Amanda – Amanda Arruda
All Posts By

Amanda

Opiniões que ninguém pediu

Precisamos falar sobre Deus

foto por: betulvargun

Acho que nunca falei da minha espiritualidade aqui. Pra mim, além de um tema sensível, é também problemático porque eu mesma sentia que a minha definição em relação a isso era falha. Eu não tinha certeza do que eu pensava. Ou tinha, mas achava que, de alguma forma isso estava errado.

Eu explico: nasci e me criei católica, especialmente por influência da minha mãe, que tem sua fé muito bem aterrada e forte. Estudei todos os sábados na catequese, fiz primeira comunhão, me preparei para a crisma, me crismei, conheci meu atual marido na igreja que frequentávamos bem como fiz diversos amigos lá. Minhas crenças sempre foram presença forte na minha vida porém, a partir de um dado momento, comecei a questionar algumas coisas. Eu pensava em todos os julgamentos que as pessoas que frequentavam o mesmo local que eu faziam às pessoas. “Não pode isso, não pode aquilo, você está em pecado”. Eu mesma fui julgada algumas vezes e vi pessoas serem julgadas por apenas serem quem são ou por atitudes que tomaram de acordo com o que são. E, simplesmente, não entendia. Não entendia como um Deus que, para mim, era amor e compaixão, nos julgaria tão pesadamente por nossos erros, que são apenas humanos. Todos nós estamos aqui tentando acertar e eu tinha certeza, no meu íntimo, que Deus, que é onipotente e de tudo sabe, sabia muito bem que nós erramos quase sempre pensando que aquela é, realmente, a melhor saída. Também não conseguia conceber um Deus que rejeitava e julgava a comunidade LGBTQ, que queria as mulheres submissas aos homens, que pregava que deveríamos ficar com uma pessoa até a nossa morte mesmo que o relacionamento não estivesse dando certo de jeito nenhum. Eu discordava de tantas, tantas coisas que a minha religião pregava que acreditei que talvez, o problema estivesse com ela. Vi tantas pessoas cristãs sendo preconceituosas, radicais, extremistas que achei que provavelmente aquele não era o caminho certo. Terminei por me afastar um pouco da igreja e comecei a pesquisar outras crenças. Entretanto, meu coração não conseguia descansar em nenhuma das hipóteses que eu levantava. Nada parecia encaixar.

Segui nessa indefinição por alguns anos, eu sempre aparecendo na igreja nas datas importantes, sem conseguir cortar esse laço tão forte em mim. Sempre que ia, sentia uma energia forte em mim, uma alegria interna, e muitas vezes foi difícil segurar as lágrimas de finalmente estar lá novamente. Mas vários direcionamentos iam de encontro aos meus valores. Eu não conseguia me dissociar disso. Pra mim, Deus é amor. Deus não é vingativo. Deus tem compaixão e conhece nossas falhas e entende nossa natureza humana. Claro que temos que tentar ser o melhor que pudermos ser, mas Deus entende se, de vez em quando, a gente tropeçar e for meio otário. Gente, Deus fez a gente, ele sabe dos bugs do nosso sistema, né? Só que são tantas regras, tantas proibições, tantas ameaças de “queimar no fogo do inferno” que, realmente, não casavam com todas as vezes que eu experimentei Deus na minha vida. Não conseguia casar as duas ideias. E isso era uma fonte de muita infelicidade pra mim mesma.

Sinto dizer a vocês que vou ser um clichê ambulante (sempre fui) e direi que, apenas vendo A Cabana, no último fim de semana, me bateu real a ideia de que eu não precisava, necessariamente, concordar com tudo o que a igreja prega. E tudo bem. E vendo um vídeo da Rayza Nicácio, ontem (que segue uma religião diferente, mas parece passar por situações parecidas), tive certeza que não há como a gente concordar sempre com tudo o que uma religião diz que é lei. Somos bilhões de pessoas, com um número (graças a Deus) reduzido de ideias de como devemos seguir Deus. Haverá discordâncias. Haverá erros. As religiões são feitas por homens e, como os homens, é falha.

Tudo parece muito óbvio agora. Tão óbvio que nem posso crer porque me questionei por tanto tempo. A verdade da igreja pode ser grande, mas jamais será maior que a verdade do meu coração. Eu acredito que todos nós temos Deus dentro de nós e que podemos encontrá-lo sempre que precisarmos, se nos propusermos a escutá-lo. Também acredito que, por mais falha que uma religião seja, se ela está buscando o bem, ela é válida. É o caso da minha religião, que eu decidi, novamente, seguir. Com ressalvas, sim. Mas ainda assim, seguindo.

Porque? Porque é um dos muitos caminhos para ser uma pessoa melhor. Há vários, esse é o que eu escolhi. O meu é o melhor? Não faço ideia. Eu sou melhor que outras pessoas porque o escolhi? De jeito nenhum. Deixarei de lado meus valores essenciais por conta do que acredita a igreja, com algumas leis ridiculamente datadas? Jamais. E tudo bem. Há pessoas que me julgarão, possivelmente, mas muito pior seria o julgamento do meu próprio coração. Muito pior seria o peso na consciência que eu sentiria seguindo certos conceitos que eu não concordo e considero errados. Resolvi que, ao invés de simplesmente discordar e ir embora, eu iria concordar em discordar e focar no que a gente concorda, que é bem mais forte pra mim que nossas incongruências.

Vou seguir falando de horóscopo, fazendo sexo sem nenhuma intenção óbvia de procriar (e com camisinha, pra ser mais chata ainda), considerando pessoas que têm outras orientações sexuais como iguais (me sinto até ridícula atestando algo que é tão claramente óbvio pra mim), faltando algumas missas no domingo porque eu realmente precisava dormir e sendo o total de 0 submissa a qualquer homem que cruzar o caminho. Mas também seguirei acreditando em Deus, no seu amor por todos nós e na realidade que ele sempre nos incentiva a ser pessoas melhores. Seguirei acreditando no que tem dentro de mim, que é forte e sábio e que sempre me faz tirar o melhor das situações, aprender, conseguir seguir em frente sem desabar. Porque isso me deu e dá forças quando tudo falha e, sem Deus, eu realmente não sou eu mesma, apenas uma sombra do que eu poderia ser.

Eu nem sei bem o que me impulsionou a escrever sobre isso, mas a necessidade veio e eu escrevi. Fazia muito tempo que eu tentava ensaiar essas palavras e hoje eu decidi que iria, do jeito que fosse. Essa mensagem, esse desabafo precisa sair, precisava ganhar asas próprias e voar. Talvez como um aviso para você, amigo navegante dessa vida louca, de que tudo bem. Tudo bem se você não acha tudo certo. Tudo bem se você discorda de várias coisas. Tudo bem se você não concorda com esse monte de gente usando as crenças e o medo das pessoas para subir na vida, ganhar dinheiro, espalhar o preconceito, fazer o que bem entender. Eu também discordo e tudo bem. A gente não precisa concordar com tudo. Mas você ainda pode acreditar no que seu coração te diz, porque com ele não tem erro. A gente ainda pode acreditar no bem e que o bem nos liga a todos. A gente ainda pode crer na luz que brilha nos olhos de todos nós e que, pra mim, mostra que somos muito mais do que ossos e carne. Nada é preto no branco, mas há milhares de coisas incríveis no mundo, na natureza e dentro de nós. Sabendo olhar, a gente sempre vai achar razões para acreditar. <3

 

Amigos ateus, espero que meu post não tenha agredido vocês de alguma forma, pois jamais foi a intenção. Somos seres livres e não sou melhor do que ninguém por acreditar em Deus ou seguir uma religião.  A gente acredita e segue o que faz sentido pra gente, não existe “tamanho único” nessa história. (:

 

Cabelo

Como encurtar o tempo da transição capilar

foto: neaarty

Transição capilar é um saco e disso eu tenho certeza que ninguém duvida. E, como toda situação inconveniente, o melhor que pode acontecer é a gente conseguir encurtar a duração dela, né não? Pois bem, eu tive o que podemos chamar de uma transição curta – ou, pelo menos, para o padrão do que eu vejo por aí, que geralmente chega a 2, 3 anos. Acredito que todo o processo durou pouco menos de 1 ano e meus cachos voltaram com força total e muita saúde. Assim sendo, queria dar algumas dicas para ajudar vocês a encurtarem esse momento tão incômodo na vida de uma cacheada. Segura!

  1. Não use chapinha durante a transição. EU SEI, gente. O cabelo fica uma porcaria, aquelas duas texturas são coisa do demonho e você se sente um resto de feira triste. EU SEI, apenas lembrem que eu passei por isso. E passei por isso SEM CHAPINHA. O porquê? Porque quando você passa a chapinha no cabelo com frequência você machuca o seu cabelo e bagunça o fluxo dos seus cachos. Eles começam a ficar esticados, como quando você faz uma química no cabelo e aí que bela bosta cê tá fazendo, né? A transição não vai acabar nunquinha pra você enquanto você estiver metendo a chapinha no cabelo, então faz um favor pra você mesma e guarda essa bonita lá no fundo do guarda-roupa, tá?
  2. Não precisa fazer bc, mas também não tenha medo da tesoura. Então, gente, eu não tenho coragem para um big chop de jeito nenhum, então compreendo bem que não quer ver essa ideia nem pintada de ouro, apesar de ser a maneira mais fácil de se livrar de uma transição. Entretanto, se você quiser passar mais rápido por esse processo, você vai precisar SIM ir cortando as partes do cabelo que têm química. Eu cortava de 3 em 3 meses  e meu cabelo ficava pouco acima do ombro todas as vezes. Desapeguei de crescimento durante a transição, porque não dá pra ter tudo, né gente? Além do quê aquele cabelo com química só atrapalha todo o processo, tornando mais complicado arrumá-lo diariamente (sem contar que, geralmente, o cabelo com química tá maltratado, logo o aspecto dele nem é dos melhores). Ou seja: faz o olx e desapega, miga. Cabelo cacheado curto não só pode, como fica lindo! Inclusive, se quiser se inspirar, toma aqui uns perfis do instagrão de cabelereiros especialistas em cacheadas maravilhosos para você suspirar: @brunodantte (o salão dele fica no Rio, então sambem, cariocas); @rodrigovizu (esse é a minha paixão mais pesada do mundo dos cabelereiros de cacheadas e um dia ainda vou cortar com ele – fica em SP </3); @espaçocachoacacho (esse salão fica em Recife e é de uma amiga linda que passou por todo esse processo e resolveu ajudar as cacheadas a se descobrirem. conheçam <3).
  3. Descubra o que seu cabelo está precisando e o trate. Para ficar mais fácil de lidar e, também, para que seu cabelo renasça firme e forte, você precisa cuidar direitinho dele, né? Organize um cronograma capilar, comece uma rotina low ou no poo (inclusive, indiquei uns produtinhos MARA para quem quer seguir low como eu, confere aqui), abuse daqueles sábados com o cabelo emplastrado de máscara (euzinha sempre). Seu cabelo vai agradecer e crescer muito mais bonito – além de se tornar muito mais fácil de lidar no dia a dia.
  4. Cuidado com as químicas. Mesmo que não sejam químicas de transformação, como é o caso dos alisamentos, ela podem bagunçar seus cachos. Colorações, principalmente aquelas que envolvem descolorações no processo, podem atrapalhar DEMAIS a maratona que é a transição. Sempre interessante evitar, se possível.
  5. Incentive o crescimento do seu cabelo. Observe sua alimentação, vá à uma dermatologista, veja se você precisa de suplementação de vitaminas, use um shampoo que ajude seu cabelo a crescer. Afinal de contas, quanto mais rápido seu cabelo crescer, mais rápido terminará sua transição. Eu, particularmente, gostei bastante do Shampoo Bomba (tampa vermelha) da Salon Line, achei que ele deu uma incentivada no crescimento do cabelo – usei ele recentemente, pois na época da minha transição ele nem existia ainda. O importante é dar as armas para que seu cabelo se desenvolva da forma mais saudável possível – e isso envolve tanto fatores internos, como nutrição, quanto externos, como o shampoo e os tratamentos que você faz. Não foque tanto em quantos cm seu cabelo vai crescer num mês (não pira, miga), mas em dar as condições dele crescer forte e saudável.
  6. Keep calm e não faz drama. Descubra maneiras de lidar com o seu cabelo enquanto ele está transicionando, para que ele não se torne a maior fonte de tristeza e desencanto da sua vida. É difícil? É. É a coisa mais desgraçada do mundo? Não mesmo. Longe de se fazer de coitada, a gente vai resolvendo o problema como dá e foca no resultado, né isso? Pois bem! Penteados, faixas, turbantes, texturizações, cremes especiais para transição: you name it. Vá testando e usando o que quer que te ajude e que não atrapalhe o processo de transição. Fiz um vídeo contando como foi meu processo de transição e também dividindo hacks para quem quer passar por isso mais de boas, você pode conferir e também pesquisar a experiência de outras pessoas. Ninguém passa pelo mesmo processo – até porque somos não apenas pessoas diferentes, mas temos cabelos diferentes – então é sempre legal escutar várias opiniões!

É isso, galera! Quem tiver dicas, coloca aqui nos comentários e quem tiver dúvidas, também! Vamos se amar e se ajudar. ♥

Da rotina

Como eu adicionei atividade física ao meu cotidiano

Eu sou uma amante assumida da inércia. Se eu puder ficar quietinha no meu canto, fazendo o mínimo possível sem atrapalhar ninguém, não tenham dúvidas de que vai ser isso que vai acontecer. Isso dito, tenho absoluta noção de que o nosso corpo precisa de movimento e trabalha muito melhor quando a gente faz ele trabalhar e gastar energia. A gente se sente melhor, nosso corpo passa a trabalhar de forma mais saudável, uns músculos se formam, umas gorduras se contraem e todo mundo sai ganhando e fica feliz. Porém, mesmo com todos esses benefícios, nunca consegui me manter fazendo uma atividade física por muito tempo. Sempre largava a academia depois de dois meses, a resolução de correr todos os dias depois de algumas semanas, a yoga em casa depois de uns poucos dias.

That’s my spirit animal

Tudo isso me fazia achar que a minha força de vontade para instituir um novo hábito era inexistente e que possivelmente eu morreria de um ataque do coração com as veias cheias de gordura, porque né? Tudo parecia bem impossível. Até que comecei o Muay Thai. E, bem, já faz mais de um ano que eu treino e mesmo com uma pausa no meio desse período (fiquei desempregada e as mensalidades não eram exatamente baratas) eu posso dizer que essa equação complexa de como-que-eu-faço-para-me-engajar-num-exercício eu resolvi. E vim dividir o que me ajudou aqui com vocês, porque não, não é que o Muay Thai seja a resolução dos problemas de todo mundo, né? E sim o processo de descobrir o que funciona para cada um. Então vamos para as minhas dicas para você descobrir e se manter fazendo o que funciona pra você:

Descubra o que apela aos seus gostos. Nem todo mundo gosta da mesma coisa – essa afirmação é bem óbvia, mas no fundo todo mundo acha que devia ser como aquela amiga fitness que vai malhar até nos domingos de manhã chuvosos (Deus me livre e guarde, amém). Acontece que nós não gostamos das mesmas coisas e não são as mesmas atividades que vão realmente nos trazer prazer. Eu, por exemplo, gosto de esportes porque tem trama do trabalho em equipe, a competição, o aprendizado e melhoria a cada novo dia de treino. Adorava fazer educação física no colégio (sim, pasmem) porque era uma das poucas oportunidades que eu tinha de jogar vôlei, handebol ou até queimado (esqueçamos futebol, pois péssima, tropeço até nos meus próprios pés). Para mim, o apelo é me tornar BOA de verdade em alguma coisa, além de ajudar um grupo de pessoas a atingir algo – no caso ideal, uma vitória. No Muay Thai, um dos meus incentivos é saber existe um longo caminho de aprendizado pela frente e que, se eu continuar treinando, vou subir na escala (no caso, ir recebendo graduações). O fato de outras pessoas participarem do meu treino (e sofrerem junto), além de ter um professor observando e corrigindo por perto é algo muito importante também. Também curto atividades que envolvam contato com a natureza (como trilhas), mas tenho medo de altura (logo não rola escaladas e tal). Em resumo: gosto de aprender coisas novas e ir diariamente à academia não me trazia isso. Eu não melhorava em um determinado exercício, apenas meu corpo desenvolvia músculos que aguentavam aquela determinada carga de peso. E eu tinha que passar meses fazendo o mesmo set de repetições, sem desenvolver laços com ninguém nem ter muito contato com os professores da academia. Era, de fato, algo fadado a falhar comigo e só eu que não queria ver. O foco simplesmente na parte física não me incentiva o suficiente. Então se você tem falhado continuamente nas suas tentativas de adicionar uma atividade física no seu dia a dia, observe se há alguma que você já tenha realmente curtido e o que fez você gostar dela. Assim você pode descobrir qual o seu perfil.

Teste, teste, teste. Uma vez descobrindo o que te incentiva nas atividades físicas, faça uma lista das que se encaixam nos seus requisitos. Se você gosta de contato com a natureza, pode se interessar por surf, trilhas ou rapel. Se você curte treinar sozinho, academia, corrida, ciclismo, natação ou squash podem ser boas opções. Se você quer algo mais holístico, yoga é uma ótima pedida. A realidade é que há um grande variedade de atividades que você pode curtir e você só vai descobrir testando. A maioria das academias e escolas têm um período de teste que você pode utilizar para ver se se interessa na bagaça antes de pagar mensalidades, então use e abuse desse benefício para descobrir o que pode funcionar pra você.

Escolha algo que fique no seu caminho. Eu descobri sobre mim mesma que, se algo for muito difícil de fazer, eu não vou fazê-lo. Ou seja: se eu tiver que sair do meu caminho, pegar trânsito e me estressar para fazer o meu treino do dia, chances are de que eu vou pular o treino e ir direto pra casa. Portanto não escolha nada que seja muito longe da sua casa ou na contramão dos trajetos que você faz no dia a dia, porque isso vai ser um empecilho diário que você terá que driblar para chegar lá e que, no fim, pode fazer você desistir da empreitada.

Coloque a sua atividade como uma prioridade na sua vida. Palavra de quem já errou muito nessa área, gente: enquanto você não priorizar, você não vai priorizar. Parece que me confundi toda, mas olha: enquanto tudo for mais importante que aquele treino que você para R$80 para fazer 3 vezes por semana, você sempre vai marcar coisas para o mesmo horário desse treino. O horário do treino É SAGRADO, gente! Bloqueie esse bloco de tempo na sua agenda e tente ao máximo evitar outros compromissos que comprometam a sua assiduidade. Muita coisa mudou desde que eu decidi realmente tratar o Muay Thai como uma das minhas prioridades, mas o principal incentivo foi o financeiro: não faz sentido pagar por algo que eu não estou utilizando ao máximo. E eu não queria desistir dos meus momentos necessários para jogar as frustrações do dia fora, portanto resolvi que ia realmente fazer meu dinheiro ser bem gasto, tentando ir o máximo de vezes possível no mês.

Crie técnicas para driblar a preguiça. Você já descobriu o que gosta, já testou as possibilidades, já colocou sua atividade como prioridade, mas de vez em quando aquela preguiça de viver vem atrapalhar os paranauês todos, não é mesmo? Ninguém tá livre dela, amigx, segura aqui na minha mão. O que eu tenho feito não é nada do outro mundo, mas tem funcionado. Quando a preguiça bate – e ela bate, principalmente no fim do dia, quando estou exausta de tanto trabalhar e meu corpo só quer a minha caminha maravilhosa e abençoada – e tenta me convencer a desistir de ir só por hoje, eu simplesmente decido ir. “Eu vou e se eu não quiser treinar, eu não treino” é o meu discurso hoje em dia para momentos como esse. E, olha, ainda não houve um diazinho em que eu não quisesse treinar, uma vez que eu estivesse na academia. As pessoas, o local, a vontade de melhorar naquilo que eu estou fazendo sempre me incentivam a colocar as bandagens nas mãos e me jogar no treino. Ou seja: técnica testada, aprovada e comprovada. Hoje em dia, as únicas situações em que me permito faltar sem maiores afobações é quando eu tô sofrendo das minhas malignas cólicas menstruais ou quando estou doente. De resto, eu simplesmente apareço e geralmente dá certo. Então caso a preguiça bata, você pode testar a minha técnica de meio ignorá-la ou criar a sua própria. O importante é que funcione pra você.

Essas são minhas dicas, gente! Vocês têm mais alguma pra adicionar ou alguma dúvida em relação ao que falei? Deixe seus adendos nos comentários. 😉

Da rotina

De peito aberto

Nobody knows what the road will give us untill it does.

Pra quem não sabe, fiz 27 anos na última segunda-feira. E, pra falar a verdade, não tinha grandes planos e interesses para a data. É engraçado como as coisas mudam com o tempo. Aniversários sempre foram algo MUITO importante para mim desde a mais tenra idade, porque era assim que as coisas eram na minha casa. Eu ansiava pelas comemorações, pelos presentes, por ser o centro das atenções por um dia inteiro – porque, afinal de contas, aquele era o meu dia. Aquele era o meu momento.

Com o passar dos anos, fazer aniversário passou a me trazer para um estado de espírito muito mais reflexivo que comemorativo. Será que eu estou fazendo tudo certinho? Será que o que eu conquistei está de acordo com o que eu já deveria ter conquistado a esse ponto? Será que eu estou amadurecendo e tomando atitudes acertadas, que condizem ou extrapolam a minha idade? A data, ao invés de um espaço para comemoração de mais um ano habitando a Terra, ao lado da minha família e meus amigos, se tornou um marco de cobranças. Mais um ano que se passara e eu ainda não tinha tomado vergonha e feito minha pós/emagrecido/começado a estudar uma nova língua/juntado um bom dinheiro na poupança/ construído um guarda-roupa que me orgulhe/ largado tudo pra viajar pelo mundo ou qualquer uma dessas coisas que nós e a sociedade achamos que todos devem fazer, mesmo que minimamente. Toda essa obrigação em ter resultados óbvios, práticos e produtivos passou a gerar um sentimento de falha com a chegada de cada nova data. Eu não estava, aparentemente, usando o meu tempo da forma correta. Não estava crescendo, não estava me tornando alguém melhor, mais inteligente ou mais bonita. Eu estava apenas existindo na Terra.

Or was I?

Esse ano eu resolvi abrir o meu coração e apenas abraçar a nova idade. Resolvi simplesmente aceitar. Aceitar o que quer que eu tenha feito ou não no ano anterior, as transformações que aconteceram ou as que eu desisti ou que jamais iniciei. Decidi aceitar que o que quer que eu tenha feito nessa volta inteira do planeta ao redor do sol foi bom o suficiente. Foi o que deu pra fazer, dentro das minhas possibilidades. Foi o que foi possível. E a verdade é que eu me surpreendi com a gama de sentimentos que me invadiu, mas o maior deles foi a gratidão. Eu fui sem esperar absolutamente nada, comecei o dia aceitando o mínimo e o mais simples, e a vida gritou SURPRESA na minha cara com tantos amigos aparecendo e dizendo que, sim, a minha existência adicionava algo na vida deles. Muitos eu não via há algum tempo, muitos eu vejo todos os dias e não apenas o fato deles lembrarem e me felicitarem por meu aniversário, mas o fato deles EXISTIREM at all me fez sentir grata. Me fez sentir feliz que, por mais que eu ainda não tenha achado uma dieta que eu consiga seguir, por mais que eu já tenha deixado os pratos sujos na pia por uma semana ou qualquer outra prova cabal da completa falha que eu sou como ser humano, eu continuo capaz de fazer amigos. E de mantê-los. E eu posso, na verdade, contar com eles. E eles comigo. E se tem algo mais valioso que o sentimento de pertencimento e segurança que a amizade nos traz, eu não conheço.

Isso me fez pensar que, o que quer que eu esteja fazendo em todos esses anos, eu estou crescendo em decorrência disso. Como pessoa, como ser humano, como alma caminhando nesse mundo. Tem dias que são mais difíceis, tem coisas que eu não consigo fazer, tem noites que chego em casa e só quero deitar na cama, fechar os olhos e esquecer de tudo. Eu tenho, sim, minhas limitações e defeitos, que me impedem de ser boa em coisas que a vida (e as fotos do Instagram de diversos perfis) mostra que outras pessoas fazem com facilidade. Mas é o que eu sou e, enquanto eu realmente acredito em evoluir e mudar diariamente, sendo sempre uma versão melhor do que fomos ontem, também acredito que a aceitação, na vida, é algo poderoso e importante. Inclusive, mais uma razão para ser grata: ter aprendido  e trabalhado em desenvolver, todos os dias, a aceitação. A aceitação nos faz ser mais gentis com nós e com as pessoas ao nosso redor. Eu, que não sou uma pessoa gentil por natureza (tenho uma personalidade muito mais propensa a julgar primeiro e entender depois, do que o contrário), reconheço que aceitar é um tarefa árdua, porque foi dificílimo pra mim. Mas também é tão importante, gente! E muda tanto a nossa vida. Apenas aceitar que a gente fez o nosso melhor e que não somos, necessariamente, responsáveis pelo o que virá depois. Aceitar que o outro está fazendo o melhor que ele pode e que, claro, algumas vezes não é suficiente, mas geralmente não é culpa de ninguém. Rir um pouco das nossas limitações e das limitações dos outros traz leveza e deixa os dias mais fáceis.

Então, confiando no que a vida me reserva, decidi que eu não tenho planos e pressões para a próxima idade. Claro que fiz algumas sugestões, anotadas num caderninho, de coisas que poderiam ser completadas nos próximos 365 dias. Mas são sugestões, apenas. A vida acontece todos os dias e muda os nossos planos, apesar dos nossos melhores esforços. Só nos cabe aprender, seguir e tentar ser o melhor que conseguimos com o que o dia nos oferece. Isso já é o suficiente. Isso já é razão suficiente para agradecer.