Amanda Arruda - Lifestyle, Decoração, Livros e Feminices
Opiniões que ninguém pediu

Você escolhe as suas energias (e as do mundo)

Ontem, com a tragédia que tomou conta de todas as redes sociais e meios de comunicação, bateu aquela bad que sempre bate quando essas coisas acontecem. Logo pensei: “meu Deus, esse vai ser um dia horrível, cheio de angústia e tristeza e eu vou ver todas aquelas matérias desesperadoras sobre o acidente e morrer de medo por mim e por todas as pessoas que um dia podem se envolver em algo assim”. E eu já tinha aceitado o meu destino até vir a seguinte pergunta do fundo da minha consciência: é, mas por que mesmo? Porque que eu vou assistir a essas matérias, clicar nesses links, passar por esse sofrimento, quando eu posso facilmente não fazê-lo?

Pois é. Passei o dia fora da internet (praticamente), não liguei a TV, não assisti a noticiários. Porque a gente não é obrigado. A energia é minha e eu posso escolher não perdê-la para esse tipo de informação. É o tipo de coisa que não adiciona nada mais na nossa vida, apenas se aproveita da desgraça alheia para ganhar mais ibope e cliques. Assim que soube, mandei meus bons pensamentos e minha paz para as famílias das pessoas que foram vitimadas nessa tragédia e segui em frente. Não havia mais nada que pudesse ser feito por mim, logo não há razão lógica para continuar se envolvendo ou assistindo ao desenrolar dessa história.

Energia não dá em árvore, gente, embora a gente possa sempre dividir e multiplicar, com as pessoas e atividades certas. Isso não quer dizer que a gente deva desperdiçar as nossas com o que não nos serve. O caso que exemplifiquei acima é de uma notícia, mas isso pode servir para tanta coisa na nossa vida. Por exemplo: hoje em dia não assisto mais filmes de terror, porque me assusto e impressiono com facilidade e isso atrapalha a minha vida (e o meu sono). Eu sempre fico mal depois de um filme assim, logo qual o sentido em persistir assistindo a esse tipo de coisa? Seria um comportamento autodestrutivo, coisa que estou tentando extirpar da minha vida. Portanto, não, não assisto filmes de terror. Também evito perder meu tempo discutindo no Facebook (na verdade, isso acontece quase nunca, atualmente) ou em qualquer outra rede social, não leio comentários de portais (fica a dica, gente) e estou sempre correndo na direção contrária de qualquer situação que envolva chafundar no que há de pior da raça humana. Inclusive, resolvi não seguir assistindo Black Mirror porque me dava um sentimento ruim no fim dos episódios. Nada que te deixe pior do que você estava antes pode ser bom e por mais que eu acredite que existem alguns momentos em que o remédio é amargo, não creio que esse seja um deles.

Vocês podem dizer que eu estou tentando viver num mundo que não existe, tentando fugir da realidade. Eu digo a vocês: não. Primeiro que ninguém consegue realmente ignorar tudo, as notícias sempre chegam (como a de ontem chegou). O que eu não faço é correr atrás de mais informações de coisas que não me interessam e as quais eu não posso mudar. E, segundo, a realidade é mais do que isso. A realidade é o que nós vivemos, também, e não apenas todas as coisas ruins que acontecem no mundo. Se eu posso focar no que é bom, porque eu vou fazer o oposto? Tudo é uma questão de escolha. A gente pode dar atenção a uma pessoa que está disseminando algo negativo na internet, por exemplo, ou podemos jogar nosso holofote em alguém que está fazendo algo bacana e agregando valor às nossas vidas. Nós podemos passar o nosso tempo apontando o dedo para tudo o que tem de errado no mundo ou mostrando tudo o que ele tem de certo. É uma opção. Eu estou escolhendo, racionalmente, multiplicar a energia boa, pois creio que, de outra maneira, alimentamos a ruim, mesmo que estejamos lutando contra isso. Damos nossa atenção, perdemos nossa paz, multiplicamos o foco nessa coisa da qual não gostamos e perdemos a chance incentivar algo que faça exatamente o que queremos que seja feito. Lutar ativamente contra o mal, no meu entendimento, não é tão funcional quanto alimentar o bem.

Eu acredito de verdade que, quando mudamos nós mesmos, mudamos o mundo. Se eu cultivo uma energia positiva dentro de mim, a minha energia vai influenciar as outras pessoas e, assim, aos poucos, podemos mudar o nosso ambiente, mudando as pessoas que convivem diretamente conosco. Nós atraímos o que nós cultivamos. E isso é tudo escolha nossa.

Precisamos parar de nos vitimizar e começar a tomar as rédeas da nossa vida. Obviamente que há diversas situações que não podemos controlar, mas há opções que podem ser feitas e que não nos damos conta. Você não é obrigado a assistir notícias ruins, ler livros por prazer sobre temas que não te agradam, se envolver naquela discussão no Facebook (que você sabe que não vai dar em nada) ou seguir mantendo aquela pessoa abusiva na sua vida. Você escolhe o tipo de energia que alimenta e, assim, escolhe as que te alimentarão também. A opção é só sua. Então, da próxima vez, pule a seção de comentários das notícias. Ignore o post do colega errado no Facebook (ou melhor, dá logo unfollow/unfriend para evitar ver esse tipo de coisa novamente). Comente na foto de uma amiga, dizendo que ela está linda. Elogie verdadeiramente o projeto legal de alguém. Compre algo feito da forma que você acredita que deve ser feito. Evite o drama, alimente o bem, porque você pode. Porque isso é prerrogativa sua. Porque você é responsável pela suas próprias energias.

Feminices, Pele, Roacutan

Roacutan: Diário de Bordo – 8 meses e o que vem depois

Foto: gismoland

Foto: gismoland

Cabô esse carai!

Finalmente estou aqui para contar a você como foram os meses finais de tratamento e o que acontece agora, dois meses depois do fim dessa maratona. Preferi esperar um pouco mais para ter certeza que poderia reportar tudo maravilhosamente e, bem, como dois meses é o prazo da bula para o Roacutan deixar completamente a nossa corrente sanguínea, esperei esse tempinho para fechar esse diário de bordo. Vamos primeiro ao relato de como foram os últimos meses de tratamento, shall we?

Então, do sexto mês para a frente, pouca coisa mudou na minha vida. Os testes continuaram perfeitos, sem nenhuma alteração nas taxas analisadas. As espinhas desapareceram completamente e não voltaram a dar as caras, com a graça de Deus. O maior problema desse período foi que TUDO ressecou de uma maneira que não estava fácil viver. Não havia lip balm abençoado que desse jeito na minha boca. Era um caso tão perdido que deixei mesmo de mão a minha caça pelo lip balm perfeito e segui com o azul-escuro da Nivea, que resolvia o problema pelo tempo total de 5 minutos. Em situações extremas, a boca rachava e sangrava, sim. Por isso, evitava sorrir muito aberto, porque vamos evitar a humilhação em público sempre que possível, não é mesmo? O queixo despelava todos os dias (agora a bochecha, que eu queria que despelasse, para que as marquinhas saíssem, não despelou NEM UM TIQUINHO, a rapariga) e ficava branco de tão ressecado. E lá ia eu com hidratante para tentar domar a fera indócil. A pele do corpo inteiro ficou muito sensível e qualquer coisa causava um corte, que geralmente demorava um tempinho pra sarar. Sério, é como se a pele estivesse muito fina (?) e até coçar arranhava (e olha que aqui não trabalhamos com unhão). O cabelo não voltou a cair, o que foi uma benção, porque houve um momento que eu realmente achei que ficaria careca. Porém: seco que nem palha. Todos os fluidos corporais desapareceram. Todos. Só as lágrimas permaneceram, mas poucas e sempre que trabalhava com computador tinha que hidratar os olhos com colírio. O nariz ressecou, mas não o suficiente para incomodar.

Além disso, desenvolvi algo muito curioso chamado fascite plantar, a inflamação da fáscia, que é um tecido cartilaginoso que fica logo depois da pele, na planta do nosso pé. Toda vez, TODA VEZINHA, que eu estava sentada/deitada e precisava levantar, sentia uma dor aguda no calcanhar e tinha que andar de ponta de pé. A dor dissipava depois de alguns minutos, mas me sentia uma senhorinha de 800 anos, né? A canelite atacava também quando eu inventava de fazer alguma caminhada mais vigorosa, um inferno. Além disso, as dores musculares continuaram presentes, principalmente na lombar e nas costas, no geral. Era uma dor que massagem só fazia doer mais, então eu apenas deixava quieto e seguia a vida. Inclusive, a maioria dos sintomas, que não eram questão de vida ou morte, eu deixei ser, porque não adianta tratar efeito colateral de um remédio. O tratamento é parar o remédio e só. Anyway. Tive uma gripe mais pro fim do tratamento e gripe com Roacutan é um saco porque você fica com medo de tomar MAIS um remédio e dar pau no seu fígado/rim, né? Tratei com própolis e mel, me incomodou, mas nada que fosse pior do que, por exemplo, aqueles dois/três primeiros meses com o rosto deformado de espinhas (inclusive, se você está nessa fase, força, ela acaba!). Inclusive, uma coisa que você aprende durante o tratamento com Roacutan: aguentar uma dores e não apelar pra remédio com tudo que aparece. Sempre que possível, tomava chás para cólicas e outras tretas, pra evitar sobrecarregar ainda mais o meu corpo.

Durante o fim do tratamento, perdi o início de uma cartela do anticoncepcional (imbecil, eu sei, não façam isso em casa) e passei um mês sem tomar o anti. A minha menstruação atrasou mais de UMA SEMANA. SIM. UMA SEMANA. Quase morri do coração? Isso aí. Minha menstruação sempre foi bem certinha, vem no dia bonitinho dela e, naquele mês, não apareceu. Fiz nada mais nada menos que 3 exames de farmácia e 2 BHCGs (nem estava louca, eu) até ter certeza que não estava grávida. Depois, quando ela estava afim, ela desceu (rapariga!) e foi aquela tsunami de alívio. Então aí está a razão pela qual devemos tomar anticoncepcional durante o tratamento, juntamente com um método de barreira (camisinha, no meu caso): sua menstruação vai enlouquecer e você vai enlouquecer junto, achando que está grávida todo mês. Isso além do fato óbvio que é melhor prevenir por dois meios que tentar remediar o irremediável, que é uma gravidez nesse período. O bebê pode sofrer sérias deformações e malformações. É um troço bem sério e quase morri do coração no fim do mês, apesar de ter feito tudo direitinho (fora o anti). Então, aprendam com a heart attack da tia Amanda e não repitam esse erro nas suas vidas, se estiverem fazendo esse tratamento, obrigada.

Quanto ao meu peso, ele se manteve regular na casa do 70 e poucos durante todo o tratamento. Se eu for chutar, acho que perdi mais peso do que ganhei durante todo os 8 meses, always a plus quando se está acima do que deveria pesar. A libido teve uma queda, também, durante todo o tratamento – o que é normal, já que esse remédio suprime a testosterona, responsável pelo desejo sexual. E de resto, eu era uma pessoa funcional. Depois de alguns meses você se acostuma com os efeitos e aprende a viver com eles. Eu sempre pensava que se não era para ter espinha nunca na vida, tava bom demais sofrer por 8 meses.

E valeu a pena?

Então. Aqui estou do alto de dois meses depois do tratamento para dizer a você que: sim. Valeu demais. Se antes eu nem cogitava muito tirar foto sem maquiagem, agora o status quo dos meus dias normais é sem maquiagem. Até porque já sabemos que maquiagem por aqui só quando eu tô bem afim, né? No resto dos dias, I don’t even bother. A pele ficou limpa, mas as marquinhas das guerras travadas com as espinhas antes e durante o tratamento ficaram. Nada que um tratamento com ácido não resolva, mas agora só depois do verão, pois pretendo pegar as praias todas que aparecerem na minha frente, ha!

 

A photo posted by Amanda Arruda (@mandyarruda) on

(fotinha do depois, 0 maquiagens, para vocês verem. a luz tá boa, mas dá pra ver que tem marquinhas, né?)

1 semana depois do fim do tratamento (mais ou menos) o queixo já parou do despelar e a boca, minha gente, a boca que eu já tinha dado por perdida, voltou à vida! Não estava mais ressecada, nem despelando, nem rachando, nem sangrando. Foi uma felicidade só finalmente poder usar um batom novamente sem ficar aquelas peles horrorosas estragando tudo. As dores musculares demoraram um pouquinho mais para desaparecer, inclusive a lombar ainda dói um pouco, mas nada escabroso. A fascite, esse amorzinho, digivolveu para um forma mais dolorosa, que não passava com minutinhos depois de levantar. Coloquei gelo sempre que doía e comecei a malhar. Com o fortalecimento dos músculos da panturrilha, a fáscia parou de incomodar e o problema foi resolvido. Os nossos músculos sofrem um bocado durante o processo, então creio que a musculação tenha sido uma boa decisão, após o tratamento (durante é bem difícil se comprometer, tudo dói o dobro).

Com um mês do tratamento finalizado, refiz os exames e tudo deu perfeitamente normal. Assim como está a minha vida agora. Não tenho do que reclamar e sou grata pela oportunidade de fazer esse tratamento, que teve uma influência tão grande na minha autoestima. Novamente, repito aqui o que já falei nos posts anteriores: esses textos não têm a intenção de indicar o tratamento para ninguém. Quem indica é o médico, o dermatologista. É um processo bem sério e que não pode ser levado na brincadeira. A minha única intenção é a de dividir a minha experiência e, possivelmente, ajudar algumas pessoas que fazem esse tratamento ou que farão a saber o que podem esperar pela frente. Apesar dos vários efeitos colaterais, nada foi dramático a ponto de influenciar a alegria do produto final. Para mim, não há nada como se sentir bem na sua própria pele e, se você tem acne, eu indico fortemente que procure um profissional e trate-se, pois essa doença não é tão levada a sério (talvez porque ninguém morra disso), mas como toda doença de pele, é muito incômoda e danosa ao bem estar da pessoa.

Nessa tag eu contei toda a minha experiência e o que eu passei. Cada corpo, cada organismo reage de um jeito e isso aqui não é necessariamente o que vai acontecer com você – a bula do remédio tem todas as possibilidades, como sabemos. Mas pode ser que seja, então estou aqui para ajudar, dividindo o meu conhecimento de causa. Se tiverem dúvidas ou comentários, não hesitem em deixar aí embaixo. Vou responder todos no meu tempo (que algumas vezes não é lá essas coisas, admito), mas responderei! Toda a sorte do mundo a quem estiver nessa batalha e vamos em frente!

Da rotina

Desculpe a ausência

Hi, Life. I brought you some flowers.

Perdi as contas de quantas vezes ensaiei escrever esse post. Acontece que uma vez que caímos nas graças da nossa amiga inércia, fica muito difícil voltar às boas com a nossa produtividade. Além do quê, a minha vida não está ajudando. Ela está muito complexa para ser reportada. Desde agosto tem acontecido nada além de novidade em cima de novidade, mudança em cima de mudança. Umas boas, outras nem tanto, todas fazendo com que eu me movimente desconfortavelmente de uma rotina para outra num piscar de olhos. Eu já disse a vocês o quanto eu odeio mudanças? O quanto eu tenho preguiça de criar novas rotinas e fugir do que eu já sei que dá certo? Pois bem, então vocês podem imaginar a quantas não anda a minha cabecinha ultimamente.

Em novembro, finalmente, a poeira baixou e pudemos identificar, por cima, alguns mortos e feridos e outros sobreviventes ilesos. E chegamos à seguinte situação: estou atualmente desempregada, com algum dinheiro na poupança (obrigado, Deus, pelo fundo de garantia e pelas multas rescisórias) e com algumas poucas ideias de como fazer para seguir em frente. É a segunda vez que fico desempregada na vida – a última foi há 3 anos atrás (eu sei, não faz tanto tempo assim – umas das causas pelas quais odeio e amo trabalhar com publicidade). E o sentimento dessa vez é um pouco menos aterrador. Apesar do medo desse grande desconhecido chamado possibilidades, atualmente estou um pouco mais confiante de que tenho bons caminhos pela frente. Isso não quer dizer, claro, que não me bata uns ataques de ansiedade de vez em quando, nos quais eu tento respirar fundo e me controlar, dizendo que vai dar tudo certo, de uma forma ou de outra. Eles batem, mas estou lidando bem com isso. Sei que tudo acontece por um razão e, possivelmente, Deus queria me dar um tempo para realinhar meu rumo. E será isso que eu farei.

Estou, aos poucos, trazendo alguns projetos meus de volta à vida. Um deles é, finalmente, tomar as rédeas da minha alimentação e do meu físico em geral, que não anda bem e, nesses meses de loucura, desceu mais ladeira abaixo ainda, se é que isso era possível (era). Jamais estive tão gorda na vida e não estou feliz com isso e tampouco meu corpo está lidando bem com o sobrepeso. Portanto, abracei com vontade a meta de perder 10kg em 3 meses, voltando ao meu IMC saudável, assim. Estou fazendo escolhas melhores, me hidratando bem, indo à academia e tentando ser mais ativa, de modo geral. Meu boy queria que eu compartilhasse esse projeto aqui, como uma categoria à parte e fizesse um auê sobre isso, mas sabe? Não quero. Deus sabe quantas dietas e projetos eu já comecei e, realmente, é ótimo ter pessoas pra cobrar. Mas, sei lá, simplesmente não encaixa com o que eu estou vivendo no momento. Estou em descoberta comigo mesma e sinto que a única força de que preciso está dentro de mim e todo esse buzz externo pode me incomodar e atrapalhar. Portanto, devo compartilhar algumas coisas sobre essa empreitada no meu instagram e twitter (e até aqui, no blog), porém nada muito detalhado, provavelmente.

O blog, também, é um projeto a que quero dar mais atenção. Ele é sempre deixado de lado nos momentos difíceis, o que é um absurdo, mas é como eu atualmente lido com as coisas. Mas, bem, vamos mudar isso? É o que eu desejo e, com alguma sorte, aparecerei mais vezes, para tratar de assuntos mais amenos. Quero voltar a estudar francês, quero fazer alguns cursos para a minha área de trabalho, quero limpar o quarto da bagunça de uma vez por todas, quero ler os livros abandonados na minha estante, quero viajar. São muitos projetos, até. E talvez seja isso que me fez ficar paralisada por um tempo. Assim, estou retomando cada um deles aos poucos. Comecei com a alimentação saudável e os exercícios, pois me pareceram os mais importantes. Agora estou aqui, dando alguma atenção ao blog. E, passo a passo, vou reorganizar minhas prioridades e fazer andar, novamente, o trem da minha vida.

Queria muito ser dessas pessoas que partem de uma para outra em um piscar de olhos. Infelizmente, não é a minha. Meu mercúrio em touro (desculpem pessoas que odeiam astrologia, apenas sigam em frente) tá aí pra dizer que a minha lentidão não é invenção minha. Eu demoro a entender, de verdade, o que está acontecendo – embora seja boa em fingir que tá tudo lindo, tá tudo belo e tô sacando a porra toda. Porém, parte dessa ‘demora’ é relativa ao meu entendimento de que as coisas simplesmente não se resolvem do dia para a noite. As reações às ações não são bombásticas e rápidas como acender uma dinamite. Acredito que a vida seja mais parecida com as transformações da fermentação na massa de um pão. Leva mais tempo para a gente saber qual vai ser o resultado final. Assim sendo, eu espero um pouco mais para chegar à uma conclusão sobre os acontecimentos da vida. Tudo é complexo, nada é apenas ruim ou bom. Para todo riso, há uma lágrima – para todo ponto, um contraponto.

Mas, bem, rápido ou não, aqui estamos. Obrigado a vocês quem continuam vindo aqui, não importa quantas teias de aranha se acumulem. Vocês são incríveis e dias melhores (ou mais simples) virão. E uma melhor versão de mim também.

Da rotina

Tiny little steps

Foto: k-cady

Foto: k-cady

Bem, gente. Aqui estou, mais de um mês depois, atualizando esse cantinho. Eu nem sei como ainda tenho visitas, abandonando tanto esse espaço como eu abandono, mas creiam: life is not easy e isso é na maior parte do tempo. E, de alguma maneira, 26 anos de vida aqui ainda não me ensinaram como faz para não desaparecer quando as coisas ficam confusas ou difíceis. Acontece, gente, que eu tinha um plano. Era um plano curto, mas era um plano. E agora eu tenho, bem, nada. Tá, não nada. Mas meu plano, gente. Meu plano se foi e nem ao menos eu posso fazer um plano para retomar o outro plano porque, no fim das contas, eu nem sei se ele era lá essas coisas.

Vocês entendem? Enquanto a gente está no olho do furacão, é fácil se manter no que você imaginou que era o certo porque você já está lá, entende? Você está lá, as coisas estão caminhando de acordo com o planejado e haverá um retorno no fim – se era o que se realmente necessitava, não importa. Existe o plano e isso nos dá segurança de levantar todos os dias e deal with shit. Só que agora, que eu tenho o total de 0 ideias de como seguir com a minha vida, é tudo mais complexo. Não quero qualquer plano, agora. Eu quero um plano legal, que faça sentido com a pessoa que eu sou hoje, que realmente me leve para onde eu quero ir.

Só que eu não sei para onde eu quero ir. Eu não tenho mais certeza sobre quem eu sou. Eu não faço ideia de quais são os meus sonhos. E, o pior de tudo, eu acho que eu não consigo chegar lá.

Eu não me considero uma pessoa de baixa autoestima. Eu sei meu valor, mas, gente? Será que podemos mesmo ter a vida que sonhamos? Escrevo esse texto no meu notebook, sentada em um sofá extremamente desconfortável, tendo como fundo o vazio imenso que é a nossa sala de jantar (nossa mesa ainda não chegou, mas pelo menos JÁ A COMPRAMOS). E fico me perguntando se eu realmente posso transformar os meus sonhos em realidade, uma vez que nem ao menos eu sei o que eu quero nessa vida. Já não era para eu estar rica, famosa ou ter ganho algum prêmio? Não é isso que se faz hoje em dia?

Vocês não sentem uma canseira imensa quando precisam dar um rumo na vida de vocês? Porque eu estou sentindo. Inclusive, escrever esse post já está me dando dor de cabeça. São tantas peças para juntar, tantas coisas a serem descobertas antes disso que estou estafada só de pensar em todo o passo a passo. Mas me exaure muito mais pensar que, enquanto um decisão não for tomada, terei que seguir no melhor estilo deixa-a-vida-me-levar, aceitando o que eu recebo e nada muito além disso. Isso, eu sei, não é meu estilo e nunca será.

Então, o que eu queria dizer e que esse texto muito confuso com certeza não repassou é: estou viva e vivendo um passo de cada vez. Vou dividir tudo em pequeníssimas tarefas e me descobrir um pouquinho mais a cada dia. Aqui dentro está tudo uma bagunça mas, por sorte, meus valores são os mesmos. Pelo menos, tenho um ponto de partida.