Amanda Arruda - Lifestyle, Decoração, Livros e Feminices
Opiniões que ninguém pediu

Abrace os seus sonhos, abrace o medo, abrace a queda

foto por: Helene Rydén

Eu sempre fui medrosa. Desde que eu me entendo por gente, não lembro de algum momento em que eu tenha simplesmente pulado a parte de pesar prós e contras e decidido simplesmente me jogar for the sake of it. Prova disso é consegui sair da infância e da adolescência sem um osso quebrado, nenhuma cárie – e nenhuma estripulia homérica para contar pros netos. Isso quer dizer que eu nunca faça ou tenha feito uma loucura? Não. Mas até as loucuras são bem avaliadas. Eu sempre penso nas consequências. O que vai acontecer se eu falhar? O que vai acontecer se tudo der errado? E, baseada nisso, eu tomo minhas decisões. Sempre foi assim e é como eu lido com a vida.

O lado ruim disso tudo é que, sendo medrosa, eu paraliso quando o medo das consequências de algo dar muito errado é muito grande. Não consigo seguir em frente. Eu fico paradinha, no meu lugar, e ignoro aquilo que podia ser algo que mudaria a minha vida. É fato que quase nenhuma das escolhas importantes da vida são indolores e o medo da dor é algo que dá uma tela azul grande e monumental em mim. Não a dor física em si (embora eu não seja lá muito fã dessa também), mas a dor psicológica. A dor de errar, de falhar, de não ser capaz de fazer algo. De ser menor, ser insuficiente, ser desimportante. A dor, em suma, de ser humano.

Acho que a esse ponto você já deve ter avistado o louco dessa linha de pensamento. Não existe humanidade sem erros. Não existe crescimento sem riscos. Não existe vida quando estamos sempre na nossa zona de conforto, nunca desafiados, nunca desenvolvendo novas maneiras de ver o mundo. Isso é óbvio e está aí pra todo mundo ver. Porém acredito também que você, provavelmente um millenial como eu (pelo menos, de acordo com as estatísticas do meu analytics), também se identifica com essa loucura chamada medo de falhar. É uma coisa muito louca como o nosso cérebro funciona, o que a gente acha que é lógico e correto (e que não faz o menor sentido uma vez que a gente põe o pingo nos is). É surreal o que o medo nos faz acreditar.

Você entende o que é querer abraçar o mundo sem abandonar o sofá e o Netflix? Você sabe o que é querer voar, mas só se não houver absolutamente nenhuma chance de cair? Eu sinto como se tivesse uma tempestade de sonhos e desejos dentro de mim, querendo nada menos do que a liberdade de ser. E eu, querendo me poupar os arranhões ao ego, os estresses da vida, trato de guardá-la bem guardadinha dentro de mim, costurada em um ponto bem pequeno, pra não ter erro (vamos evitá-los, né?). Só que, de vez em quando, não dá. De vez em quando os pontos abrem, ela corre louca rumo à luz do dia e haja “bom senso” para colocá-la no lugar novamente. No meio dos trovões, algumas nuvens cinzentas fazem muito mais sentido do que alguns céus azuis da minha realidade. Mas eu sempre ignoro isso, porque não vale a pena. No meio dos prós e contras, o “e se” me paralisa. As possibilidades de quebrar a cara, cair feio, colocar meu bloco na rua e ninguém aparecer fazem com que eu junte cada raiozinho dessa tempestade e guarde bem guardadinho dentro de mim. Faz com que o que mais faz sentido dentro de mim seja descartado, me deixando apenas com pedaços de algo que deveria ser um inteiro.

Dias desses eu topei com a frase “embrace the fall” no twitter, num dia qualquer em que meu humor estava uma bosta e que eu sentia, como sempre, que tinha algo dentro de mim querendo sair e que esse  algo deveria ficar quietinho pois ele não estava ajudando em nada, estava? E algo clicou dentro de mim. Algo fez sentido.

Vocês vejam mesmo: não há maneira de ter certeza sobre nada do que vai acontecer. A gente não controla o resultado das situações – muitas vezes, inclusive, a gente não controla nem as ações que vêm antes do resultado. Eu tô escrevendo uma coisa aqui com uma intenção x, mas sempre vai ter quem entenda y e, realmente, não há muito o que se possa fazer sobre isso. Na vida, há diversas variáveis, várias influências e inúmeros cenários possíveis que não apenas não vale a pena elencar  como também seria impossível fazê-lo. É o que a vida é. Enquanto eu sou sempre a favor de elencar prós e contras e tomar decisões racionalmente, ultimamente eu tenho levado muitos tapas na cara da minha intuição. Porque a gente é mais do que cálculos e o racional. Somos nossos sonhos, nossa sabedoria interior, nossos desejos. O equilíbrio está em saber quando escutar a cabeça e quando escutar o coração. Porque alguns sonhos são simplesmente muito assustadores para responderem às nossas equações de certo e errado. São queridos, partes nossas em toda a sua indomabilidade, e nós não queremos perdê-los. Nós sentimos que eles são parte de nós e que, se há a menor chance de não conseguirmos fazê-los virar realidade, é melhor nem tentar. É nessas horas de insegurança que, algumas vezes, a gente simplesmente vai ter que dar a tapa à cara e pronto. A gente vai ter que confiar na nossa intuição, vencer a barreira do medo e deixar chover na nossa vida, no nosso sonho.

Porque, sendo apenas lógica, vejam qual é a situação: se a gente não tenta, a gente não ganha. Porém, se a gente tenta, a gente tem uma chance de ganhar o que quer que a gente queira, certo? Logo, o que devia ser o filme de terror da gente não seria colocar um sonho, uma ideia, um desejo na rua, mas não colocá-lo. Guardá-lo entre nossos trecos, como escultura velha de porcelana numa estante empoeirada. Sonhos não foram feitos pra serem guardados, eles são selvagens demais pra isso. É como ter um tigre como animal de estimação. Ele não vai brincar contigo e te animar no fim do dia – ele vai te devorar. Você deve deixá-lo em liberdade, deve libertá-lo para o mundo, onde ele tem muito mais chance de se adaptar bem do que deitado aos seus pés.

A única saída é seguir em frente, abraçando a queda, quer ela venha ou não. A queda não é apenas uma possibilidade – é parte da vida. Um vez que a gente entende, de uma vez por todas, que somos humanos e que não se espera que sejamos perfeitos e façamos tudo impecavelmente, tudo se torna mais fácil. É certo que algumas coisas vão dar certo e outras vão dar errado, porque there is no such a thing as perfeição. A nossa única chance de sermos completos, de sermos o máximo que podemos ser, de agirmos com justiça com nós mesmos é, no que diz respeito aos nossos sonhos, termos coragem e soltá-los para voar e ganhar o mundo. A queda é possível? É sim. Tudo pode dar errado? Com certeza. Mas guardado dentro de nós ele não vai a canto nenhum, também. Portanto, o risco é não libertá-lo – deixá-lo livre é nossa única opção.

E sempre bom lembrar: a gente cai, levanta a poeira e escolhe outro sonho (ou às vezes, até o mesmo, de uma outra maneira) para colorir o nosso mundo. A força e a beleza da gente não está na habilidade de evitar os tombos, mas na desenvoltura de, ao cair, aprender com nossos erros e levantar para tentar de novo. Não precisamos temer as possibilidades – precisamos libertá-las.

Opiniões que ninguém pediu

Precisamos falar sobre Deus

foto por: betulvargun

Acho que nunca falei da minha espiritualidade aqui. Pra mim, além de um tema sensível, é também problemático porque eu mesma sentia que a minha definição em relação a isso era falha. Eu não tinha certeza do que eu pensava. Ou tinha, mas achava que, de alguma forma isso estava errado.

Eu explico: nasci e me criei católica, especialmente por influência da minha mãe, que tem sua fé muito bem aterrada e forte. Estudei todos os sábados na catequese, fiz primeira comunhão, me preparei para a crisma, me crismei, conheci meu atual marido na igreja que frequentávamos bem como fiz diversos amigos lá. Minhas crenças sempre foram presença forte na minha vida porém, a partir de um dado momento, comecei a questionar algumas coisas. Eu pensava em todos os julgamentos que as pessoas que frequentavam o mesmo local que eu faziam às pessoas. “Não pode isso, não pode aquilo, você está em pecado”. Eu mesma fui julgada algumas vezes e vi pessoas serem julgadas por apenas serem quem são ou por atitudes que tomaram de acordo com o que são. E, simplesmente, não entendia. Não entendia como um Deus que, para mim, era amor e compaixão, nos julgaria tão pesadamente por nossos erros, que são apenas humanos. Todos nós estamos aqui tentando acertar e eu tinha certeza, no meu íntimo, que Deus, que é onipotente e de tudo sabe, sabia muito bem que nós erramos quase sempre pensando que aquela é, realmente, a melhor saída. Também não conseguia conceber um Deus que rejeitava e julgava a comunidade LGBTQ, que queria as mulheres submissas aos homens, que pregava que deveríamos ficar com uma pessoa até a nossa morte mesmo que o relacionamento não estivesse dando certo de jeito nenhum. Eu discordava de tantas, tantas coisas que a minha religião pregava que acreditei que talvez, o problema estivesse com ela. Vi tantas pessoas cristãs sendo preconceituosas, radicais, extremistas que achei que provavelmente aquele não era o caminho certo. Terminei por me afastar um pouco da igreja e comecei a pesquisar outras crenças. Entretanto, meu coração não conseguia descansar em nenhuma das hipóteses que eu levantava. Nada parecia encaixar.

Segui nessa indefinição por alguns anos, eu sempre aparecendo na igreja nas datas importantes, sem conseguir cortar esse laço tão forte em mim. Sempre que ia, sentia uma energia forte em mim, uma alegria interna, e muitas vezes foi difícil segurar as lágrimas de finalmente estar lá novamente. Mas vários direcionamentos iam de encontro aos meus valores. Eu não conseguia me dissociar disso. Pra mim, Deus é amor. Deus não é vingativo. Deus tem compaixão e conhece nossas falhas e entende nossa natureza humana. Claro que temos que tentar ser o melhor que pudermos ser, mas Deus entende se, de vez em quando, a gente tropeçar e for meio otário. Gente, Deus fez a gente, ele sabe dos bugs do nosso sistema, né? Só que são tantas regras, tantas proibições, tantas ameaças de “queimar no fogo do inferno” que, realmente, não casavam com todas as vezes que eu experimentei Deus na minha vida. Não conseguia casar as duas ideias. E isso era uma fonte de muita infelicidade pra mim mesma.

Sinto dizer a vocês que vou ser um clichê ambulante (sempre fui) e direi que, apenas vendo A Cabana, no último fim de semana, me bateu real a ideia de que eu não precisava, necessariamente, concordar com tudo o que a igreja prega. E tudo bem. E vendo um vídeo da Rayza Nicácio, ontem (que segue uma religião diferente, mas parece passar por situações parecidas), tive certeza que não há como a gente concordar sempre com tudo o que uma religião diz que é lei. Somos bilhões de pessoas, com um número (graças a Deus) reduzido de ideias de como devemos seguir Deus. Haverá discordâncias. Haverá erros. As religiões são feitas por homens e, como os homens, é falha.

Tudo parece muito óbvio agora. Tão óbvio que nem posso crer porque me questionei por tanto tempo. A verdade da igreja pode ser grande, mas jamais será maior que a verdade do meu coração. Eu acredito que todos nós temos Deus dentro de nós e que podemos encontrá-lo sempre que precisarmos, se nos propusermos a escutá-lo. Também acredito que, por mais falha que uma religião seja, se ela está buscando o bem, ela é válida. É o caso da minha religião, que eu decidi, novamente, seguir. Com ressalvas, sim. Mas ainda assim, seguindo.

Porque? Porque é um dos muitos caminhos para ser uma pessoa melhor. Há vários, esse é o que eu escolhi. O meu é o melhor? Não faço ideia. Eu sou melhor que outras pessoas porque o escolhi? De jeito nenhum. Deixarei de lado meus valores essenciais por conta do que acredita a igreja, com algumas leis ridiculamente datadas? Jamais. E tudo bem. Há pessoas que me julgarão, possivelmente, mas muito pior seria o julgamento do meu próprio coração. Muito pior seria o peso na consciência que eu sentiria seguindo certos conceitos que eu não concordo e considero errados. Resolvi que, ao invés de simplesmente discordar e ir embora, eu iria concordar em discordar e focar no que a gente concorda, que é bem mais forte pra mim que nossas incongruências.

Vou seguir falando de horóscopo, fazendo sexo sem nenhuma intenção óbvia de procriar (e com camisinha, pra ser mais chata ainda), considerando pessoas que têm outras orientações sexuais como iguais (me sinto até ridícula atestando algo que é tão claramente óbvio pra mim), faltando algumas missas no domingo porque eu realmente precisava dormir e sendo o total de 0 submissa a qualquer homem que cruzar o caminho. Mas também seguirei acreditando em Deus, no seu amor por todos nós e na realidade que ele sempre nos incentiva a ser pessoas melhores. Seguirei acreditando no que tem dentro de mim, que é forte e sábio e que sempre me faz tirar o melhor das situações, aprender, conseguir seguir em frente sem desabar. Porque isso me deu e dá forças quando tudo falha e, sem Deus, eu realmente não sou eu mesma, apenas uma sombra do que eu poderia ser.

Eu nem sei bem o que me impulsionou a escrever sobre isso, mas a necessidade veio e eu escrevi. Fazia muito tempo que eu tentava ensaiar essas palavras e hoje eu decidi que iria, do jeito que fosse. Essa mensagem, esse desabafo precisa sair, precisava ganhar asas próprias e voar. Talvez como um aviso para você, amigo navegante dessa vida louca, de que tudo bem. Tudo bem se você não acha tudo certo. Tudo bem se você discorda de várias coisas. Tudo bem se você não concorda com esse monte de gente usando as crenças e o medo das pessoas para subir na vida, ganhar dinheiro, espalhar o preconceito, fazer o que bem entender. Eu também discordo e tudo bem. A gente não precisa concordar com tudo. Mas você ainda pode acreditar no que seu coração te diz, porque com ele não tem erro. A gente ainda pode acreditar no bem e que o bem nos liga a todos. A gente ainda pode crer na luz que brilha nos olhos de todos nós e que, pra mim, mostra que somos muito mais do que ossos e carne. Nada é preto no branco, mas há milhares de coisas incríveis no mundo, na natureza e dentro de nós. Sabendo olhar, a gente sempre vai achar razões para acreditar. <3

 

Amigos ateus, espero que meu post não tenha agredido vocês de alguma forma, pois jamais foi a intenção. Somos seres livres e não sou melhor do que ninguém por acreditar em Deus ou seguir uma religião.  A gente acredita e segue o que faz sentido pra gente, não existe “tamanho único” nessa história. (:

 

Cabelo

Como encurtar o tempo da transição capilar

foto: neaarty

Transição capilar é um saco e disso eu tenho certeza que ninguém duvida. E, como toda situação inconveniente, o melhor que pode acontecer é a gente conseguir encurtar a duração dela, né não? Pois bem, eu tive o que podemos chamar de uma transição curta – ou, pelo menos, para o padrão do que eu vejo por aí, que geralmente chega a 2, 3 anos. Acredito que todo o processo durou pouco menos de 1 ano e meus cachos voltaram com força total e muita saúde. Assim sendo, queria dar algumas dicas para ajudar vocês a encurtarem esse momento tão incômodo na vida de uma cacheada. Segura!

  1. Não use chapinha durante a transição. EU SEI, gente. O cabelo fica uma porcaria, aquelas duas texturas são coisa do demonho e você se sente um resto de feira triste. EU SEI, apenas lembrem que eu passei por isso. E passei por isso SEM CHAPINHA. O porquê? Porque quando você passa a chapinha no cabelo com frequência você machuca o seu cabelo e bagunça o fluxo dos seus cachos. Eles começam a ficar esticados, como quando você faz uma química no cabelo e aí que bela bosta cê tá fazendo, né? A transição não vai acabar nunquinha pra você enquanto você estiver metendo a chapinha no cabelo, então faz um favor pra você mesma e guarda essa bonita lá no fundo do guarda-roupa, tá?
  2. Não precisa fazer bc, mas também não tenha medo da tesoura. Então, gente, eu não tenho coragem para um big chop de jeito nenhum, então compreendo bem que não quer ver essa ideia nem pintada de ouro, apesar de ser a maneira mais fácil de se livrar de uma transição. Entretanto, se você quiser passar mais rápido por esse processo, você vai precisar SIM ir cortando as partes do cabelo que têm química. Eu cortava de 3 em 3 meses  e meu cabelo ficava pouco acima do ombro todas as vezes. Desapeguei de crescimento durante a transição, porque não dá pra ter tudo, né gente? Além do quê aquele cabelo com química só atrapalha todo o processo, tornando mais complicado arrumá-lo diariamente (sem contar que, geralmente, o cabelo com química tá maltratado, logo o aspecto dele nem é dos melhores). Ou seja: faz o olx e desapega, miga. Cabelo cacheado curto não só pode, como fica lindo! Inclusive, se quiser se inspirar, toma aqui uns perfis do instagrão de cabelereiros especialistas em cacheadas maravilhosos para você suspirar: @brunodantte (o salão dele fica no Rio, então sambem, cariocas); @rodrigovizu (esse é a minha paixão mais pesada do mundo dos cabelereiros de cacheadas e um dia ainda vou cortar com ele – fica em SP </3); @espaçocachoacacho (esse salão fica em Recife e é de uma amiga linda que passou por todo esse processo e resolveu ajudar as cacheadas a se descobrirem. conheçam <3).
  3. Descubra o que seu cabelo está precisando e o trate. Para ficar mais fácil de lidar e, também, para que seu cabelo renasça firme e forte, você precisa cuidar direitinho dele, né? Organize um cronograma capilar, comece uma rotina low ou no poo (inclusive, indiquei uns produtinhos MARA para quem quer seguir low como eu, confere aqui), abuse daqueles sábados com o cabelo emplastrado de máscara (euzinha sempre). Seu cabelo vai agradecer e crescer muito mais bonito – além de se tornar muito mais fácil de lidar no dia a dia.
  4. Cuidado com as químicas. Mesmo que não sejam químicas de transformação, como é o caso dos alisamentos, ela podem bagunçar seus cachos. Colorações, principalmente aquelas que envolvem descolorações no processo, podem atrapalhar DEMAIS a maratona que é a transição. Sempre interessante evitar, se possível.
  5. Incentive o crescimento do seu cabelo. Observe sua alimentação, vá à uma dermatologista, veja se você precisa de suplementação de vitaminas, use um shampoo que ajude seu cabelo a crescer. Afinal de contas, quanto mais rápido seu cabelo crescer, mais rápido terminará sua transição. Eu, particularmente, gostei bastante do Shampoo Bomba (tampa vermelha) da Salon Line, achei que ele deu uma incentivada no crescimento do cabelo – usei ele recentemente, pois na época da minha transição ele nem existia ainda. O importante é dar as armas para que seu cabelo se desenvolva da forma mais saudável possível – e isso envolve tanto fatores internos, como nutrição, quanto externos, como o shampoo e os tratamentos que você faz. Não foque tanto em quantos cm seu cabelo vai crescer num mês (não pira, miga), mas em dar as condições dele crescer forte e saudável.
  6. Keep calm e não faz drama. Descubra maneiras de lidar com o seu cabelo enquanto ele está transicionando, para que ele não se torne a maior fonte de tristeza e desencanto da sua vida. É difícil? É. É a coisa mais desgraçada do mundo? Não mesmo. Longe de se fazer de coitada, a gente vai resolvendo o problema como dá e foca no resultado, né isso? Pois bem! Penteados, faixas, turbantes, texturizações, cremes especiais para transição: you name it. Vá testando e usando o que quer que te ajude e que não atrapalhe o processo de transição. Fiz um vídeo contando como foi meu processo de transição e também dividindo hacks para quem quer passar por isso mais de boas, você pode conferir e também pesquisar a experiência de outras pessoas. Ninguém passa pelo mesmo processo – até porque somos não apenas pessoas diferentes, mas temos cabelos diferentes – então é sempre legal escutar várias opiniões!

É isso, galera! Quem tiver dicas, coloca aqui nos comentários e quem tiver dúvidas, também! Vamos se amar e se ajudar. ♥

Da rotina

Como eu adicionei atividade física ao meu cotidiano

Eu sou uma amante assumida da inércia. Se eu puder ficar quietinha no meu canto, fazendo o mínimo possível sem atrapalhar ninguém, não tenham dúvidas de que vai ser isso que vai acontecer. Isso dito, tenho absoluta noção de que o nosso corpo precisa de movimento e trabalha muito melhor quando a gente faz ele trabalhar e gastar energia. A gente se sente melhor, nosso corpo passa a trabalhar de forma mais saudável, uns músculos se formam, umas gorduras se contraem e todo mundo sai ganhando e fica feliz. Porém, mesmo com todos esses benefícios, nunca consegui me manter fazendo uma atividade física por muito tempo. Sempre largava a academia depois de dois meses, a resolução de correr todos os dias depois de algumas semanas, a yoga em casa depois de uns poucos dias.

That’s my spirit animal

Tudo isso me fazia achar que a minha força de vontade para instituir um novo hábito era inexistente e que possivelmente eu morreria de um ataque do coração com as veias cheias de gordura, porque né? Tudo parecia bem impossível. Até que comecei o Muay Thai. E, bem, já faz mais de um ano que eu treino e mesmo com uma pausa no meio desse período (fiquei desempregada e as mensalidades não eram exatamente baratas) eu posso dizer que essa equação complexa de como-que-eu-faço-para-me-engajar-num-exercício eu resolvi. E vim dividir o que me ajudou aqui com vocês, porque não, não é que o Muay Thai seja a resolução dos problemas de todo mundo, né? E sim o processo de descobrir o que funciona para cada um. Então vamos para as minhas dicas para você descobrir e se manter fazendo o que funciona pra você:

Descubra o que apela aos seus gostos. Nem todo mundo gosta da mesma coisa – essa afirmação é bem óbvia, mas no fundo todo mundo acha que devia ser como aquela amiga fitness que vai malhar até nos domingos de manhã chuvosos (Deus me livre e guarde, amém). Acontece que nós não gostamos das mesmas coisas e não são as mesmas atividades que vão realmente nos trazer prazer. Eu, por exemplo, gosto de esportes porque tem trama do trabalho em equipe, a competição, o aprendizado e melhoria a cada novo dia de treino. Adorava fazer educação física no colégio (sim, pasmem) porque era uma das poucas oportunidades que eu tinha de jogar vôlei, handebol ou até queimado (esqueçamos futebol, pois péssima, tropeço até nos meus próprios pés). Para mim, o apelo é me tornar BOA de verdade em alguma coisa, além de ajudar um grupo de pessoas a atingir algo – no caso ideal, uma vitória. No Muay Thai, um dos meus incentivos é saber existe um longo caminho de aprendizado pela frente e que, se eu continuar treinando, vou subir na escala (no caso, ir recebendo graduações). O fato de outras pessoas participarem do meu treino (e sofrerem junto), além de ter um professor observando e corrigindo por perto é algo muito importante também. Também curto atividades que envolvam contato com a natureza (como trilhas), mas tenho medo de altura (logo não rola escaladas e tal). Em resumo: gosto de aprender coisas novas e ir diariamente à academia não me trazia isso. Eu não melhorava em um determinado exercício, apenas meu corpo desenvolvia músculos que aguentavam aquela determinada carga de peso. E eu tinha que passar meses fazendo o mesmo set de repetições, sem desenvolver laços com ninguém nem ter muito contato com os professores da academia. Era, de fato, algo fadado a falhar comigo e só eu que não queria ver. O foco simplesmente na parte física não me incentiva o suficiente. Então se você tem falhado continuamente nas suas tentativas de adicionar uma atividade física no seu dia a dia, observe se há alguma que você já tenha realmente curtido e o que fez você gostar dela. Assim você pode descobrir qual o seu perfil.

Teste, teste, teste. Uma vez descobrindo o que te incentiva nas atividades físicas, faça uma lista das que se encaixam nos seus requisitos. Se você gosta de contato com a natureza, pode se interessar por surf, trilhas ou rapel. Se você curte treinar sozinho, academia, corrida, ciclismo, natação ou squash podem ser boas opções. Se você quer algo mais holístico, yoga é uma ótima pedida. A realidade é que há um grande variedade de atividades que você pode curtir e você só vai descobrir testando. A maioria das academias e escolas têm um período de teste que você pode utilizar para ver se se interessa na bagaça antes de pagar mensalidades, então use e abuse desse benefício para descobrir o que pode funcionar pra você.

Escolha algo que fique no seu caminho. Eu descobri sobre mim mesma que, se algo for muito difícil de fazer, eu não vou fazê-lo. Ou seja: se eu tiver que sair do meu caminho, pegar trânsito e me estressar para fazer o meu treino do dia, chances are de que eu vou pular o treino e ir direto pra casa. Portanto não escolha nada que seja muito longe da sua casa ou na contramão dos trajetos que você faz no dia a dia, porque isso vai ser um empecilho diário que você terá que driblar para chegar lá e que, no fim, pode fazer você desistir da empreitada.

Coloque a sua atividade como uma prioridade na sua vida. Palavra de quem já errou muito nessa área, gente: enquanto você não priorizar, você não vai priorizar. Parece que me confundi toda, mas olha: enquanto tudo for mais importante que aquele treino que você para R$80 para fazer 3 vezes por semana, você sempre vai marcar coisas para o mesmo horário desse treino. O horário do treino É SAGRADO, gente! Bloqueie esse bloco de tempo na sua agenda e tente ao máximo evitar outros compromissos que comprometam a sua assiduidade. Muita coisa mudou desde que eu decidi realmente tratar o Muay Thai como uma das minhas prioridades, mas o principal incentivo foi o financeiro: não faz sentido pagar por algo que eu não estou utilizando ao máximo. E eu não queria desistir dos meus momentos necessários para jogar as frustrações do dia fora, portanto resolvi que ia realmente fazer meu dinheiro ser bem gasto, tentando ir o máximo de vezes possível no mês.

Crie técnicas para driblar a preguiça. Você já descobriu o que gosta, já testou as possibilidades, já colocou sua atividade como prioridade, mas de vez em quando aquela preguiça de viver vem atrapalhar os paranauês todos, não é mesmo? Ninguém tá livre dela, amigx, segura aqui na minha mão. O que eu tenho feito não é nada do outro mundo, mas tem funcionado. Quando a preguiça bate – e ela bate, principalmente no fim do dia, quando estou exausta de tanto trabalhar e meu corpo só quer a minha caminha maravilhosa e abençoada – e tenta me convencer a desistir de ir só por hoje, eu simplesmente decido ir. “Eu vou e se eu não quiser treinar, eu não treino” é o meu discurso hoje em dia para momentos como esse. E, olha, ainda não houve um diazinho em que eu não quisesse treinar, uma vez que eu estivesse na academia. As pessoas, o local, a vontade de melhorar naquilo que eu estou fazendo sempre me incentivam a colocar as bandagens nas mãos e me jogar no treino. Ou seja: técnica testada, aprovada e comprovada. Hoje em dia, as únicas situações em que me permito faltar sem maiores afobações é quando eu tô sofrendo das minhas malignas cólicas menstruais ou quando estou doente. De resto, eu simplesmente apareço e geralmente dá certo. Então caso a preguiça bata, você pode testar a minha técnica de meio ignorá-la ou criar a sua própria. O importante é que funcione pra você.

Essas são minhas dicas, gente! Vocês têm mais alguma pra adicionar ou alguma dúvida em relação ao que falei? Deixe seus adendos nos comentários. 😉