pra mim, uma vez que me acalmo.

E eu tenho uma coisa pra dizer a vocês: talvez eu tenha tentado demais. Eu praticamente criei uma ansiedade em relação à ansiedade, o que é definitivamente algo que eu não estava intencionando. Eu declarei guerra ao nó no peito, às preocupações, aos desconfortos todos que a ansiedade traz para a minha vida. Eu me decidi a resolver, a erradicar essa pedra do meu caminho. Porém, dia desses estava lendo sobre o bambu e como ele se flexiona às intempéries, sem jamais quebrar. E também sobre a água de um rio ou de um mar, que ganha das pedras não por tentar quebrá-las e passar por elas inteiro, mas por deixar dividir, para se juntar novamente mais na frente. E me perguntei se esse, afinal, não é o caminho. Se me ajustar ao meu desconforto não seria o que eu preciso na minha vida, atualmente.

A verdade é que a vida está repleta de desconfortos. Pessoas que incomodam, situações inconvenientes, aquela calça que pinica ou aquela comida de gosto estranho que um ente querido faz questão que você coma. Os desconfortos fazem parte da vida e enquanto ninguém quer dormir em uma cama encalombada, algumas vezes temos que aguentar um dia na calça que dá coceira. É chato? É sim. Mas não será o primeiro nem o último desconforto pelo qual passamos na vida.

Uma coisa que me ajudou demais a entender que o desconforto faz parte foi e é a meditação. Sento por 10 minutos com a minha mente cheia de preocupações e aprendo, diariamente, a aceitá-la do jeito que é – porém sem acreditar que necessariamente eu sou o que ela é. É chato, no mínimo, tentar focar na respiração e dar de cara com todos aqueles pensamentos que eu não queria pensar (alguns, inclusive, nada legais), mas o exercício de se desatarraxar daquilo e pensar que aquele é apenas um pensamento e não define quem eu sou é empoderador.  É um exercício de desapego e de frustração constantes, mas que vale incrivelmente a pena. Seus pensamentos não são você, você não é seus pensamentos. Assim como a minha ansiedade não sou eu. Não fui eu que decidi ficar nervosa sobre alguma coisa que nem existe – foi meu corpo, reagindo à loucura dos dias atuais. O que eu posso fazer agora é lidar. É respirar fundo, repetir uns mantras pra mim mesma e passar por isso. É entender a minha ansiedade como algo como que faz parte de mim, pelo menos por hora, mas não algo que me define como pessoa.

Acredito de verdade que toda situação pela qual passamos tem a sua lição a ensinar. Talvez a minha seja a da paciência. Há coisas que nem todos os nossos esforços mais focados podem mudar. Há problemas que apenas o tempo pode resolver. A vida não é um joguinho de sudoku, onde sempre há uma maneira de resolver o quebra-cabeça. Algumas vezes a gente tem que queimar para nascer de novo, a gente tem que quebrar para juntar o que sobrou e fazer uma melhor versão de nós mesmos. E de nada adianta tentar impedir o que precisa seguir seu fluxo. A vida segue seu caminho, como a chuva, que não vai voltar pro céu só porque a gente acha que não era o melhor momento para ela cair. O que nos resta é tirar o nosso guarda-chuva da manga ou, na falta dele, dançar na chuva. Paciência e a aceitação que vem com ela, é o que eu preciso conhecer. E parece que tentar, de todas as maneiras possíveis, resolver o problema não é a maneira com que a eu vou aprendê-la.

O que me resta é expirar, inspirar e tentar conviver, da forma mais harmoniosa possível, com o que me cerca. Nada dura para sempre, nem mesmo algo que nos incomoda.

Da rotina

Novas coisas que eu tenho tentado

Foto: onimaga

Sabem daquela máxima que diz que não podemos fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente? Pois bem, nesse comecinho de 2017 estou tentando aplicá-la na minha vida. Não estou fazendo mudanças radicais, mas sim pequenas e importantes. A minha impressão, ao fazer uma retrospectiva do meus últimos anos, é de que, em algum momento da estrada, eu me perdi. Eu me perdi e segui em frente, como se nada houvesse acontecido, sempre na loucura do momento, sempre focada no próximo grande problema a resolver. E agora eu não sei para onde eu quero ir, porque eu simplesmente perdi algo muito importante lá atrás e sem o qual eu não consigo definir absolutamente nada na minha vida.

A ideia não é voltar ao estado anterior – jamais seria possível, estamos mudando a todo o momento – mas trazer de volta à tona o que é minha essência. O que é importante para mim e que jamais deveria ter sido deixado de lado. É um extenso trabalho de tentativa e erro, mas que esse últimos meses (no qual experimentei deliciosas crises de ansiedade, nunca vistas antes na história desse país) mostraram que é indispensável  continuar trilhando o caminho do autoconhecimento e auto-amor. Não há outra rota possível.

Reduzir a quantidade de café. Eu queria tirar o café, mas é um pouco difícil, porque AMO tomar minha xicarazinha de manhã, com a minha primeira refeição do dia. Porém é extremamente desnecessário adicionar cafeína além do pontuado, portanto cortei a ingestão além do limite de uma xícara. Notei que a quantidade de café que eu estou ingerindo influencia diretamente em como meu corpo e minha mente se comporta naquele dia. Excesso de café me causa enxaqueca, crises de ansiedade e irrita meu estômago/intestino (how fun), portanto definitivamente é algo no qual eu não devo fazer indulgências.

Morning pages. Comecei bem recentemente, então ainda não deu para verificar os benefícios dessa prática, mas estou confiante de que pode me ajudar a lidar melhor com os desgraçamentos mentais que rolam por aqui. Nem que escrever 3 páginas diariamente sirva apenas para jogar fora todo lixo que se acumula na minha mente, acho que já é um plus, né? Com a mente mais limpa podemos entender melhor o que precisamos fazer e fazer isso de forma mais eficiente (acho).

Me alimentar melhor. Eu estava numa onda fitness, mas depois das festas acabei descambando do vagão e voltei a comer as porcarias de sempre, a ter preguiça de cozinhar, etc. Não posso dizer que melhorei 100%, mas estou pensando em saídas para trazer mais nutrientes e fazer melhores escolhas, porque meu corpo está gritando por isso. Não se vocês já sentiram isso do corpo de vocês ter realmente vontade de comer coisas mais saudáveis, mas parece que esse momento chegou pra mim e é uma vontade que eu preciso atender. Portanto, aos poucos também (estou evitando mudanças radicais, que são muito high maintenance), estou tentando trazer comidas mais nutritivas e saudáveis (sem me importar muito com as calorias)  para o meu dia a dia. Um dia pode ser um suco verde, no outro o bom e velho arroz com feijão. Estou tentando escutar o meu corpo e atender ao que ele pede (geralmente ele está certo).

Elencar meus objetivos de vida. Estou começando a trabalhar num mapa dos sonhos, pensando em todas as coisas que eu quero fazer na minha vida, em tudo o que eu quero ser e viver. É um exercício complexo e trabalhoso e que nos faz pensar em quem nós realmente somos, que é algo que estou desesperadamente precisando descobrir, nesse exato momento. São muitas opções, nesse nosso mundo globalizado, e nem sempre o que funciona pra um pode funcionar pra gente. É preciso pensar bem, se escutar, se entender e isso, com tanto ruído, não é nem um pouco fácil.

Diminuir o ruído. Como que a gente consegue pensar com TANTO BARULHO, gente? Digo barulho no sentido amplo da coisa. São tantas coisas nos tirando do nosso eixo. Abrimos o computador para resolver uma coisa, nos distraímos com a última notícia, esquecemos o que fomos fazer naquele computador em primeiro lugar. Vamos comprar macarrão no supermercado, voltamos com salgadinho e cerveja. Deitamos para dormir e, pronto, soa o barulhinho de uma notificação no Instagram e já era, passaremos uma hora perdidos nos feeds das vidas dos outros. Não pretendo tirar as coisas da minha vida, mas preciso e vou fazer uma redução do que acompanho, deixando apenas o que me interessa, realmente. Farei isso nos e-mails, nas redes sociais, no celular, no notebook e em todos os outros ambientes virtuais que por acaso eu tiver. Aos poucos, quero trazer um pouco mais de clareza ao meu dia a dia.

Voltar a estudar. Estou sentindo uma vontade louca de aprender novas coisas. Ainda estou pensando em como eu vou materializar esses novos estudos, mas sinto que preciso investir nisso, que é importante para mim no momento atual. Se será uma pós, um novo curso de línguas (francês, francês!) ou algo através da internet, só o tempo dirá. Mas é algo que eu sei que me fará muito bem, pois aquela Amanda, a da essência, é um ser curioso por vida e que adora aprender.

E vocês, têm algo que estão tentando trazer para o dia a dia de vocês? Comentem, pitaquem, deem sua opinião! 😉

Da rotina

Tchau, 2016 – e obrigada

Que 2016 não foi fácil estamos cansados de saber. Na realidade, que ano é, não é mesmo? Obviamente que tem uns que realmente se superam mas, no geral, o sentimento que vencemos uma batalha e saímos vivos para contar a história é sempre mais forte. Mesmo que tenhamos sentado num pudim a maior parte do tempo, vamos sempre lembrar da topada que arrancou o samboque do nosso dedão.

Então eu vou tentar fazer diferente nesse fim de ano. Vou listar aqui as coisas pelas quais eu sou grata. As coisas que 2016 me ensinou e me deu. Não ignoro de forma nenhuma todas as dificuldades pelas quais passei. Seria até difícil tentar esquecer. Porém resolvi focar em tudo que foi bom e positivo. Em todos os aprendizados. Em todas as conquistas, sorrisos e alegrias. Tudo é uma questão de escolha e essa é a minha, que dividirei com vocês.

Esse ano, eu sou grata por:

– Ter Deus na minha vida. Eu sei que não falo muito sobre espiritualidade aqui nem na vida e há uma razão pra isso: não sei muita coisa e não quero inventar num assunto tão sério. Mas creio que ter Deus comigo faz toda a diferença. Me dá forças, tira um pouco do peso das minhas costas, me acalma em momentos difíceis. Obrigada por Sua presença, Deus.

– Ter uma casa para morar, comida para comer, lençóis cheirosos para me cobrir à noite e roupas limpas para me vestir durante o dia;

– Por ter encontrado o amor da minha vida e viver com ele. Vocês sabem o quão raro isso é?

– Pela minha família, que está sempre lá, por mim, e que me faz sentir em casa e segura, não importa o que aconteça.

– Pelos amigos, novos e antigos. Pela capacidade de fazer novos amigos, que eu sempre acho que está enferrujada pra mim – mas que sempre mostra que, nisso, eu estou bem enganada, graças a Deus.

– Ter aprendido que há coisas que não se pode aprender, há coisas que simplesmente não nos cabem. Quando algo vai de encontro ao que você é, não há como permanecer nessa situação por muito tempo.

– Pelo crescimento que tive a partir de cada queda minha. Não pensem que se cresce de qualquer outro jeito. É quebrando a cara que a gente aprende a ser gente.

– Pelo equilíbrio que não tive, mas que finalmente pude ver a importância. Harmonia, moderação são essenciais na nossa vida e nada em excesso faz bem.

– Por ter terminado o tratamento com Roacutan e ter dado tudo certo. Acabei, a pele está linda, essa página está virada.

– Por ter finalmente entendido que amar pessoas significa aguentar umas merdas bobas delas também. Somos todos humanos, ninguém é perfeito.

– Pelo perdão e pela diferença que ele faz nas nossas vidas. Guardar rancor não traz bem nenhum, gente (e vocês tão lendo isso de alguém com lua em escorpião). Pra ninguém. Se libertem, perdoem.

– Pelas noites mal-dormidas, que me ensinaram o valor de uma noite bem-dormida.

– Pela meditação e pela Yoga, que sempre me trazem de volta aos eixos quando eu estou perdida.

– Pela capacidade de recomeçar, que existe em todos nós, num cantinho do coração que muitas vezes, desconhecemos.

– Pela humildade, que nos permite iniciar baixo e não achar que somos mais do que alguma pessoa e estamos aquém de alguma coisa.

– Por mais esse ano na Terra. Pelo tempo, bem tão precioso.

– Por vocês, leitores, e por aguentarem minhas indas e vindas, meu descontrole, minha desorganização. Esse espaço é muito importante para mim  e ter o carinho de vocês me deixa feliz. Vocês são incríveis, muito obrigada.

E vocês, pelo o que são gratos? Escrevam (ou deixem o link do post de vocês sobre isso) nos meus comentários. Feliz ano novo para todos nós!